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terça-feira, 7 de fevereiro de 2012


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 BANHO DE SANGUE NA SÍRIA NÃO ATORMENTA RUSSOS E CHINESES
  06/02/2012
Rússia e China pouco se importam com o sangue derramado na Síria em que o ditador atual reproduz a matança que seu pai comandou em 1982. Desprezam os novos ares da Primavera Árabe que vieram da Tunísia e do Egito para instaurar a democracia nas autocracias islâmicas. Mesmo porque nunca lidaram com a democracia formal, transitando do czarismo e do império, respectivamente, para o comunismo. Ainda não se livraram do condicionamento de raciocinar como se estivessem na Guerra Fria, defendendo o comunismo contra o colonialismo e o imperialismo ianque. Como se os EUA tivessem prestígio no explosivo Oriente Médio, justamente depois da invasão ao Afeganistão e Iraque, de modo a poder arquitetar mudanças ardilosas de olho em impedir a Rússia de vender armas para o regime sírio, pondo em risco a manutenção da única base naval russa no estratégico Mar Mediterrâneo, e fazendo-a perder influência política junto ao novo mundo árabe democrático que desponta e à Síria, seu único aliado na região. Quando a Rússia herdou da União Soviética sua presença no Oriente Médio, mas lá não conseguiu adicionar nenhum novo amigo em seu Facebook. Não admitir a escalada de mortes e o genocídio perpetrados por Bashar al-Assad pode representar mau agouro para Vladimir Putin, se eleito o futuro presidente da Rússia. A bola da vez.
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 MODIGLIANI E SUAS FACES ALONGADAS
  03/02/2012
O que há de único na obra de Modigliani não é sua arte figurativa caracterizada por face e pescoço alongados. Nem ter morrido aos 36 anos deixando 320 telas e 27 esculturas - o que bastou para ser considerado o pintor mais importante da Itália no começo do século XX. Nem ter sofrido de pleurisia, tifo e tuberculose em seu crescimento, que comprometeram sua saúde pelo resto da vida, quando delirava implorando à sua mãe para ver as pinturas no Palazo Pitti e Uffizi, em Florença. Nem de ele se dedicar ao retrato de sua esposa em vários quadros, como na sua obra maior, “Jeune Femme aux yeux bleus” (1917), num brilhante jogo de introversão que faz surgir um rosto feminino enigmático com olhos azuis fixados no grande Amedeo Modigliani. O que há de único e sem paralelo em história de amor foi Jeanne Hébuterne, sua musa inspiradora, ter se suicidado no dia seguinte ao seu falecimento, em 24 de janeiro de 1920. Grávida de oito meses. Atirando-se do 5º andar de um prédio. Deixando órfã a filha Jeanne, nascida em 1918. Parecido, mas não igual, somente Romeu e Julieta.
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 “J. EDGARD”
A CRÍTICA DA CRÍTICA
  02/02/2012
Pesado e melodramático, apesar de o filme ser da extensa e frutífera obra de Clint Eastwood. Mas o que interessa é a vida de J. Edgard Hoover, o criador do FBI, que permaneceu à frente como o homem forte de investigações criminais e políticas nos EUA por mais de 44 anos, até vir a morrer em 1972. Apesar de ser gay e viver uma longa história de amor com o seu vice numa sociedade puritana, de rígidos padrões religiosos e homofóbica, bem ao feitio da época. Praticamente intocável à custa de ter comandado, no início de sua carreira, a deportação de anarquistas que estavam explodindo autoridades e congressistas. Prosseguiu caçando comunistas como se o Estado americano pudesse, um dia, ficar de joelhos perante o perigo bolchevista. Um ditadorzinho que atravessou os mandatos de oito presidentes sem que nenhum deles conseguisse destituí-lo, intimidando com arquivos secretos que mantinha sobre toda e qualquer figura relevante do cenário político. Tal como fazia a KGB, exatamente à mesma época, com os supostos inimigos do comunismo, melhor dizendo, do stalinismo. Hoover teve o desplante de convidar Charles Chaplin, perigoso esquerdista, a exilar-se na Suíça, em razão de seu filme “O Grande Ditador” acabar com a raça do Hitler. À medida que o poderoso chefão e homossexual fechava os olhos para a máfia, crescia o ódio por Martin Luther King e o movimento de direitos civis, por neles ver instrumentos de desestabilização do país e, consequentemente, coisa de comunista. Interferiu com adulteração ou fabricação de documentos na história dos Estados Unidos quando não eliminou o que havia por trás da organização mafiosa que assassinou o presidente Kennedy, provavelmente como um de seus integrantes. Para quem criou um poder paralelo que afrontava a democracia americana explorando o comunismo, não seria nenhuma surpresa na grande nação que se orgulha de sua justiça. J. Edgard Hoover, uma mente diabólica.
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