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domingo, 20 de maio de 2012


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 ATÉ QUE ENFIM COLLOR DEU UMA DENTRO!
  18/05/2012
Até que enfim Collor deu uma dentro! Requereu à CPI para que a Polícia Federal enviasse uma edição em separado de todas as gravações contendo conversas telefônicas do jornalista Policarpo Jr. com Cachoeira ou membros de sua máfia. Claro que assim agiu por vingança da revista Veja, considerando-a responsável pela sua deposição, quando seu irmão e o seu motorista é que o expulsaram da vida folgada que desfrutava na Presidência da República. Mas a finalidade seria comprovar de vez as armações ilimitadas de Cachoeira com fins notórios de prejudicar os governos Lula e Dilma, mancomunado com a revista, que exploraria os escândalos e ganharia bom dinheiro com a boa-fé do leitor. Contudo, Miro Teixeira, lembrando-se de seu passado jornalístico e político ao lado de Chagas Freitas, governador aprovado pelos militares com o polegar pra cima à época da ditadura e proprietário do falecido jornal O Dia, blindou a mídia e preservou a fonte (Cachoeira) em defesa da liberdade de imprensa. Nada como a CPI para ratificar que Miro Teixeira é o lobista da mídia junto ao Congresso. Permanecendo a questão: se um amor bandido é aceito a contragosto, por que não uma fonte marginal e contraventora para alimentar a respeitabilidade da grande e antiga mídia em defesa de sua linha editorial?
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 CAVENDISH JÁ DEVIA ESTAR PRESO!
  18/05/2012
Fernandinho Cavendish já devia ter sido preso pela Polícia Federal. Rapidinho passou adiante a Delta, retirou 64 milhões de lucros (fora o que tem nos paraísos fiscais), deve estar ocultando ou destruindo provas, brincou com a vida de sua mulher, que morreu no acidente de helicóptero pilotado por um de seus sócios, e não tem mais nada a perder! A não ser a amizade muy amiga de Serginho Cabral que, agora, não quer vê-lo nem pintado. Melhor dizendo, nem de bandana de guardanapo na cabeça. Afora a região Centro-Oeste, haja blindagem para não quebrar o sigilo da matriz da Delta no Rio de Janeiro e de subsidiárias espalhadas pelos outros estados do Brasil-sil-sil! Serginho Cabral é simpático, boa praça e, principalmente, bom garoto! Vacarezza do PT, ex-líder do governo, que o diga, ao lhe enviar um torpedo: “Não se preocupe. Você é nosso e nós somos teu!”. Ah, não! Tudo nessa hora, menos homossexualismo! Senão desvia o foco da questão.
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 O QUE É MAIS GRAVE? PEDIR DINHEIRO AO CACHOEIRA OU FERNANDINHO CAVENDISH?
  18/05/2012
O que é pior? Pedir dinheiro ao Cachoeira ou ao Fernandinho Cavendish? Stepan Nercessian pegou 160 mil nas mãos de Cachoeira para comprar um apartamento e já quitou o empréstimo. Inconformado com a incompreensão generalizada, defende-se com “pedir dinheiro não é crime”. Por ter se alinhado a campanhas do tope de “Basta de Corrupção”, Stepan Nercessian não deve desconhecer que se empresário financiar campanha eleitoral, tem cobrança logo depois de as urnas falarem grosso, podendo incluir juros extorsivos mais aditivos sem fim em obras contratadas mais disputar licitações com cartas marcadas mais propinas mais rede de prostituição à disposição mais eventual necessidade de apagar quem tiver coragem de abandonar o esquema. Imagine um contraventor molhar as mãos de um deputado federal! Não faz beicinho, Stepan, pois não é segredo que Cachoeira é seu conterrâneo e dá preferência ao pessoal da área.
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 A LEITURA DO DISCURSO DA DILMA BEM EXPLICADINHO PARA OS MILITARES ENTENDEREM
  17/05/2012
Na solenidade que instalou a Comissão da Verdade, Dilma foi de Galileu Galilei (“A verdade é filha do tempo, não da autoridade”) contra a ditadura militar - igualando-a à Inquisição. A força pode esconder a verdade (o aparato das Forças Armadas garantindo a verdade sepultada em inúmeras covas). A tirania pode impedir a verdade de circular livremente (a censura). O medo pode adiar a verdade (o temor de espíritos malignos de torturadores e, principalmente, de mandantes voltarem para nos assustar). Dilma descobriu que a palavra “verdade”, na tradição grega ocidental, é o oposto de “esquecimento” (os horrores da ditadura caírem no vazio com o tempo), cujo sentido extremamente forte, embora não acolha o ódio nem ressentimento, também não perdoa. Os militares não querem ser perdoados pelos anos de chumbo que infligiram à História do Brasil porque isso implica em culpa. Desejam sim atuar como hackers, pouco a pouco apagando de nossa memória os registros de tão triste história, para não passar à História como um foco do Terceiro Reich redivivo. Apostam na desinformação, na ignorância sobre a História e na memória fraca de brasileiros e brasileiras, demonstrando que a intolerância, dentre eles, não morreu. Desprezam a mobilidade social ocorrida, discriminam o ganho no nível de instrução da população e ainda guardam rancor dos parentes de mortos e desaparecidos políticos, por continuarem sofrendo como se eles morressem de novo e sempre a cada dia. Não pode existir uma História sem voz. E quem dá voz são os homens e as mulheres livres que não têm medo de escrevê-la. Mas o tempo acabou por trazer a luz. Esse tempo finalmente chegou.
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 PARAÍSOS ARTIFICIAIS
  16/05/2012
Você já pensou em se sentir à vontade em tudo quanto é canto e, ao mesmo tempo, nada satisfazê-lo? Indo de festa em festa, de bar em bar, de cinema em cinema, de mulher (de homem) em mulher (em homem). Cada alegria colhida o impulsiona a desejar outros paraísos artificiais. Dançando e trocando ideias madrugadas a fio, cada vez menos compreendido no seu descaminho. Cada vez mais enlouquecido com os seres humanos e com a vida. Com o desejo de querer se explicar ir se esgotando. Sujeito ao violento abandono e sendo levado pelos arroubos ao extremo da fadiga. Por ter de se lançar no dia seguinte à mesma rotina e chegar aonde? À inadaptação por não ser compreendido em seus queixumes e ir ferindo sua alma, cansada de tantas lutas por se deparar diante do mesmo problema todo dia, movido por uma impulsividade que só faz acumular erros e afastar quem poderia lhe ajudar, já que não estamos sozinhos. Todos padecemos desse mal, seja em doses cavalares ou de forma sutil.
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 DEPOIS RECLAMAM DO BRASIL POR SER UM PAÍS CORDIAL
  14/05/2012
Obama tinha recomendado por diversas vezes que a guerra ao terrorismo não deve ser usada, sob qualquer circunstância, para atacar uma religião seguida por 1,4 bilhão de pessoas. O que o presidente dos Estados Unidos precisa administrar. Setores do Pentágono sustentam que a melhor opção é uma confrontação ideológica direta com o Islã, ou seja, guerra total contra Alá! Buscar diálogo com seus líderes é ilógico. Melhor destruir as cidades sagradas de Meca e Medina. E dar sequência ao bombardeio que transformou Dresden num inferno em chamas por completo, como castigo exemplar aos alemães, e ao ataque nuclear a Hiroshima na 2ª Guerra Mundial, como punição à altura dos japoneses. Partindo do princípio de que os muçulmanos odeiam tudo o que os liberais americanos defendem e nunca irão coexistir, a menos que os ianques se submetam ao Alcorão. Concepção de quem serviu no Iraque, Bósnia e Kuwait. Na sequência do Vietnã. E depois reclamamos do Brasil por ser um país cordial.
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 AS MINHAS ASAS SÃO AS MINHAS PERNAS
  12/05/2012
Se não podemos voar como Pégaso, as minhas asas são as minhas pernas. Se não tenho os poderes de Netuno, não posso mergulhar nas profundezas do oceano, pois não terei gás para conversar com cavalos-marinhos, polvos caolhos ou lampreias sugadoras. As minhas asas são as minhas pernas e para me defender serei anfíbio, de temperamento distinto e de opinião sempre oposta a que você expuser, ainda mais que não sou um homem que procure elogios fartos. As adulações me deixam tonto, sem ter o que dizer, e inspiram falta de firmeza no terreno em que estou pisando.  Um dia podem me pisar por professar credo político ou religioso contrário às suas convicções. Pai, afasta de mim este cálice porque desta água não beberei! Prefiro a vida dupla do anfíbio para me refugiar no outro ser, onde poderei dar asas à minha imaginação enquanto as pernas descansam. Onde ninguém me conhece, somente Deus, pois as minhas asas são o meu espírito.
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 NÃO SE PODE DESAFIAR DEUS PARA UMA PARTIDA DE XADREZ E NEGOCIAR SEUS TERMOS
  10/05/2012
Para que a gente se mova de certas situações em que nos encontramos na vida rumo a outras que nem enxergamos ou no máximo apenas suspeitamos, a significar avançar algumas posições e evoluir, é preciso que Deus dê uma forcinha quebrando sua resistência, seu marasmo, tendo que tirá-lo até à força desse mau caminho a que se apegou. Em outras palavras, isso quer dizer que sua transposição será com dor e sofrimento, sem os quais permanecerá inerte transparecendo sem saída. Quando então será mais feliz e realizado, embora, de princípio, você não reconheça. Só com o passar do tempo é que irá notar seu maior bem-estar na nova situação. Com mais sabedoria. Porém, se sinalizar que não irá aceitar as condições de um pacto por se firmar ao longo da vida, e quiser dar uma de Deus, pode ser que fique pelo meio do caminho. Sendo despachado sem direito a despedida. É cruel, mas não se brinca com a vida. Não se pode desafiar Deus para uma partida de xadrez e negociar seus termos. Evite ser excluído de sua própria história, que é única. Um desperdício equivalente aos crimes contra a Natureza. Preserve a vida.
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 NINGUÉM É INTOCÁVEL NA CPI DO CACHOEIRA
  10/05/2012
Roberto Gurgel lembrou o procurador-geral da República do governo FHC, Aristides Junqueira, que ficou conhecido por engavetar todas e nem assim causar repúdio numa mídia, à época, leniente com os tucanos. O julgamento do mensalão é líquido e certo, não cabe recuo e não há por que fazer ilação com manobras para desestabilizá-lo e à sua mulher subprocuradora. Sucede que ninguém é intocável, seja o Gurgel, procurador-geral atual, seja a mídia protegendo a companheira Veja, seja o juiz supremo Gilmar Mendes, companheiro do mesmo clube político de Gilmar Mendes (parou de dar declarações à imprensa). Quando cogitaram do impeachment do Lula, não foi pesado se seria desastroso para a democracia brasileira. Quem agora recomenda prudência, é sinal de que quer abafar.
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 MINHA FELICIDADE
A CRÍTICA DA CRÍTICA
  08/05/2012
“Minha felicidade” é um filme da Bielorrússia sobre a barbárie a que o ser humano ainda está sujeito, par e passo com a falência moral da ex-União Soviética, mas que encontra equiparação no Brasil ou no México - bem, a lista de países campeões de violência é longa. O filme é assistido com uma curiosidade ímpar e um silêncio revelador do total espanto do público com cenas chocantes de atos asquerosos de corrupção, roubo e exploração no meio de gente com poucos recursos em intenso frio, degradação, agressões gratuitas, execuções sumárias, o estupro mais original de que se tem notícia. O ser humano entregue à sua própria sorte, solitário num mundo desolador e fértil em paisagens congeladas e ermas, delineado por rostos marcados pela desilusão, falta de perspectivas e o homem lobo do homem. Se Tchecov, ao expressar o clímax da arte russa, concentrou-se no grande vazio da vida e na incomunicabilidade do final do século XIX, o primeiro longa-metragem do diretor bielorrusso Sergei Loznitsa esmagou-nos com o barbarismo na ex-república soviética e stalinista e as barbaridades na Bielorrússia (ou Rússia?) de hoje. Se não chega a ser novidade nenhuma a maldade humana à flor da pele, incomoda o mundo não ter evoluído para dar conta do que já se chamou de pequenos assassinatos. Nem se tornando um zumbi é a solução contra a barbárie. Não há como ser insensível ao banditismo que nos assalta, agride e violenta. Vai existir um dia em que você reagirá e nem sua própria loucura o protegerá de você mesmo. Mesmo não possuindo o perfil de livre atirador. Onde está minha felicidade?
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 A VIDA AMOROSA DO BREGA DO CACHOEIRA
  07/05/2012
Cachoeira também é um destruidor de lares. Roubou a mulher bonita e gostosa do suplente de Demóstenes e ex-Secretário de Infraestrutura do governo Marconi Perillo, que tem 2 filhos com ela, além de largar a sua própria mulher com 3 filhos seus. Muito embora Cachoeira tenha transferido para a ex todo o seu patrimônio (excetuado o ancorado em paraísos fiscais). Mas não foi de graça, pois corre o risco de ver os seus bens bloqueados nos escândalos em que se meteu. Terá que recomeçar uma nova fortuna, o que não será difícil com os caça-níqueis e a sua quadrilha de amigos. Ao lado de sua gata, Andressa Mendonça, com 27 aninhos, que está de olho em subir no pedestal e se transformar na musa da CPI do Cachoeira. Se ela, do primeiro marido, já tinha feito jus a uma franquia de lingeries francesas num shopping em Goiânia, imagine o que não virá com a ascensão social conquistada com o bicheiro - valendo mais que um deputado. Quem irá acreditar que uma mulher atraente, porém brega, é apaixonada por um sujeito como o Cachoeira? Pode sobrar para a alpinista e seu discursinho de patricinha. Por muito menos, a namoradinha do Paulo César Farias, o tesoureiro particular de Collor, foi apagada no leito ao lado de um dos irmãos Metralha. Queima de arquivo.
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 SERGINHO CABRAL, MEU FILHO, O QUE FOI QUE VOCÊ FEZ?
  07/05/2012
Antes de se reeleger com 66% de aprovação, você já estava deslumbrado com o seu bom governo. Julgando pairar acima das nuvens, esqueceu-se da postura que todo homem público tem de guardar. Senão cai na boca do povo e depois, para desmentir, dá um trabalho! Só o FHC tem moral para esconder um filho de outra relação, que pensou ser seu por mais de 15 anos, e contar com o segredo da imprensa cúmplice. Cabral, meu garoto, sei que gosta de uma boa farra, mas para que deixar a população do Rio de Janeiro apreensiva sob a ameaça do retorno de Garotinho? Não é um tiro no seu pé, mas é no nosso! Sem dúvida, é uma prova do seu bom gosto preferir Paris a Miami, mas precisava exagerar? Superou o Aécio em sonhar ter o Rio de Janeiro em suas mãos. Tamanha alegria flagrada pelo paparazzi Garotinho só pode ser boca-livre ou dinheiro sobrando! Você já gosta, né? Hotel Ritz e a gastronomia francesa, ninguém merece! Ficar de porre com vinho Bordeaux é outro nível! Mas que coisa mais brega as mulheres dos homens de Serginho Cabral exibirem a sola vermelha dos sapatos Louboutin! Que falsos valores típicos de cultura de perua! Precisavam os homens usar guardanapos como bandanas para tornar mais ridícula a alegria paga por um empresário detentor da maioria das obras no Rio de Janeiro, muitas sem licitação? Será que você não pensa na enciclopédia do samba que é o Sergio Cabral, seu pai, quando apronta desse jeito? Obrigado a manter-se calado para não comprometê-lo ou se comprometer em sua defesa. Será que você não pensou no programa de pacificação das favelas? Num longo e tortuoso caminho para obter êxito em sua empreitada corajosa com o Serginho Cabral, o governador, a dar mau exemplo para a comunidade.
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 EU NÃO CONSIGO ME ORGANIZAR
  03/05/2012
Tem gente que não consegue se organizar. Nunca sabe onde põe as coisas e vai deixando um rastro de objetos, utensílios e roupas ao largo, quando não entulhando seus domínios, de forma a não encontrar-se com o seu próprio eu. Sob o pretexto de que estão caraminholando, mas, de fato, não resolvendo porra nenhuma. Apenas retardando decisões que julgam não ser satisfatórias tomar. Ou porque já perderam o sentido. Caminham lentamente como paquidermes a caminho da extinção. Dão voltas e não conseguem sair do lugar. Objetividade? Rumo? Clareza? Assumem um papo furado de comadre por não ter mais o que conversar. O resultado é que emburrecem, afundando-se no retardo mental que vai ganhando corpo. O não saber se organizar tem a ver com a desorganização mental que vai se instalando - e não com ser arrumadinho. Jogam fora sua existência justamente no trecho em que mais deviam zelar por sua lucidez. Que o corpo se degenere, isso é inevitável. Mas a cabeça, a mente, o espírito, a alma, o nome que quiser dar, há que correr atrás, batalhar, se empenhar para mantê-la íntegra. Dia após dia, especialmente na descendente. Se de todo não for possível, a luta não terá sido inglória.
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 TENDÊNCIA INATA AO MAL
  01/05/2012
O que se espera das Forças Armadas brasileiras que comandaram a ditadura de 1964 a 1986, desonrando suas tradições como agente do terrorismo de Estado numa tentativa infrutífera para acabar com a raça do esquerdismo? Confessar à Comissão da Verdade como o fez o general Videla, de 86 anos, sabendo que não tem mais futuro, às vésperas do Juízo Final, perante os encomendados voos da morte quando prisioneiros eram levados meio sedados para aviões e de lá despejados sobre o Atlântico ou o rio da Prata. A figura do desaparecido era cômoda, não provocava o impacto de um fuzilamento público para evitar que a sociedade percebesse e os juízes pronunciassem sentenças de morte e fossem perseguidos - o acobertamento e a dissimulação. Foram quase 9 mil cidadãos que morreram para vencer a guerra contra a subversão e disciplinar uma sociedade anárquica, saindo de uma visão populista e demagógica para uma economia de mercado e liberal - igualzinho ao golpe de 64 quando o Brasil se antecipou ao Chile, Argentina e Uruguai, tornando-se anos depois o mentor da Operação Condor. Alguns dos contemporâneos de farda criticam Videla por ter aberto o bico. Outros já suspiram aliviados. Restando, como mórbido saldo, o sequestro e roubo de uns 500 bebês de presas políticas que, na sua maioria, estão desaparecidas. Inspirado na ditadura espanhola de quase 40 anos do general Franco como forma de repressão às republicanas presas e para justificar uma teoria de regeneração da raça espanhola desenvolvida por psiquiatras militares: mulheres que faziam da política sua atividade mater tinham uma tendência inata ao mal. Dando margem ao crime organizado do qual participaram religiosos, hospitais, profissionais da saúde e cartórios, e que se expandiu para pôr as garras em filhos de mães solteiras, muito jovens, grávidas de gêmeos e com grande ninhada, a título de melhor redistribuição. Não se pode esquivar de certos males por existirem fatos que os precipitaram, atendendo a propósitos que no futuro terão de ser passados a limpo. Ultrapassado o holocausto, há que reabrir a ferida para examinar se o câncer se transformou em metástase e o paciente não tem cura. Se negar ou fugir da busca pela verdade, o silêncio falará mais alto. Como se fosse a própria confissão.
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Antonio Carlos Gaio

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