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segunda-feira, 1 de setembro de 2014


O DECLÍNIO DO SEXO
  Desconstruindo o homem
 Antonio Carlos Gaio                       segunda-feira, 9 de junho de 2008

Considerado gênio por alguns e insano por outros, Wilhelm Reich foi um dos profetas da Revolução Sexual, com a tese de que revolução comunista, sem revolução sexual, não atinge seus objetivos de transformar o ser humano. A caixa de Pandora da sexualidade teria que abrir para as relações afetivas, comunicantes, incidentais, interpessoais e entre amigos. Ou seja, ocupamos 95% de nosso tempo com a mente a fazer amor ou sexo com a nossa fantasia; os escândalos sexuais, que atingem uma gama considerável dos que têm imaginação e vão fundo nas inconseqüências, provam por si só.
A saúde mental depende da potência orgástica, isto é, do ponto até o qual o indivíduo pode se entregar e experimentar o clímax de excitação no ato sexual. Reich reivindicou a função do orgasmo não como uma mera realização da cópula, mas como a fusão com o outro, para quebrar a estrutura que encouraçava o caráter e que refletia a cultura patriarcal milenar, fundada no dogma do casamento e da monogamia obrigatória e vitalícia. A vivência plena do amor e da sexualidade era vista por ele como regulador biológico da harmonia vital que nos retiraria da estagnação.
Reich não parou no tempo e no espaço, mas podemos nos servir de sua comilança e observar como se processou a digestão da energia vital.
Embora hoje o sexo seja de fácil acesso, teoricamente abrindo caminhos para o desenvolvimento pleno do orgasmo e conseqüente liberação do corpo, paradoxalmente, não conseguimos tranqüilizar nossa ansiedade e satisfazer nosso ego muito louco. Daí a opção por uma vida sexual sem compromisso e que proporcione um prazer ocasional. Como o cinema, a bebida ou a dança, numa tentativa de evitar se engajar num compromisso que uma vida sexual, cheia de fantasia e desejo, pode evocar. Ou seja, a existência é feita de uma sucessão de momentos sem nenhuma projeção para o futuro.
O que acaba por distanciar essa malta de duas caras da realidade. Não porque a realidade seja assustadora ou sem graça, mas em virtude de implicar sempre num limite, necessitando do dia seguinte para complementar alguma coisa que faltou no dia anterior. Pois se não faltou, irá faltar, pois o amor será gozado até a exaustão. Será usado até não mais crescer a grama. Quando a vivência espiritual do seu ser requer uma identidade, um objetivo claro na vida, a determinar para onde você quer ir e o que irá fazer com aquele brinquedo que definiu seu sexo. O que é confundido com limitação. Frustrando seu ego, que não suporta que digam para ele qual é o seu papel.
Você quer usar seu sexo quando bem entender, dispor dele da forma que mais gostar, e a tônica seria encaixar-se nas necessidades do amado amante. E se perder na libertinagem e em noites devassas que abrilhantam a desabalada carreira rumo ao prazer de não pensar em mais nada e depois estrebuchar feito um animal, gemer que nem um débil mental e gritar como um náufrago.
Tornando-o esquizofrênico porque finaliza por não saber o que deseja.
A conseqüência é a tragédia de voltar-se para dentro de si mesmo e se masturbar à vontade e através da internet, com imagens. Deixando Freud triste, tirando a batina de deus, pois pensou ter descoberto a pólvora, numa época em que não se ousava realizar os desejos mais recônditos da alma humana.

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