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Com 13 anos no poder e um novo mandato de 6 anos por disputar em eleição marcada para outubro próximo, o câncer se alastra em Chávez na mesma razão em que ele procura esconder que seu estado piorou na medida que o seu ego não parou de inchar. O câncer não é um inimigo inventado pelos imperialistas americanos e não escolhe ideologia para atacar. Desse mal Serra não padece, pois é um hipocondríaco xiita e, portanto, transparente nas ziquiziras. Por outro lado, sofre do mal, próprio dos tucanos, de hesitar e recuar, de vacilar e não se afirmar, quando não se decide pela candidatura a prefeito de São Paulo. Se aceita, reconhece que o pleito a presidente do Brasil só na próxima encarnação, além de obrigar-se a endossar Aécio Neves no seu lugar, de quem só falou mal como um político fraco, sem garra, sem disposição para a briga, que faz a política da conciliação, e impotente para barrar a reeleição de Dilma, o que não dirá do retorno de Lula. Se não aceitar encerrar sua carreira como prefeito e mostrar-se intransigente, pode se tornar o coveiro do projeto do PSDB de se manter 50 anos no poder de São Paulo (estado e capital), em virtude de a disputa ficar mais equilibrada entre políticos de menos pedigree. Mas o alto percentual de rejeição a Serra como prefeito - de novo? - pesa na sua indecisão crônica e doentia. Nem Lula discute que câncer é uma doença séria, mas fazer o partido e correligionários esperarem é sintoma de que Serra é ruim da cabeça e doente do pé, ao não acertar o passo. Serra não decide pois significa ele mesmo anunciar o seu fim, seja como prefeito ou de ver-se rejeitado pelo seu próprio partido para não sofrer uma quarta derrota consecutiva (terceira do Serra) perante o PT de Lula e Dilma. Para os políticos, isso é pior que o câncer.
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Elizete é a mulher sempre insatisfeita com tédio da sua vida de casado. O marido veio na conta para tardiamente lhe dar um filho como pais avós que eram. Faltou maior atração para sustentar a relação, o que constantemente a fazia se recriminar por não saber redirecionar sua vida. Talvez sendo mais interesseira. Só pulando a cerca. Quando o marido viajou, imediatamente se dirigiu a uma festa. Sem óculos para ficar mais bonita. O suficiente para não reconhecer o primo do marido e dar em cima dele, insinuando-se e mostrando-se gata até não mais poder. Elizete somente reparou quando chamada a atenção pelo gajo. O vexame foi maior na medida em que a família do marido é grande e a falseta se espalhar, obrigando-a a decidir se deseja acomodar-se num casamento morno ou se tem cacife para atrair um homem másculo e nadar em águas revoltas. É melhor Elizete cair na gandaia no Carnaval para constatar o que não é brincadeira: buscar o amor que tanto deseja em meio à alegria reinante nas ruas, onde aparentemente ninguém quer ser levado a sério ou pensar em compromisso.
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A quem os juízes do Supremo, Gilmar Mendes, Cezar Peluso, Celso de Mello e Antonio Dias Toffoli, beneficiariam, quando votaram em favor de abrir a porteira para as candidaturas de políticos de ficha suja? Aos políticos corruptos. Preocupados em garantir os direitos individuais do corrupto enquanto não for julgado corrupto. Se a presunção de inocência se aplica apenas a processos penais, não à legislação eleitoral. Quando a exigência de um passado sem mácula se sobrepõe ao direito de um político desonesto de se candidatar a um cargo eletivo, segundo o ministro Lewandowski - esse é o cerne da questão. Se a não-condenação penal é pré-requisito em concursos de juízes e promotores, igual razão se aplica aos candidatos. Se injustiça houver no tocante aos barrados no baile da democracia, será um quase nada dentre milhares de postulantes. Em virtude de a presença de políticos desonestos na vida pública brasileira remontar à formação do país. A ditadura militar de 1964 nunca cogitou de cassar os parlamentares fichas-sujas que se venderam ao regime de perseguição e torturas em troca do seu apoio, dizer amém e prestar continência aos seus superiores. A sociedade brasileira gestou indignada a Lei da Ficha Limpa em repulsa à banalização de práticas que estavam implicando em desmoralização do povo brasileiro com tanta bandalheira. Se ao juiz Gilmar Mendes a tal da opinião pública não o atinge nem tampouco a imagem de país corrupto veiculada no exterior, que vá encontrar aceitação de suas teses excludentes no convívio com o juiz Toffoli, ungido pelas mãos de Lula, e que vem decepcionando, dia após dia, ao surpreender votando alinhado com o braço conservador do Supremo Tribunal. O que será que Toffoli quer provar?
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Por que você me deixa tão solto? Por que você não cola mais em mim? Tô me sentindo tão sozinho! Não sou nem quero ser o seu dono! Às vezes, no silêncio da noite, eu fico imaginando, sonhando acordado, nós dois juntos nesse Carnaval. Eu tenho meus desejos secretos, que só conto pra você e mais ninguém. Por que então você me esquece, e some? E se eu me interessar por alguém? E se ela de repente vier a me ganhar? Você, na certa, irá dizer que eu amo só da boca pra fora, que eu te engano ou que eu ainda não me encontro maduro. Onde está você agora? Agora que o Carnaval chegou, vou esconder minha dor.
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O Carnaval no Rio de Janeiro depois que Vítor Soares Cunha defendeu um morador de rua de cinco nazistoides e foi massacrado. Recebendo em troca oito placas de titânio e 63 parafusos no rosto, além de enxerto ósseo e três membranas protetoras no crânio. O Carnaval no Rio de Janeiro depois que três prédios vieram abaixo em questão de segundos, bem pertinho do desfile do Bola Preta. O Carnaval do Rio de Janeiro que PM`s e bombeiros tentaram melar copiando o exemplo horroroso de seus colegas baianos, perdendo o respeito da população por terem se equiparado aos marginais que supostamente alguns fingem que perseguem ou de fato extorquem. O Carnaval do Rio de Janeiro, que assumiu uma proporção de deus grego com sua própria mitologia, paira acima de tudo. Não adianta fazer uso do santo nome em vão da religiosidade e do respeito irrestrito às tradições familiares para tirar a alegria do pobre. O que sofre ou não consegue ser feliz o ano inteiro e faz jus a quatro dias de folia (pelo menos). Careta ou doidão, de livre atirador ou amarrado, traindo ou sendo traído, e experimentando o que antes nunca tivera coragem.
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 A grande maioria aposta na derrota. Avaliam o mundo pelo seu próprio descrédito. Basta ler os jornais e estar conectado com o noticiário para se tornar cético. Apregoam que, com um mínimo de racionalismo, é o suficiente para crer que as coisas não vão chegar a um bom termo. Os homens jamais se entenderão entre si. Esses cientistas ditos especializados em vida desconstroem os avanços alcançados e jogam suas fichas na nossa extinção. Positivamente, não ouça os pessimistas! Fazem troça dos que têm fé. No que depender deles, o fim do mundo é em 2012. Porém, não temos alternativa. Nascemos destinados a acreditar em nossas próprias forças e a não afundar o barco antes do tempo. Isso irrita os pessimistas, que não resistem aos que têm convicção e saem de fininho, calados, quando suas teses desmoronam como um prédio antigo malconservado. Se pensar em desistir de seus objetivos, acautele-se, pois corresponde a ficar andando em círculos e a fatalmente ser engolfado pelo rodamoinho da descrença. Combata o amargor como se fosse uma doença que vai matá-lo por dentro. Não brinque com a vida. Brinque o Carnaval, por exemplo.
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Quando você dorme profundamente e não se lembra de ter sonhado, é porque seus sonhos foram realizados. A satisfação alcançou seu auge. Seus desejos, atendidos. De tal forma que nem acredita e duvida que isto esteja acontecendo. Embora não desconheça que antecipamos nosso fim quando abrimos mão de nossos sonhos - a mente se encolhe. Há sempre que provar, pois todos duvidam. E só em meio aos conflitos e às dificuldades crescentes é que o espírito humano vai ganhando consistência, quando presta atenção aos sinais no deixar seu coração despido de julgamentos. O maior pecado do ser humano é ignorar seu potencial e o que herdou de Deus para criar. Todos estamos aqui de passagem. Um dia iremos voltar para casa, mas antes temos de aprender, crescer, amar, evoluir e nunca permitir que a felicidade gire em função de algo que não dependa de nós.
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 Por mais que sejam justas suas reivindicações, quem é que pode ser a favor de um movimento grevista de bombeiros e PM`s que incendeia um ônibus escolar na Bahia? E promove extermínio de moradores de rua a soldo de comerciantes vítimas de pequenos furtos? Aumenta absurdamente a taxa de homicídios no estado, instaura a baderna no Poder Legislativo, decreta o fim do Carnaval baiano e articula estender o movimento a todo o Brasil? Ridiculariza as Forças Armadas ao confraternizar com o general Gonçalves Dias, no comando da operação para forçar a retirada dos grevistas, oferecendo um bolo em seu aniversário? Com o grampeamento de telefones a revelar mais sordidez e a ratificar quando a população generaliza igualando polícia a bandido. Não foi muito inteligente desencadear uma greve para melar o Carnaval. Lembrou os presos políticos que pretendiam torcer contra o Brasil na Copa de 1970 para não verem o Médici, com suas mãos sujas de sangue, comemorar a conquista em nome da ditadura.
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É um caso insólito no mundo democrático o juiz que mandou prender Pinochet ser julgado por prevaricação, simultaneamente em três casos - com um não tendo nada a ver com o outro. Baltasar Garzón foi afastado do sistema judiciário espanhol por 11 anos em apenas um dos processos, o que envolve políticos do partido conservador (PP), que acabou de ganhar as eleições. Esse povo encerrou sua carreira de magistrado aos 56 anos. Falta ainda condená-lo por ordenar a investigação de crimes cometidos pelas forças de Franco durante a Guerra Civil Espanhola. Apesar de o tsunami Almodóvar ter modificado a cara e os trejeitos da Espanha, os países que exploraram o fascismo a seu bel-prazer hoje sofrem diante da maldição de um dia o ovo da serpente se abrir numa cloaca, onde inimigos da democracia estarão conspirando. Por isso, ao Garzón restará trocar a toga para exercer um papel político. Fazendo com que supostos apolíticos e despolitizados mujam em uníssono: “Eu não disse que Garzón era um extremista?”.
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Privatização ou concessão, eis a questão. Uma mera questão de semântica? Só se for para assentar tudo numa tábula rasa ao nível de Aécio Neves, que afirmou: “O PT saiu do armário! Bem-vindo ao mundo das privatizações!”. Assunto que sobejamente conhece e domina; com ele, não tem Lei Seca que controle sua língua afiada. Nada como o Carnaval para os tucanos comemorarem essa piada de salão - se é uma ou outra, se é vender-se toda ou vender-se aos pedacinhos. Assunto que Elena Landau sobejamente conhece e domina ao se sagrar vencedora no debate sobre privatizações. Não há por que confundir privatização com concessão se mirarmos na Tchecoslováquia comunista, que vendeu o que podia e o que não podia, num abrir e fechar de olhos, para se beneficiar do capitalismo alemão, vendendo à iniciativa privada empresas que pertenciam ao Estado. Ou então como a máfia russa se apoderou do petróleo e do gás da União Soviética para encher os bolsos com dinheiro stalinista. Conceder a exploração de um serviço público, mantendo-se a propriedade do Estado, como no caso dos aeroportos, não é privatizar. É o caso das estradas mantidas em bom funcionamento em troca da exploração do pedágio pelas concessionárias. Não há por que acusar o PT de estelionato eleitoral por aderir às teses privatistas em face do que demonizou o PSDB, apontando as candidaturas Serra e Alckmin como vendilhões do país, sob o receio de que a Petrobras fosse negociada, e a preço de banana como a Vale o foi. Se o governo FHC privatizou mediante a obrigação em lei de utilizar o vil metal arrebanhado para pagar a dívida externa. E foi o que se viu no choque de gestão de FHC: a dívida cresceu, o dólar desvalorizou, o presidente do Banco Central foi preso, Cacciola fugiu e o gato comeu o nosso dinheiro.
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Mesmo tendo sido por demais estatizada para o gosto das viúvas de Roberto Campos ou dos adeptos do decadente FMI, os tucanos comemoraram a privatização dos aeroportos de Guarulhos (SP), Viracopos (Campinas) e Brasília como uma derrota do PT, desafiando-o a nunca mais usar o santo nome da privatização em vão nas campanhas eleitorais. Seria o fim do confronto ideológico entre Corinthians (identificado com Lula) e São Paulo (representando a elite), com o PT destilando rancor em torno da privatização e o PSDB acuado num canto? Mas que privatização é essa se o governo (Infraero) mantém o controle de 49% dos aeroportos e financia (BNDES) 80% dos investimentos que serão feitos nos aeroportos? Na qual os grupos privados são excessivamente dependentes do Estado, cujo custo do dinheiro financiado é mais barato. Se a oferta vencedora por Guarulhos, que alcançou mais de 16 bilhões de reais, saiu dos fundos de pensão de categorias historicamente ligadas à CUT: petroleiros (Petrobras) e bancários (Banco do Brasil e Caixa Econômica). É uma privatização com sabor de capitalismo de Estado. Extinguiram-se as estatais para, pouco a pouco, a participação estatal voltar a ser decisiva na iniciativa privada. O Estado como indutor do empresário para investir nos setores que o país mais carece. A China serve de exemplo para contrariar a ótica da liberdade econômica que por vezes deriva para o capitalismo selvagem, o tal que pouco se importa com a saúde do povo. Privatizar vai continuar sendo a palavra de ordem dos tucanos enquanto continuarem alinhados com o modelo americano, contrastando sobremaneira com a privatização do PT, que adota o capitalismo de Estado. Não adianta Elena Landau decretar o fim do confronto ideológico entre PT e PSDB em termos de privatização porque as diferenças prosseguem gritantes e não conciliáveis.
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Rússia e China pouco se importam com o sangue derramado na Síria em que o ditador atual reproduz a matança que seu pai comandou em 1982. Desprezam os novos ares da Primavera Árabe que vieram da Tunísia e do Egito para instaurar a democracia nas autocracias islâmicas. Mesmo porque nunca lidaram com a democracia formal, transitando do czarismo e do império, respectivamente, para o comunismo. Ainda não se livraram do condicionamento de raciocinar como se estivessem na Guerra Fria, defendendo o comunismo contra o colonialismo e o imperialismo ianque. Como se os EUA tivessem prestígio no explosivo Oriente Médio, justamente depois da invasão ao Afeganistão e Iraque, de modo a poder arquitetar mudanças ardilosas de olho em impedir a Rússia de vender armas para o regime sírio, pondo em risco a manutenção da única base naval russa no estratégico Mar Mediterrâneo, e fazendo-a perder influência política junto ao novo mundo árabe democrático que desponta e à Síria, seu único aliado na região. Quando a Rússia herdou da União Soviética sua presença no Oriente Médio, mas lá não conseguiu adicionar nenhum novo amigo em seu Facebook. Não admitir a escalada de mortes e o genocídio perpetrados por Bashar al-Assad pode representar mau agouro para Vladimir Putin, se eleito o futuro presidente da Rússia. A bola da vez.
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O que há de único na obra de Modigliani não é sua arte figurativa caracterizada por face e pescoço alongados. Nem ter morrido aos 36 anos deixando 320 telas e 27 esculturas - o que bastou para ser considerado o pintor mais importante da Itália no começo do século XX. Nem ter sofrido de pleurisia, tifo e tuberculose em seu crescimento, que comprometeram sua saúde pelo resto da vida, quando delirava implorando à sua mãe para ver as pinturas no Palazo Pitti e Uffizi, em Florença. Nem de ele se dedicar ao retrato de sua esposa em vários quadros, como na sua obra maior, “Jeune Femme aux yeux bleus” (1917), num brilhante jogo de introversão que faz surgir um rosto feminino enigmático com olhos azuis fixados no grande Amedeo Modigliani. O que há de único e sem paralelo em história de amor foi Jeanne Hébuterne, sua musa inspiradora, ter se suicidado no dia seguinte ao seu falecimento, em 24 de janeiro de 1920. Grávida de oito meses. Atirando-se do 5º andar de um prédio. Deixando órfã a filha Jeanne, nascida em 1918. Parecido, mas não igual, somente Romeu e Julieta.
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 Pesado e melodramático, apesar de o filme ser da extensa e frutífera obra de Clint Eastwood. Mas o que interessa é a vida de J. Edgard Hoover, o criador do FBI, que permaneceu à frente como o homem forte de investigações criminais e políticas nos EUA por mais de 44 anos, até vir a morrer em 1972. Apesar de ser gay e viver uma longa história de amor com o seu vice numa sociedade puritana, de rígidos padrões religiosos e homofóbica, bem ao feitio da época. Praticamente intocável à custa de ter comandado, no início de sua carreira, a deportação de anarquistas que estavam explodindo autoridades e congressistas. Prosseguiu caçando comunistas como se o Estado americano pudesse, um dia, ficar de joelhos perante o perigo bolchevista. Um ditadorzinho que atravessou os mandatos de oito presidentes sem que nenhum deles conseguisse destituí-lo, intimidando com arquivos secretos que mantinha sobre toda e qualquer figura relevante do cenário político. Tal como fazia a KGB, exatamente à mesma época, com os supostos inimigos do comunismo, melhor dizendo, do stalinismo. Hoover teve o desplante de convidar Charles Chaplin, perigoso esquerdista, a exilar-se na Suíça, em razão de seu filme “O Grande Ditador” acabar com a raça do Hitler. À medida que o poderoso chefão e homossexual fechava os olhos para a máfia, crescia o ódio por Martin Luther King e o movimento de direitos civis, por neles ver instrumentos de desestabilização do país e, consequentemente, coisa de comunista. Interferiu com adulteração ou fabricação de documentos na história dos Estados Unidos quando não eliminou o que havia por trás da organização mafiosa que assassinou o presidente Kennedy, provavelmente como um de seus integrantes. Para quem criou um poder paralelo que afrontava a democracia americana explorando o comunismo, não seria nenhuma surpresa na grande nação que se orgulha de sua justiça. J. Edgard Hoover, uma mente diabólica.
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Quem haveria de dizer que o governo Lula acabou por esvaziar o MST? As oportunidades de emprego nas cidades e os programas sociais, como o Bolsa Família, têm apontado outro caminho para aquela parcela dos sem-terra acampados há anos à espera de uma solução do governo por um pedaço de terra no campo. Grande parte dessa base social está sendo desmobilizada, quando antes era o público preferencial da reforma agrária, com uns recebendo Bolsa Família e outros com possibilidades de emprego, que os obrigarão a se desengajar do combate ao principal inimigo: as grandes corporações que mandam e desmandam no mundo inteiro e não só no Brasil. Logo agora que o sistema capitalista entrou em crise provocada por tanta ganância que lhe é peculiar! Um prato cheio para tucanos e demos se fartarem com o esvaziamento da reforma agrária se não fosse o sucesso do governo Lula o responsável com o Bolsa Família de abre-alas. Se o MST deixar de fazer ocupações, abrir-se-á uma sepultura para enterrar o movimento e o coveiro será Lula. Mas não haverá aplausos da claque da oposição.
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Os nomes de blocos que os cariocas inventam para se divertir no Carnaval e afrontar carolas e moralistas hipócritas tornaram-se uma grandeza. “Se me der eu como”, “Já comi pior pagando”, “Perereca sem dono”, “Pinto na perereca”, “Pinto sarado”, “Encosta que ele cresce”, “É pequeno mas vai crescer”, “Toca... pra mim”, “Largo da mulher mas não largo do copo”, “Vai tomar no Grajaú” e o bloco formado por montanhistas: “Só o cume interessa”. O Carnaval prima pela sacanagem que é brincadeira e tira um sarro com a cara dos outros para proporcionar mais alegria no duplo sentido e não levar a sério o que você está acostumado a enfrentar o ano inteiro e se estressar com toda a razão. Por isso, para alguns, é difícil se despir da fantasia de que se investe no transcurso do ano e gostar do Carnaval. Cair na folia. Travestindo-se. Ser por uns dias o que poderia vir a ser se soltasse a franga. Vestindo uma fantasia que, quando o reconhecerem, saberão do que é capaz.
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A rigor, é impossível se salvar de um edifício que implode rapidamente. Nos três prédios de 20, 10 e 4 andares que vieram abaixo no Rio de Janeiro em questão de segundos, um pedreiro se livrou da morte fazendo o que não é recomendado. Refugiar-se no elevador, que despencou do 9º andar. Mas o trajeto foi encurtado pelos escombros acumulados e o elevador manteve-se intacto. O zelador perdeu o chão no 6º andar e foi parar embaixo do entulho e de um bombeiro, que ouvia seu pedido de socorro mas não o localizava, até que a mão do zelador alcançou seu coturno. A mesma sorte não teve uma família de Sapucaia, cidade vítima de uma enchente que expulsou sua população do local. Uma família de cinco componentes fez o que é recomendado: abandonou a casa ameaçada de soterramento em virtude de uma encosta começar a dar sinais de que iria desabar. No entanto, todos resolveram se refugiar no Fusca velho da família, recém-comprado por mil reais e desprovido de bateria, cujo proprietário e dono da casa era um despossuído sem carteira de habilitação. Todos morreram soterrados. O casebre manteve-se quase intacto. A confirmar que tem dia certo para morrer. E para renascer.
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Depois de tanta Guerra Fria, admite-se em Davos o fracasso do atual modelo capitalista, cujo deus era o mercado, o filho a especulação e a ganância o espírito santo inspirador - o bicho deu vazão aos seus instintos quando ficou solto, ato contínuo ao comunismo bater as botas. Pensaram que era o suficiente medidas de austeridade e de disciplina fiscal bem ao gosto do FMI e dos tucanos, quando faltou mais regulação e menos liberdade para explorar os trouxas. Além de maior transparência para impedir que os mesmos que causaram a crise internacional a partir dos EUA estivessem soltos para gozar a riqueza acumulada com o golpe que deram no povo americano. Com tão bons conselheiros, o mercado financeiro criou uma bolha ao tirar proveito do euro imaginando que moeda única significava emprestar dinheiro a qualquer pessoa e com a mesma taxa de risco. Criaram uma unidade monetária sem a Europa estar unida sob um comando central para conter a gastança grega, irlandesa, portuguesa, espanhola e italiana em infraestrutura. É enorme a pressão do surgimento de milhões de novos consumidores nos mercados emergentes e do desenvolvimento tecnológico, que faz com que, em pouco tempo, uma empresa seja rapidamente passada para trás se não se atualizar. Como reinventar o capitalismo se ele não admite o intervencionismo? Se ao mercado pouco importam estabilidade, distribuição de renda e sustentabilidade, em virtude de o dinheiro falar mais alto. O correto é no Brasil do século XXI ter se misturado o Estado com a iniciativa privada, com nível razoável de endividamento e o crescimento sustentado ampliar a inclusão social com aumento de oportunidades diminuindo o grau de miséria.
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 Faz realmente a diferença dar oportunidades de ensino a crianças e jovens como também fazê-los aproveitar as chances de modo a seguir outras profissões com as quais nunca antes sonharam. No século XXI, vai ser preciso um conhecimento científico mínimo em virtude do apelo para todos opinarem sobre questões fundamentais a respeito da sobrevivência de nossa espécie. E como o aquecimento global, a produção mundial de alimentos, as energias renováveis a atingirão. Faz-se necessário formar pessoas que entendam de ciência. Além da formação básica, a educação científica por meio de exercícios lógicos e lúdicos buscando uma relação de causa e efeito para tentar demonstrar a lógica das regras gramaticais, por exemplo, e fazer com que a língua fique mais viva para as crianças. O projeto do brasileiro Miguel Nicolelis vai atuar numa área nova do conhecimento: a neuroeducação, que estudará o desenvolvimento humano desde o período intrauterino até o fim da adolescência. Segundo ele, o pedagogo ensina o cérebro e o neurocientista entende como o cérebro aprende, mas um não conversa com o outro. Se não soubermos como o cérebro memoriza e armazena informações, muita coisa boa será desperdiçada. Nicolelis criou em Natal um centro de educação científica que atende 1.400 alunos de escolas públicas e cerca de 12 mil gestantes por ano. Logo no Rio Grande do Norte, uma região das mais carentes e com baixo índice de desenvolvimento humano, sem tradição de produção científica de ponta e com problemas sociais graves. Foi de propósito. O impacto seria mais gigantesco.
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Na campanha eleitoral de 2010, Dilma foi rotulada de inexperiente, arrogante e despreparada. Sua popularidade no primeiro ano de mandato alcançou 59%, chegando a superar Lula no início de seu segundo mandato. Após um ano de governo com demissões em série de ministros por acusações de corrupção, o crédito não foi para as revistas especializadas em denunciar corrupção nem para a oposição, a reboque. Foi para Dilma, quando se pensava que sua popularidade ficaria abalada com tanto ministro caindo - ela teria agido com muita precisão. Quando o que pesa na balança é a continuidade do governo Lula. As condições do povo trabalhador continuarem melhorando. O substancial aumento do salário mínimo em 2012 impulsionar o consumo familiar e compor o crescimento da economia. A ponto de atrair mão de obra do estrangeiro para aqui trabalhar. Bestificando os antilulistas.
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 Reconhecido por instituições internacionais de prestígio, o Brasil é o país que mais vem reduzindo desigualdades ao dar curso a uma política agressiva de redistribuição de renda que não tem paralelo em tempos republicanos e muito menos monarquistas. 28 milhões de pessoas foram retiradas da pobreza e 40 milhões ingressaram na classe média. Pretende-se adicionar este ano 320 mil novas famílias ao contingente de 13,3 milhões já atendidas pelo Bolsa Família. 8 Estados e o Distrito Federal fizeram parcerias com o governo para complementar o Bolsa Família. A meta é tirar 16 milhões de brasileiros da extrema pobreza até 2014, ainda mais que suplantamos a economia do Reino Unido, logo atrás da França e da Alemanha. No entanto, o Brasil é o segundo país mais desigual dentre 20 nações em desenvolvimento selecionadas por enfatizar a agricultura, a refletir um passado onde a elite governante pouco ou nada se preocupou em combater a miséria. Estamos no caminho certo: país rico é país sem miséria.
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Deus só dá rapadura a quem não tem dentes. Ou seja, só dá coisa boa para quem não irá usufruir ou não merecer. De princípio. Para reverter tamanho estigma, terá de provar que é capaz de superar esse carma. Pois que, quando alguém é agraciado, a tendência é diminuir e menosprezar os seus feitos, senão declarando que foi injustiça até prova em contrário. Inclusive rogando praga, afiançando que Deus não dá asas a cobra. Nossa ética está fundamentada no mérito e na competência do indivíduo. Mas Deus não reza pelos princípios da nossa cartilha. O apóstolo Paulo já dizia em outras palavras para ninguém se glorificar de antemão por julgar que sua conduta ilibada garantirá o Paraíso. Deixando implícita a compreensão infinita de Deus, que também ama e abençoa as pessoas que à primeira vista não merecem. Lançando dúvidas em quem ama e serve a Deus incondicionalmente. Como é difícil alcançar a profundidade do ideário de Jesus Cristo e tudo o que implica nas escolhas de Seu Pai, só Deus sabe por que dá rapadura a quem não tem dente. Se dependesse de nosso julgamento, aos desdentados caberia o repúdio integral.
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 Vocês já pensaram num domingo como hoje, seja verão aí no Brasil ou inverno de 5 graus aqui em Madri, seu chefe ficar enviando mensagem pelo celular, e-mail ou qualquer outro meio eletrônico, para dar novas ordens em função de conclusões a que chegou assistindo “Gato de botas” com os seus insuportáveis pentelhos? Pondo sua cabeça a funcionar em prol da empresa que lhe paga mas que não remunera seus serviços prestados fora do expediente. Por vezes, é solicitado um favorzinho à toa, o suficiente para interromper um climão que está pintando com sua esposa, que já assustava por vir escasseando. Primeiro vem o trabalho, a competição, a cobiça, a armação ilimitada e, por último, o amor. Se bobear, organiza até uma reunião por teleconferência. Quando é notório para efeitos jurídicos que não existe distinção entre uma ordem dada pessoalmente pelo chefete ou à distância. Os meios informatizados de comando, controle e supervisão equiparam-se aos meios diretos de ordenar o trabalho alheio. O serviço prestado em casa corresponde ao executado pelo empregado no estabelecimento, aí incluído a digitação de textos e minidiagnósticos da situação. O que veio a matar a profissão de datilógrafa, diminuir os custos da livre empresa e pesar na balança do burro de carga. Só porque é eletrônico, bonitinho e eficiente, não quer dizer que seu trabalho seja de alto nível e, por si só, não fazer jus à hora extra. O computador veio para facilitar e racionalizar nossas atividades, contudo abriu um leque de novas opções que tornaram o mundo mais complexo. Ai de quem não se integrar e se adaptar.
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O importante na onda do denuncismo é que não se transformasse apenas numa corrente pra frente exclusivamente contra o petismo e Dilma, conforme transpareceu dos movimentos anticorrupção que não se propagaram pelo Brasil como se pensava. A onda agora atingiu em cheio o Poder Judiciário, graças ao Conselho Nacional de Justiça que está investigando altas somas de dinheiro circulando nas mãos de algumas de suas excelências, muitas delas que se recusam a prestar informações sobre seus rendimentos, o que por si só já incrimina por configurar sonegação. Mas a maior denúncia surgida foi a contida no livro de Amaury Ribeiro Jr. sobre as privatarias tucanas, fazendo as orelhas de Serra arderem nas labaredas do inferno. O tucano, mesmo derrotado duas vezes pelo PT, continuava blindado pela mídia, que não pode mais ignorar o livro mais vendido na categoria de não ficção. Assim sendo, no terreno da livre expressão ou na caça às bruxas, está tudo rigorosamente empatado. Fez-se a justiça na liberdade de opinião.
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A quinta foi comprada da baronesa, que lhe deu o nome, por Carvalho Monteiro, capitalista carioca de ascendência portuguesa e de grande cultura e espírito científico, que resolveu desenvolver na bela residência de veraneio da serra de Sintra, em conjunto com o arquiteto italiano Luigi Manini, a partir de 1898 até 1912, um conjunto de obras em meio a jardins imbuídos de magia e mistério com surpreendentes e enigmáticos monumentos, como representações emblemáticas de uma visão filosófica ou moral do mundo. Vão surgindo vários cenários como se você estivesse numa viagem de peregrinação em demanda do Ser que desponta das grandes epopeias, quando vislumbra o Olimpo e a mitologia, Virgílio, Dante, Camões, a missão templária da Ordem de Cristo, místicos e visionários, enfim, a magna obra da Alquimia. A Quinta da Regaleira é a Mansão Filosofal Lusa.
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Em 1635, Rubens pintou o genial “Amor de Centauros”, à mostra na Fundação Gulbenkian, que só comprova que gastamos 95% do nosso tempo pensando em sexo. Nem a Igreja hoje pode desmentir isso. Muito antes de Freud vir e pôr seu jamegão em incestos e masturbações. Já imaginaram centauros na maior pegação, botando as mãos nos peitos e apalpando as imensas bundas de cavalos? Isso é do tempo em que ainda não se distinguia animal do homem. O faraó posava para fotos ao lado de um leão ou pantera negra, segura por correntes pelos escravos. Rubens provou que centauro excita! E isso não se trata de zoofilia. É apenas ter uma mente aberta para o sexo. Religião à parte. Rubens sacou que o sexo no reino dos cavalos é o mais vibrante e o mais animal no sentido do prazer. Imagine se nascêssemos centauros! Ia ser uma delícia.
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 Por um crescente medo de não saber o que nos reserva o futuro quando desencarnarmos, vamos enrijecendo o nosso estado de espírito e esclerosando física e mentalmente quase sem nos aperceber, processo esse a que nós chamamos de velhice. Vem combinado ou originado em depressões e neuroses, desconhecendo o que se precipita primeiro, se o ovo ou a galinha. Nossos maiores carrascos são o infarto, acidentes cerebrais (AVCs) e câncer. A causa-mãe são as emoções de Roberto Carlos: de tantas mal ou bem vividas, não esquecemos os detalhes de uma história em que não deixei de amar e o importante são as emoções que eu vivi. Afora a genética, que nos persegue desde as origens quando encarnamos, e o que comemos e bebemos. As doenças da alma que introduzem o mal no corpo advêm do excesso na raiva, da agudeza da inveja e da frivolidade na vaidade. Agravadas hoje pela necessidade de se estar na mídia e de entrar na vida dos outros através das redes sociais, o que provoca uma comparação entre inteligências ou pobrezas de espírito, quando não culmina no confronto entre o poder aquisitivo das pessoas. E constatarmos o consumismo desenfreado a que se entregam. E que, por não satisfazer inteiramente, gera infelicidade por incompletude. Ou bem se gera o prazer e a felicidade com um estilo de vida que prolonga e muito a existência, ou estamos destinados à depressão e à ruína, aí já incorporado o medo de morrer. De que adianta sermos mais longevos, se não encontramos mais prazer na vida? Só quem se preocupa em tornar os outros felizes alcança sua própria felicidade!
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A Polícia Militar do Rio de Janeiro resolveu expor sua podridão para evitar os frequentes desvios de conduta de sua corporação, combatidos com um número crescente de PMs expulsos que atestam a dura realidade do anúncio: um policial fardado, algemado com as mãos às costas, detrás das grades, e diante de sua família. Jogando na cara do cidadão uniformizado se ele deseja ser um herói ou a vergonha de sua família. Partindo do princípio de que a dignidade provém do berço; não se aprende na escola. Nada contra a campanha direcionada para expurgar assassinos e ladrõezinhos, companhia ilimitada. Mas é que o caráter tornou-se muito volátil num mundo globalizado em que todos exigem subir seu padrão de vida em tempo recorde e conquistar maior status e conforto, de modo a serem reconhecidos como pessoas de prestígio na sociedade. Dessa forma, não há dinheiro que chegue para dar vazão ao instinto assassino de consumir pra caramba. A começar pelos nossos congressistas em Brasília e pelos bandidos de toga, com filhotes espalhados por todo o Brasil. O espírito mercenário cada vez mais se entranha em homens e mulheres, desgraçando com suas vidas quando a farsa é descoberta. O PM é apenas um elo dessa cadeia.
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Décadas depois de Winston Churchill adquirir uma reserva de vinho do Porto para deleite de sua entourage, eu bebi um vinho do Porto de 155 anos em Vila Nova de Gaia, defronte ao Porto. Um dos últimos sobreviventes de sua época que alcançou a perfeição, antes das vinícolas europeias, como um todo, serem devastadas pela praga do inseto Phylloxera. Impedindo de se produzir de novo um vinho do Porto de grande estatura e originário de sua própria raiz, que nunca antes sofrera enxerto ou qualquer ação natural preventiva contra praga. Com um gosto incomparável de madeira de carvalho, amêndoa, um leve brandy, que em nada definem nem sequer reproduzem qualquer degustação que satisfaça a imaginação, sempre mais rica e ágil que o nosso paladar, que só alcança uma explosão de misturas inigualáveis e insuperáveis.
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Na antiguidade, sempre houve o costume de as prisões serem próximas, quando não embaixo dos palácios dos reis. Não havia tantos crimes ou ladrões que justificassem os presídios de segurança máxima distantes da chamada civilização. Daí não ser absurdo a Biblioteca de Coimbra, com compêndios que formam o saber lusitano desde 1534, cercada pela Universidade que lhe dá o nome, ter nela cabido cárceres em seus literalmente underground culturais a marcar em ferro e brasa o absolutismo sempre presente na alma portuguesa, com certeza. Embora os liberais tanto peleassem para que o pensamento livre não fosse para as masmorras, confundir o criminoso comum com os excessos na liberdade de expressão era a prática corriqueira. No gênero do educandário para corrigir os alunos indisciplinados com cárcere privado na própria universidade.
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 Pais que envergonham filhos adolescentes. Pai que não parece com nenhum pai de seus colegas. O pai que destoa dos outros. O que causa embaraços. Pai que, à mesa da refeição, inspira ao filho jamais seguir seus passos. Pai que não corresponde às expectativas e que, se for para entendê-lo no futuro, não irá dar para esperar. Pai que, por ser excessivamente discreto e voltado para si, não tem nada por ensinar. Pai que fala pelos cotovelos e apenas quer aparecer para só dizer besteira. Pai que age como um troglodita e induz o filho a buscar refúgio no meio de gente fina, por vezes esperta, sem o menor escrúpulo de arrancar o couro de inocentes úteis, cujo exemplo de mau-caráter foi-lhes propiciado por um pai que ensinou: para se dar bem na vida, não há que ficar cheio de dedos e receoso de meter os pés pelas mãos. Há que dar as caras. E transferir o problema para quem resolveu permanecer encolhido. Massacrado pela falta de sensibilidade ou pela crueldade dos costumes ainda vigentes. Tudo nascendo de pais que envergonham os filhos.
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Do francês rupestre, o termo designa gravação, traçado e pintura sobre superfície rochosa, qualquer que seja a técnica empregada. Considerada a expressão artística mais antiga da humanidade, a arte rupestre foi usualmente realizada em grutas. Enquanto a arte dos grafiteiros é urbanoide, ao ar livre, por cima de muros e paredes na falta de galerias, trocando os pincéis por spray. Apesar de autêntica manifestação artística contemporânea, que pode ser comparada à arte rupestre, nem por isso deixa de ser perseguida. As figuras rupestres são expressões plásticas que fornecem pistas valiosas para o estudo da Pré-História, como as das cavernas de Chauvet, na França (região de Ardèche), de La Viña, em Astúrias, na Espanha, e de Carpenter's Gap e Kimberley, na Austrália, os exemplos mais remotos entre 30 mil e 40 mil anos. A falta de registros sobre a maior parte de agrupamentos de homens pré-históricos faz com que cientistas e pesquisadores deem tratos à bola para decifrar o que contém no virtual da arte rupestre, face às dificuldades de penetrar nos mistérios do universo fetichista segundo os padrões da época. Fala-se em arte que sinaliza uma forma de dizer "estivemos aqui". O mesmo se pode dizer da arte dos grafiteiros. Por vezes, a arte é tão arte que pouco se pode explicar através da linguagem falada, que se transforma em escrita. É melhor transmitir a impressão por pensamento, arte que ainda não desenvolvemos. A primeira impressão que fica é impossível de ser reproduzida. O impacto é de tal tamanho que explicar só vai reduzir a beleza do achado ou aumentar a aversão quanto à expressão da arte.
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O objetivo fundamental do ser humano não é ter sucesso na vida, mas conseguir se livrar do fantasma do conformismo. De aceitar as duras penas da vida e se resignar, sucumbindo ao pecado da inércia. Estamos sempre em busca do mais fácil e mais seguro de fazer as coisas. Para que inventar e correr o risco de não dar certo? E sucumbir à derrota? O ser humano morre não quando seu coração deixa de pulsar, mas quando, de alguma forma, deixa de se sentir importante. Quando passa a ser secundário na vida de todo mundo.
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Vade retro, Satanás! Que tudo de ruim volte para o inferno de onde saiu! Faça como o Supremo Tribunal Federal: apague todos os registros que lhe convier. Comissão da Verdade para apurar seus desmandos? Só na outra encarnação, quando nem saberá por que faz jus a tanto sofrimento. No ano que termina, Dilma está bem mais cotada que Lula e FHC no seu primeiro ano, apesar do eleitor tucano tê-la julgado despreparada para o ofício. Dilma encarou seu primeiro ano como Ano Novo demitindo ministros em penca, seja do baixo clero ou do PT que se corrompe com consultorias. É um Ano Velho para a Europa não se esquecer. O euro demonstrou que a Europa é rica de capitalismo selvagem e pobre para renovar suas ideias quanto ao futuro. A Primavera Árabe, apesar de surpreendentemente derrubar ditadores que matavam seu próprio povo, ratificou a necessidade de os muçulmanos decidirem seu destino político abraçados à religião. O que não lhes dá a independência suficiente para romper com os grilhões de um passado autoritário e tribal, sujeitos ao caciquismo e à pajelança. Contudo, é melhor isso que nada, a julgar pela Síria. Não tem jeito: sempre acabamos por nos restringir à opção menos pior pois o melhor soa distante como o oásis no deserto. Daí todo ano se encerrar com as feições de velho, malfeito e hipócrita, a ensejar distância do que nos provocou tanto malefício.
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Se me sinto cada vez mais seguro. Com muito menos angústia, se comparado aos meus anos dez, vinte, trinta e quarenta. Hoje, sei mais o que quero. Sei pra onde vou. Se acredito que a vida continua em espírito, por que não me sentir mais jovem? Por apenas ser um paradoxo já que, a cada ano que passa, inexoravelmente envelheço? Pois se o desejo continua vivaz, desperto, esperto, bem encaixado! Distante da acomodação em que tantos se refugiam e começam a sepultar sua alma, por medo de se renovar. Se o desejo rejuvenesce, aos jovens apenas reafirma sua vitalidade, que é notória e evidente. Nem sempre o rejuvenescimento é visível, principalmente naqueles dos quais mais nada se espera. É preciso provar. Caso contrário, ninguém acredita. A cobra tem que cuspir fogo e o dragão soltar fumaça das ventas. O difícil é tirar de onde todos julgam que daquele mato não sai coelho. Pois o amargor estampado só verte fel, quanto tem que reverter em mel. Mel que lambuze a boca, adoce o paladar e se dê por satisfeita.
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“Não compreendi as relações entre os personagens e não entendi por que o homem cometeu suicídio no final da história: nada fez sentido para mim.” Confessar que não consegue entrar no universo ou na magia de um livro ou tentar ler um autor por anos e ainda não entendê-lo é de uma sinceridade acachapante. Ninguém quer passar por burro. Admitir que um texto lhe impõe problemas de compreensão e sequer sabe se refere-se à linguagem, ao estilo, ao conceito ou mesmo se emocionalmente o tema bloqueou sua linha de raciocínio, é uma confissão corajosa e poderosa. Há certas coisas que representam problemas insolúveis, mas que ficam dentro de você de maneira mais profunda do que textos mais transparentes, os quais você entende muito bem. Contudo, ao fechar o livro, pode ser que lhe ocorra sentir um incrível... “ Não, não posso realmente explicar o que li. Não tenho as palavras certas para me estender sobre isso. Mas algo aconteceu como se alguém tivesse me tangido para outro pasto. Despertou-me. E não foi porque finalmente eu entendi e sim porque eu não entendi”. Entenderam?
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 A ministra corregedora do Conselho Nacional de Justiça, Eliana Calmon, foi acusada de quebrar o sigilo de dados bancários de 231 mil integrantes do Poder Judiciário, dentre juízes e serventuários, sem ordem judicial. No papel de promotores, os juízes querem colocar Eliana Calmon no banco do réu, quando os litigantes em questão são todos magistrados. O fato de os togados não terem patrão para demiti-los, a bem do serviço público, quando roubam, dá margem a classificá-los numa classe tão superior e irremovível que necessitam de três entidades para representá-los em demandas judiciais. Não estão nem um pouco preocupados em retroceder aos tempos da caixa-preta da corporação e, muito menos, com a credibilidade do Poder Judiciário perante a opinião pública - somente com o jurisdicismo, onde eles se agigantam e são absolutos. Eliana Calmon apenas cumpriu com suas obrigações no CNJ, previstas na Constituição, quanto a coibir a ganância de certos juízes que chegam a vender sentença ou libertar políticos corruptos. A obrigação de extirpar a corrupção do Judiciário! Senão, cadê moral para julgar o malandro, o bicheiro, o Daniel Dantas, o delegado, o comandante de batalhão da PM, o José Dirceu, o mensalão e as privatarias tucanas? Movimentações financeiras acima de R$ 250 mil já é motivo para desconfiômetro. 3.438 cidadãos de bem caíram na malha, mas apenas uma mixaria de 233 de 22 tribunais serão investigados. O que não quer dizer que tenham culpa no cartório. Apenas faltaram, por exemplo, com a obrigação de apresentar declaração de imposto de renda para a corregedora examinar se o acréscimo ao patrimônio condiz com os seus rendimentos. Uma sonegaçãozinha básica, que não faz mal a ninguém. A maior gritaria em oposição à quixotesca bandeira de Eliana Calmon provém do meio judiciário de São Paulo, o estado que mais reclama de corrupção em governos petistas e da carga tributária elevada.
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O livro “A Privataria Tucana” denuncia que, na sequência das privatizações, o Banco Opportunity de Daniel Dantas - um dos maiores beneficiados - transfere enormes somas de dinheiro para paraísos fiscais em nome de empresas da filha de Serra. Posteriormente, esse dinheiro reingressa no Brasil e serve, entre outras coisas, para justificar a compra da casa em que Serra vive. O livro de autoria de Amaury Ribeiro Jr. que foi rotulado de ficção, cem mentiras em 345 páginas, é mais um dossiê contra o Serra, um libelo contra figuras ligadas a Serra, abrindo e fechando empresas em paraísos fiscais com o objetivo de lavar dinheiro proveniente das privatizações e internalizá-lo legalmente no País, maculando o governo FHC. Duvida-se até que ter conta em paraíso fiscal seja dinheiro ilícito, de caixa 2, que não paga imposto, senão roubado ou desviado de nós, o povo. Quem não quer levar a sério aquilo que Amaury Ribeiro escreveu, leva a sério tudo o que se diz sobre os ministros do governo do PT. Dois pesos, duas medidas. Contudo, Serra não dará uma de avestruz e adotar o silêncio da mídia. “A Privataria Tucana” irá se transformar numa sombra que o perseguirá e antecipará os estertores de sua carreira política. Admite que tudo começou na guerra interna no PSDB pela candidatura a presidente nas eleições de 2010. Contra Aécio Neves. O tal do maldito fogo amigo que também consome o PT.
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 O país mais fechado do mundo, onde não há internet livre e a TV recebe apenas o sinal estatal, muito embora os apagões sejam uma constante. Ocupa o último lugar no ranking de liberdade de imprensa. Superou a Albânia, que rompeu com a União Soviética. Na 3ª sucessão, a partir de 1948, transformaram o comunismo em dinastia, fazendo uma leitura pobre do marxismo, semelhante à do Camboja dos anos 1980. Formaram um exército de 1 milhão de soldados, somente atrás de China, EUA e Índia, para se tornar inimigo do mundo e ameaçá-lo com bombas atômicas. Explica-se o mau humor e o rancor. A Coreia do Norte está passando fome e depende do auxílio internacional para alimentar 25% da população. Com o seu pragmatismo, a China a ajuda a sobreviver com comida, combustível e implantando uma infraestrutura de estradas e de ferrovias para que um dia não venham hordas de refugiados se abrigarem no paraíso chinês, escapando ao grande campo de concentração em que se converteu a Coreia do Norte. Sem contar que se previne quanto à brincadeira com armas atômicas ir longe demais e respingar em Beijing ou Xangai. O regime norte-coreano funciona mais como uma seita pagã em que o povo é obrigado a venerar seu líder e se entregar ao martírio, quando sua morte é anunciada apenas dois dias depois, com crianças se ajoelhando e chorando no esplendor da histeria. No apogeu da lavagem cerebral. O que não impediu o ditador Kim Jong-il de encontrar seu fim dentro de um trem, vítima de um ataque cardíaco, ele que temia tanto viajar de avião e, no estrangeiro, só conheceu Rússia e China.
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Ardoroso defensor do Partido Democrata e de ideias consideradas socialistas pela direita americana, George Clooney faz um mea-culpa em “Tudo pelo Poder”, filme que dirige e contracena, confessando que o seu partido também pode incorrer nas mesmas falcatruas que o seu maior inimigo, o Partido Republicano, adota sem um pingo de escrúpulo e sem sentir a menor culpa. A única diferença é que os democratas professam elevar o nível do jogo político enquanto os republicanos não se acanham em chantagear ou declarar guerra a quem quer que seja em defesa dos interesses dos ricos e dos poderosos. Menos mau, senão seria uma sujeirada só. Contudo, o final do filme é em tudo e por tudo igualzinho ao PT, que afirmava que iria dar um fim à corrupção e acabou engolido pela máquina do poder, forte o suficiente para corromper quaisquer valores dos arautos da honestidade. Quando, para ingressar no círculo do poder, o cidadão é livre para vender sua própria alma, trocar de lado, negociar consultoria, varrer a sujeira para debaixo do tapete e fazer coligações abjetas com os sarneys de lá, para conquistar a candidatura, e os daqui, para aprovar projetos do governo no Congresso. Fica a dúvida se é reconfortante tomar conhecimento de que lá, como aqui, a mentira campeia, a despeito do puritanismo anglo-saxão e do ângulo que observar. Cada um defende o seu lado, seja para atender a seus interesses ou o que mais lhe convier e ser tachado de cínico. Seja por idealismo ou convicções em plataformas e ser tachado de ingênuo. Os cínicos garantem que a tendência é os supostos ingênuos virarem o fio à medida que o jogo sujo do poder não permite que fiquem em cima do muro. Mesmo porque não existe a menor chance de justiceiros sobreviverem no jogo político. Há um esquema a ser obedecido.
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