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CAPÍTULO LI – O MAL QUE FAZ A VINGANÇA

É possível acumular, numa só alma, racionalidade, lógica, ponderação, conhecimento, compreensão, lucidez, discernimento, juízo crítico? Como trajetória única e febril para adquirir maior consciência e não deixar se levar pela fantasia? Limpando a mente para sua clarividência se espargir com a condição de ser disciplinado, sistemático e metódico justamente para aumentar sua fluidez, onde deixariam de existir janela, porta e parede, e poder viajar no pensamento. De modo a conjugar a associação livre em todos os tempos verbais, escrevendo aos rompantes e borbotões como que psicografado. A demandar a recuperação de um tempo perdido, seguramente desde o frescor juvenil, sustado pela necessidade precoce de ser adulto, agora retomado para melhor evoluir, sem elucubrar muito ou buscar perfeccionismo, conforme for sendo soprado em seus ouvidos, jamais hesitando mergulhar no desconhecido de modo a permitir vislumbrar o que aparentemente está invisível. Sem se distrair ao visualizar imagens, evitando fechar janelas no horizonte, incansavelmente curioso, a ver beleza em tudo ao avançar pelo simples prazer da busca, demonstrando fome por novidades ao conservar a capacidade de se maravilhar, como só e acontece com as crianças. A sensibilidade aflorada ajuda a obter percepções mais sutis e abrir o canal para o que a alma tem a revelar.
A quinquagésima primeira intervenção espiritual, em 5 de janeiro de 2018, se iniciou com cânticos no intuito de abrir caminho para os espíritos curadores, prosseguindo com a leitura e comentários sobre os itens 7 e 8 (“Se alguém vos bater na face direita, apresentai-lhe também a outra”) e 9 (A vingança) do capítulo 12 (“Amai os vossos inimigos”) do livro de Allan Kardec, “O Evangelho segundo o Espiritismo”.
Cristo veio para colocar no lugar da lei de Moisés (olho por olho, dente por dente) o pagar o mal com o bem. Não resistir ao mal que quiserem vos fazer e oferecer a outra face. Não significa deixar o caminho livre para os torpes com suas agressões, se até o próprio instinto de conservação, lei da Natureza, é revelador de que não desistimos sem luta. Jesus não quis proibir a autodefesa e sim condenar a vingança; se ao orgulhoso transparece covardia, há mais coragem em suportar insulto, infâmia e vilania do que se vingar. Melhor ser atingido em seu orgulho próprio do que ferir outrem, suportar pacientemente uma injustiça do que cometê-la, melhor ser enganado do que ludibriar os outros, ser arruinado do que arruinar seus sócios.
A vingança é um sinal de inferioridade, um sentimento tão nocivo quanto a falsidade e a baixeza, suas companheiras constantes. Quase não se vinga a céu aberto. Adquire-se uma aparência fingida, segue caminhos tortuosos, disfarça as más intenções, espreita na sombra o inimigo, vigia-o sem cessar, prepara-lhe a armadilha e, sem que ele desconfie e sem se correr nenhum risco, executa a vingança de rostos amigos se transformarem em rostos frios e mãos, que já procuraram as suas, agora se recusarem a apertá-las.
Elevai vossos olhares! Quanto mais longe fordes pelo pensamento acima da vida material, menos vos magoarão as coisas da Terra.

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