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INÉRCIA

São tantos artifícios que engendramos para burlar a vida que deixamos de prestar reverência ao sagrado. Quando deveríamos propiciar a preservação, no mais puro íntimo de um território inviolável, a salvo de sequazes bisbilhoteiros. Para tentar entender, aceitar e perdoar os ensandecidos que tumultuam o mundo.
É preciso ter a humildade de pedir ajuda para realizar essa escalada. Suba alguns degraus para romper com tudo que se encontrava imerso em grande mistério, dê asas à sua imaginação nesse imenso espaço livre, não tenha medo, não irá cair, desde que não olhe para baixo, senão vira estátua. Liberte-se de seu corpo e eleve sua alma, seu espírito, em direção ao Infinito, onde lá estará o Deus que escolheu, qualquer que seja, de braços abertos para acolhê-lo.
Entrar em contato com o que tem de mais elevado em nós – a espiritualidade – é fazê-lo parar na desatinada corrida pela sobrevivência e, aproveitando a disponibilidade do dia livre, levá-lo a refletir sobre seus atos e os próximos passos a serem dados.
É combater a inércia dos que pensam que não têm mais idade para buscar novos ideais, que já fizeram de tudo na vida, nada mais restando. É torpedear o mergulho de sua incredulidade na acomodação e depressão, fazendo com que se sinta mais vivo. A maioria das Igrejas quer que o fiel se sinta confortável e construa as suas paredes doutrinais de modo a protegê-lo de qualquer um que pense ou olhe diferente.
O busílis da questão está em conseguir fazê-lo de forma prazerosa, sem levar em consideração a culpa e o pecado. Liberto da idéia de que é sempre necessário expiar erros ou falhas; os tormentos passam, facilitando a correção do rumo de sua nau.
Um estímulo para sair da toca e desapertar os parafusos dos limites da consciência. Arregaçando as mangas é que existe alguma possibilidade de final feliz para o ser humano. Afastando-se de quem está aí parado e sai de fininho ao menor toque de reunir e fazer a chamada para convocar a quem não deu o ar de sua graça nesse meio ambiente onde falta respeito e consideração.
Na maior parte das vezes, representamos porque simplesmente nos habituamos a marchar sob o compasso dos ponteiros do relógio. A inércia desaparece instantaneamente quando situações desesperadoras impedem-nos de continuar a fingir. Por que não desenvolver uma convicção na necessidade de mudar e na coragem de estabelecer novos padrões de comportamento para barrar a progressão do condicionamento negativo em seus múltiplos disfarces? Desperdiçamos muito tempo a consolidar maus hábitos sem nos darmos conta do esforço que despenderemos ao descondicionar o pensar, o sentir e o agir, absolutamente essenciais no instante em que você resolve dar um basta a esse estado de coisas que te atormenta.

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Antonio Carlos Gaio
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