﻿{"id":101373,"date":"2016-05-05T18:13:48","date_gmt":"2016-05-05T18:13:48","guid":{"rendered":"http:\/\/www.jornaldugaio.com.br\/?page_id=101373"},"modified":"2016-05-08T00:48:33","modified_gmt":"2016-05-08T00:48:33","slug":"suicidio-um-ato-de-coragem-ou-covardia","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/www.jornaldugaio.com.br\/index.php\/suicidio-um-ato-de-coragem-ou-covardia\/","title":{"rendered":"SUIC\u00cdDIO, UM ATO DE CORAGEM OU COVARDIA?"},"content":{"rendered":"<div class=\"fsc_text\"><p style=\"text-align: right;\">Antonio Carlos Gaio<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.jornaldugaio.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/Capa-Livro-Suicidio.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-101375 \" src=\"http:\/\/www.jornaldugaio.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/Capa-Livro-Suicidio-683x1024.jpg\" alt=\"Capa Livro Suicidio\" width=\"269\" height=\"404\" srcset=\"https:\/\/www.jornaldugaio.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/Capa-Livro-Suicidio-683x1024.jpg 683w, https:\/\/www.jornaldugaio.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/Capa-Livro-Suicidio-200x300.jpg 200w, https:\/\/www.jornaldugaio.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/Capa-Livro-Suicidio-768x1152.jpg 768w, https:\/\/www.jornaldugaio.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/Capa-Livro-Suicidio.jpg 800w\" sizes=\"auto, (max-width: 269px) 100vw, 269px\" \/><\/a>Numa primeira impress\u00e3o, apressada e superficial, o suic\u00eddio seria um ato de coragem: precisa ser muito corajoso para tirar a pr\u00f3pria vida. Conseguir voltar-se contra si pr\u00f3prio. Posto que \u00e9 antinatural cortar seus pr\u00f3prios la\u00e7os que o vinculam \u00e0 nossa exist\u00eancia, interromper a conex\u00e3o com um plano de vida em que n\u00e3o devemos fugir \u00e0s nossas responsabilidades. A despeito da ang\u00fastia do suicida j\u00e1 conferir um estado cavernoso, que o associa \u00e0 morte antes mesmo de se matar de verdade.<br \/>\nContudo, \u00e9 como se fosse nadar contra a correnteza, n\u00e3o o levando a lugar nenhum onde possa se sentir a salvo da agonia pr\u00e9-suicida. Pois a vida continua em esp\u00edrito, o arrependimento ser\u00e1 inevit\u00e1vel, quando l\u00e1 chegar e tomar consci\u00eancia do que fez. Repercutindo como uma excelente oportunidade perdida de construir uma bela trajet\u00f3ria, encorpando os valores espirituais necess\u00e1rios para enfrentar as prova\u00e7\u00f5es a que estamos sujeitos. Uma corrida de obst\u00e1culos na qual n\u00e3o divisamos o ponto de chegada e que n\u00e3o cabe desistir, j\u00e1 que, a cada curva, o sol \u00e9 diferente. Iluminando-nos ou fechando o tempo. Embora ansiemos por uma linha reta ao longo do percurso para evitar surpresas desagrad\u00e1veis para as quais nunca estamos preparados para assimil\u00e1-las &#8211; linha reta essa que, quando se apresenta cont\u00ednua no monitor de sinais vitais em hospitais, significa morte.<br \/>\nO suicida, no entanto, confunde as cinzas mortais com o nada. Nada acontece depois que morremos. Se n\u00e3o \u00e9 nada, ao menos significa o ser em decomposi\u00e7\u00e3o. Esqueleto equivale a ru\u00ednas. Castelos em ru\u00ednas ou deca\u00eddos transformam-se em fantasmas e destroem sonhos. O suicida n\u00e3o sup\u00f5e que o seu ato final configurar-se-\u00e1 in\u00fatil, j\u00e1 que n\u00e3o acredita em outras vidas. Pois as compararia a renovados infort\u00fanios. N\u00e3o acredita em quem quer que seja depois disso tudo que est\u00e1 sofrendo. S\u00f3 poder\u00e1 sobrevir o Nada. Por n\u00e3o haver ningu\u00e9m que justifique para ele por que passar por tamanha prova\u00e7\u00e3o.<br \/>\nPor que ser ele o escolhido para submeter-se a tamanho sacrif\u00edcio que p\u00f4s \u00e0 prova sua for\u00e7a moral, n\u00e3o encontrando sa\u00edda em suas d\u00e9beis convic\u00e7\u00f5es? Mesmo os que professam f\u00e9 religiosa podem ser abatidos pela descren\u00e7a e se suicidarem.<br \/>\nDa\u00ed haver quem considere o suicida como um covarde, por n\u00e3o encarar os desafios da vida, procurando venc\u00ea-los. Simplesmente abandona o campo de batalha e bate em retirada por maltratarem sua sensibilidade sem d\u00f3 nem piedade. Julga-se v\u00edtima de uma incompreens\u00e3o sem fim com suas peculiaridades, n\u00e3o raro anunciando seus prop\u00f3sitos suicidas para atingir em cheio o esp\u00edrito humanit\u00e1rio, no que identifica hipocrisia mal dissimulando crueldade sem par. \u00c9 um derrotista ao extremo por n\u00e3o encontrar outro meio para reunir for\u00e7as e energia e cumprir sua miss\u00e3o aqui na Terra como no C\u00e9u.<br \/>\nA opini\u00e3o p\u00fablica se cond\u00f3i e se abate diante do suic\u00eddio, especialmente os esp\u00edritas, em vista de ele abortar o caminho natural que temos de perseguir para resgatar carmas e passar a limpo vidas passadas. O esp\u00edrito encarna no Plano Material com essa finalidade.<br \/>\nO suicida n\u00e3o quer se tratar e passar por uma assist\u00eancia psicanal\u00edtica ou psiqui\u00e1trica para n\u00e3o imergir na reflex\u00e3o do indiv\u00edduo adulto e colocar de lado certos aspectos que dizem respeito ao est\u00e1gio puro e selvagem que caracteriza a inf\u00e2ncia, mas que continuam remanescentes. Padr\u00e3o esse de comportamento em que linguagem era igual \u00e0 express\u00e3o do desejo e, na medida em que avan\u00e7ava no tempo, entupia sua mente com conceitos e ju\u00edzos que o iam confundindo, frustrando e embara\u00e7ando, a ponto de revelar o mal-estar de se descobrir nesse mundo completamente inadaptado. Alienado da sua experi\u00eancia remota, o suicida procura todo tipo de justificativas para entender o que se passa consigo. Culpa o pai, a m\u00e3e, o barulho que vem do vizinho. Culpa o fundamentalismo isl\u00e2mico e os Estados Unidos. Culpava o comunismo e o capitalismo selvagem. Culpa os pol\u00edticos. Culpa o amor n\u00e3o correspondido. Culpa a indefini\u00e7\u00e3o de seu sexo. Culpa o achincalhe no col\u00e9gio. Culpa a humilha\u00e7\u00e3o e a discrimina\u00e7\u00e3o flagradas no dia a dia. Enfim, culpa a natureza humana. S\u00f3 n\u00e3o deseja olhar para dentro de si e buscar na pr\u00f3pria alma as pegadas de sua trajet\u00f3ria e as motiva\u00e7\u00f5es que s\u00e3o de sua inteira e intransfer\u00edvel responsabilidade na condu\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio destino, seja para se matar ou continuar a viver &#8211; ele e suas circunst\u00e2ncias. O suic\u00eddio em vida.<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Antonio Carlos Gaio Numa primeira impress\u00e3o, apressada e superficial, o suic\u00eddio seria um ato de coragem: precisa ser muito corajoso para tirar a pr\u00f3pria vida. Conseguir voltar-se contra si pr\u00f3prio. 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