﻿{"id":2923,"date":"2008-08-22T00:00:17","date_gmt":"2008-08-22T18:00:58","guid":{"rendered":"http:\/\/www.jornaldugaio.com\/index.php\/alguns-trechos-lirismo-e-truculencia\/"},"modified":"2016-06-15T16:11:20","modified_gmt":"2016-06-15T16:11:20","slug":"alguns-trechos-lirismo-e-truculencia","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/www.jornaldugaio.com.br\/index.php\/alguns-trechos-lirismo-e-truculencia\/","title":{"rendered":"ALGUNS TRECHOS &#8211; LIRISMO E TRUCUL\u00caNCIA"},"content":{"rendered":"<div class=\"fsc_text\"><h4 style=\"text-align: center;\"><\/h4>\n<h2 align=\"center\"><span style=\"font-size: large;\"><span style=\"font-family: Arial;\"><b>Cap\u00edtulo 1: CONVITE \u00c0 VIAGEM EM TORNO DE MIM MESMO<\/b> <\/span><\/span><\/h2>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial;\">Senhoras e senhores, convido todos a embarcarem comigo no inquietante roteiro que mistura as del\u00edcias de Paris por entre os estreitos labirintos do islamismo e a indisfar\u00e7\u00e1vel crueza do comunismo. Acomodem os rabos nos assentos, apertem os cintos e viajem em torno de mim mesmo, acompanhando as cartas enviadas aos amigos, que condensam impress\u00f5es e fatos reais. <\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2 align=\"center\"><span style=\"font-family: Arial; font-size: large;\"><b>Cap\u00edtulo 2: PARIS, CIDADE MARAVILHOSA<\/b><\/span><\/h2>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial;\">Qual \u00e9 a terra em que posso escolher entre vinho, champagne, conhaque, l&#8217;eau de vie (a cacha\u00e7a do franc\u00eas), vinho do Porto, calvados (conhaque de ma\u00e7\u00e3), brandy, jerez, cherry, vodka e mais de 150 cervejas diferentes, de toda parte do mundo?<\/span><\/p>\n<h2 align=\"center\"><span style=\"font-family: Arial; font-size: large;\"><b>Cap\u00edtulo 3: IL FAUT LE RITUEL<\/b><\/span><\/h2>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial;\">Em subst\u00e2ncia, os intelectuais t\u00eam o vezo de cassar a palavra descompromissada de quem n\u00e3o est\u00e1 engajado na verdade absoluta de sua tribo. As asneiras e tolices remetem o intelectual a um estado de tens\u00e3o insuport\u00e1vel, pois os leva a se julgarem merecedores de &#8216;uma vida mais inteligente&#8217;. Dia chegar\u00e1 em que os intelectuais desta estirpe ser\u00e3o destronados.<br \/>\nEm Paris, sinto-me inteiramente \u00e0 vontade para transmitir e receber informa\u00e7\u00f5es, ensinamentos e viv\u00eancias, sem haver necessidade de perder a tranq\u00fcilidade, porque discordo de algum ponto de vista particularmente infeliz, leviano ou at\u00e9 mesmo filho da puta.<br \/>\nQuem vier para a Velha Europa, carente de calor humano ou n\u00e3o sabendo viver sem ele, prepare-se para a imin\u00eancia de pirar, tomar um Valium na veia ou ser recolhido a um sanat\u00f3rio.<br \/>\nMulatas e \u00edndias, vale a pena contrair n\u00fapcias com alem\u00e3es, tendo o objetivo de purificar a ra\u00e7a brasileira, parindo rebentos louros e de olhos azuis, embalados no ber\u00e7o espl\u00eandido da submiss\u00e3o, perante seus senhores?<br \/>\nEu \u00e9 que n\u00e3o vou me deixar soterrar por lam\u00farias, m\u00e1goas e amarguras; nem me anular por insatisfa\u00e7\u00e3o, impot\u00eancia e transfer\u00eancia de culpa por aquilo que n\u00e3o se consegue realizar; nem ser destru\u00eddo por pessimismo e inveja. \u00c9 melhor abrir a jaula e fazer tudo o que acreditava estar bem guardado na gaveta. E, como o futuro ainda n\u00e3o existe, cabe nele qualquer possibilidade, mesmo a mais remota ou exc\u00eantrica.<br \/>\nAjuste a lupa sobre a arena e assista \u00e0 sabedoria da resigna\u00e7\u00e3o abafar a destrutividade da revolta, com golpes suaves e certeiros. Quanto mais se aceita os imprevistos, menos se sente os seus efeitos desastrosos.<br \/>\nTanto que Balzac afirmou: &#8216;Mesmo as mulheres menos ardilosas t\u00eam armadilhas infinitas. Mulheres est\u00fapidas vencem pela pouca desconfian\u00e7a que despertam&#8217;.<br \/>\nSe voc\u00ea vai abrindo m\u00e3o de seus ideais de amor e realiza\u00e7\u00e3o profissional, apelando para qualquer coisa, at\u00e9 mesmo o que lhe inspira bocejos ou lhe faz suar de nervosismo por n\u00e3o mais querer ficar ali um segundo sequer, sepultado naquela cadeira que range ao sabor de seu peso, ou cravado no leito, inerte, ao lado de quem voc\u00ea deveria estar cumulando de beijos e car\u00edcias, \u00e9 porque come\u00e7ou a morrer.<br \/>\nEnt\u00e3o, seguirei fiel ao estilo de me esconder atr\u00e1s dos pontos de interroga\u00e7\u00e3o, por temer o veneno que certas express\u00f5es ou f\u00f3rmulas de pensamento destilam. Nada como a interroga\u00e7\u00e3o, atributo da d\u00favida, montada num ve\u00edculo automotor, a nos querer atropelar, para a gente levantar o rabo e partir em dire\u00e7\u00e3o \u00e0quilo que ainda n\u00e3o foi realizado.<\/span><\/p>\n<h2 align=\"center\"><span style=\"font-family: Arial; font-size: large;\"><b>Cap\u00edtulo 4: A CAMINHO DA EXTIN\u00c7\u00c3O<\/b><\/span><\/h2>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial;\">Os tecnocratas n\u00e3o t\u00eam cheiro, sabor, forma e cor. S\u00f3 querem saber do seu bem-estar, e que se foda o resto. Contudo, fazem boa figura em coquet\u00e9is, principalmente se acompanhados de champanhota.<br \/>\nA mistura entre as ra\u00e7as talvez seja a \u00faltima chance de o ser humano provar a si mesmo que n\u00e3o merece ter destino igual ao dos dinossauros.<br \/>\nL\u00e1 estacionei para tra\u00e7ar um generoso cabrito encharcado de azeite, absorvido pelos incont\u00e1veis nacos de p\u00e3o que, sofregamente, minhas m\u00e3os levavam \u00e0 boca para saciar uma fome ancestral.<br \/>\nEm Portugal, a m\u00e3e espanca e, em seguida, sentindo-se culpada, beija o filho, que se aproveita dessa fraqueza moment\u00e2nea e tenta desmoraliz\u00e1-la, obrigando o pai, que est\u00e1 na ante-sala de espera, a entrar e bater para definir a pendenga, tal como um juiz que martela sua senten\u00e7a. No enganoso exerc\u00edcio de autoridade, os pais passam o dia inteiro por conta da meninada, advertindo-a repetidamente.<br \/>\nGra\u00e7as ao sensor de radar agu\u00e7ado, advindo da profundidade do olhar \u00e1rabe, sem nada ter sido comentado ou perguntado, os homens detectaram em mim o perfil e o porte do sheik que vos fala, \u00e0 altura da ninfeta de 14 anos que queriam me ofertar, em troca de um dote. Pronta para ser remetida ao Brasil, livre de impostos.<br \/>\nAs mulheres, no Brasil, costumam se queixar muito dos privil\u00e9gios que os homens ainda t\u00eam, sendo-lhes f\u00e1cil arrumar uma enfermeira para desentubar e remov\u00ea-lo do CTI do amor, sedando-o de forma a apagar os vest\u00edgios daquela miser\u00e1vel que desgra\u00e7ou sua vida.<br \/>\nSe bem que o homem tamb\u00e9m pode entrar numa de se enquadrar na &#8216;rotina do amor&#8217;, incomodado com o vozerio nos bares, a exigir um sal\u00e3o exclusivo para dan\u00e7ar, deixando escoar pelo ralo sua capacidade de inventar e surpreender. Pelo mesmo v\u00e3o por onde se esgueira a cumplicidade a dois, introduz-se o bocejo que anuncia o t\u00e9dio.<\/span><\/p>\n<h2 align=\"center\"><span style=\"font-family: Arial; font-size: large;\"><b>Cap\u00edtulo 5: FAZ SENTIDO A ESFINGE NO EGITO<\/b><\/span><\/h2>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial;\">Por vezes, as pessoas anseiam tanto por obter alguma coisa que, quando est\u00e3o prontas, elas mesmas se sabotam, acostumadas que est\u00e3o ao sofrimento e desesperan\u00e7a, n\u00e3o se permitindo serem felizes, mesmo por algum instante.<br \/>\nO que lhes vou contar agora s\u00e3o fatos ver\u00eddicos, tendo o mercenarismo como elemento constante em todas as aventuras vividas por mim, no Egito. Na condi\u00e7\u00e3o de intruso, penetrei em territ\u00f3rio misterioso, localizado nas cercanias de Cairo, quase no deserto, e circulei por entre casas de alvenaria, arriscando-me a entrar numa fria e ser &#8216;aliviado&#8217;, ajudando a aumentar a vendagem dos jornais que exploram o sangue.<br \/>\n(&#8230;)imediatamente meu ouvido captou o som aliciante do lamento oriundo dos minaretes, de onde se anuncia aos mu\u00e7ulmanos a hora das ora\u00e7\u00f5es. O canto cont\u00ednuo, quatro a cinco vezes ao dia, leva-nos a mergulhar no espectro de Deus, mesmo que voc\u00ea n\u00e3o acredite. Em Istambul, o lamento adiciona mais um toque de charme a essa p\u00e9rola de cidade, aliado ao apitar constante dos navios que cruzam o estreito de B\u00f3sforo.<\/span><\/p>\n<h2 align=\"center\"><span style=\"font-family: Arial; font-size: large;\"><b>Cap\u00edtulo 6: A INDISFAR\u00c7\u00c1VEL CRUEZA DO COMUNISMO<\/b><\/span><\/h2>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial;\">N\u00e3o concebo turismo com o prop\u00f3sito de metamorfosear-se em ratazana a circular por todas as lojinhas do com\u00e9rcio local, para encontrar souvenirs, equivalentes a trof\u00e9us, que possam ser exibidos na volta. Como se outros j\u00e1 n\u00e3o os tivessem trazido e ignorando o suprimento por parte dos muambeiros, contrabandistas e comiss\u00e1rios de v\u00f4o. Repugna-me a id\u00e9ia de vestir a carapu\u00e7a de Papai Noel para aplacar a inveja dos amigos e aliviar a pr\u00f3pria culpa por ter ido t\u00e3o longe.<br \/>\nConclus\u00e3o da caixa-preta da Iugosl\u00e1via: esbo\u00e7a-se uma situa\u00e7\u00e3o que, no futuro, pode levar a um conflito de classes ou a um perigoso desvio no rumo da pol\u00edtica voltada para atender \u00e0 comunidade como um todo, sem privil\u00e9gios. N\u00e3o hoje, porque o iugoslavo est\u00e1 burocratizado, vivendo para o gasto e sem querer ficar pensando muito para n\u00e3o ter que contestar o regime. Finge n\u00e3o ver a semeadura de confrontos latentes.<br \/>\nEst\u00e1 para existir uma na\u00e7\u00e3o de capitalistas, selvagemente liberal, e de astigm\u00e1ticos aficcionados do regime de concorr\u00eancia perfeita e do livre com\u00e9rcio, que tenha conseguido eliminar o mercado negro. Adam Smith e Keynes, ao propagarem suas teorias sobre consumo e pleno emprego, n\u00e3o lograram ferir mortalmente o contrabando, a especula\u00e7\u00e3o, a economia informal e a mais emergente das enxaquecas: o conglomerado das drogas, a ser batizado, no futuro, de Cia. das Drogas Ocidentais e Orientais.<br \/>\n(&#8230;)eis-me diante do comunismo puro da Tchecoslov\u00e1quia, que n\u00e3o \u00e9 puro; do comunismo da Iugosl\u00e1via, que n\u00e3o \u00e9 comunismo, \u00e9 socialismo puro; do socialismo da Fran\u00e7a ou mesmo da Espanha, que n\u00e3o \u00e9 socialismo, \u00e9 social-democracia (paulatinamente, face aos compromissos que vai assumindo com a classe empresarial e produtora).<\/span><\/p>\n<h2 align=\"center\"><span style=\"font-family: Arial; font-size: large;\"><b>Cap\u00edtulo 7: SINAL DO DEUS IMPREVISTO<\/b><\/span><\/h2>\n<p align=\"center\"><span style=\"font-family: Arial;\">N\u00f3s n\u00e3o somos t\u00e3o inteligentes assim<\/span><\/p>\n<p align=\"center\"><span style=\"color: #2b95ff;\"><a title=\"LIRISMO E TRUCUL\u00caNCIA\" href=\"http:\/\/www.jornaldugaio.com\/index.php\/lirismo-e-truculencia\/\"><span style=\"color: #006699; font-family: Arial;\"><strong>Lirismo e Trucul\u00eancia<\/strong><\/span> <\/a><\/span><\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cap\u00edtulo 1: CONVITE \u00c0 VIAGEM EM TORNO DE MIM MESMO Senhoras e senhores, convido todos a embarcarem comigo no inquietante roteiro que mistura as del\u00edcias de Paris por entre os estreitos labirintos do islamismo e a indisfar\u00e7\u00e1vel crueza do comunismo. 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