﻿{"id":2925,"date":"2008-08-22T00:00:59","date_gmt":"2008-08-22T18:17:10","guid":{"rendered":"http:\/\/www.jornaldugaio.com\/index.php\/alguns-trechos-ilusao-de-otica\/"},"modified":"2016-06-20T13:20:35","modified_gmt":"2016-06-20T13:20:35","slug":"alguns-trechos-ilusao-de-otica","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/www.jornaldugaio.com.br\/index.php\/alguns-trechos-ilusao-de-otica\/","title":{"rendered":"ALGUNS TRECHOS &#8211; ILUS\u00c3O DE \u00d3TICA"},"content":{"rendered":"<div class=\"fsc_text\"><h2 align=\"center\"><span style=\"font-family: Arial;\"><span style=\"font-size: large;\"><br \/>\nLobotomia Consentida <\/span><br \/>\n<\/span><\/h2>\n<p align=\"center\"><span style=\"font-family: Arial;\"><span style=\"font-size: medium;\">E toca de conversar sem que o f\u00f4lego pudesse se intrometer, nem mesmo quando dan\u00e7avam, vidrados um no outro. Ela beijou-o, para saciar a curiosidade de provar a espuma da cerveja misturada ao bigode, ati\u00e7ada pela l\u00edngua, que n\u00e3o parava de se mexer. Ele beijou-a, enamorado. Sob a mira do olhar de Dona Leda que, rodando a baiana, aprovou a substitui\u00e7\u00e3o de genro. <\/span><\/span><\/p>\n<h3 align=\"center\"><span style=\"font-family: Arial;\"><span style=\"font-size: large;\">N\u00e3o tem escapat\u00f3ria<\/span><br \/>\n<\/span><\/h3>\n<p align=\"center\"><span style=\"font-family: Arial;\">Apercebeu-se de que, para se apaixonar e ser acarinhada, n\u00e3o podia mais cair no oco do mundo. Teria de parar e olhar em volta. De p\u00e9. Sobre suas pr\u00f3prias pernas. Sofrendo o \u00f4nus de ver seu \u00edntimo vasculhado. <\/span><\/p>\n<h3 align=\"center\"><span style=\"font-family: Arial;\"><span style=\"font-size: large;\">Namorei tanto que fiquei com a boca inchada <\/span><br \/>\n<\/span><\/h3>\n<p align=\"center\"><span style=\"font-family: Arial;\">Que preocupa\u00e7\u00e3o tola e f\u00fatil em se questionar e rascunhar mentalmente di\u00e1logos que jamais iriam acontecer! Pura ilus\u00e3o, ambicionar o seq\u00fcestro de sua simpatia e &#8211; a gl\u00f3ria! &#8211; de sua vontade, a partir de estrat\u00e9gias extra\u00eddas de receitas contidas em comp\u00eandios. Caiu no vazio, o mais importante \u00e9 aprender a beijar. <\/span><\/p>\n<h3 align=\"center\"><span style=\"font-family: Arial;\"><span style=\"font-size: large;\">A utopia do amor eterno <\/span><br \/>\n<\/span><\/h3>\n<p align=\"center\"><span style=\"font-family: Arial;\">A exaurida chama do matrim\u00f4nio de Romeu e Julieta desprendia golfadas de fuma\u00e7a, de onde mal se podia ver Romeu emaranhado na teia de aranha tecida por Julieta. Porque era assim que ela vislumbrava os dias que estavam por vir. O lirismo e a pureza do romantismo dos tempos de Verona cederam espa\u00e7o \u00e0 insana possessividade e ao agrilhoamento do outro. <\/span><\/p>\n<h3 align=\"center\"><span style=\"font-family: Arial;\"><span style=\"font-size: large;\">O decl\u00ednio da lua-de-mel <\/span><br \/>\n<\/span><\/h3>\n<p align=\"center\"><span style=\"font-family: Arial;\">Esses inocentes que cultuam a lua-de-mel, tal como nos tempos dos espartilhos e do palet\u00f3 e gravata, n\u00e3o se aperceberam de que a lua-de-mel \u00e9 a antec\u00e2mara da conviv\u00eancia estreita e na justa medida para saber se os dois se querem ou est\u00e3o representando para o Pin\u00f3quio julgar. Correndo o risco de transform\u00e1-la numa orgia ou num passeio pela Disneyl\u00e2ndia do consumo, vindo a desfalecer na primeira curva do rio, o casamento, o relacionamento, a experi\u00eancia conjugal, transa, ou qualquer s\u00edmbolo a ser expelido pelos programadores visuais, que reprogramem nossa vis\u00e3o arcaica sobre sentimentos. <\/span><\/p>\n<h3 align=\"center\"><span style=\"font-family: Arial;\"><span style=\"font-size: large;\">Dom Quixote no s\u00e9culo XX <\/span><br \/>\n<\/span><\/h3>\n<p align=\"center\"><span style=\"font-family: Arial;\">C\u00ednicos dizem que a ingenuidade do romance e o conceito de honra dos cavaleiros est\u00e3o deslocados no amanhecer do terceiro mil\u00eanio. N\u00e3o chegam a abalar a cren\u00e7a dos que permanecem fi\u00e9is aos valores do reino sem terras de Dom Quixote. <\/span><\/p>\n<h3 align=\"center\"><span style=\"font-family: Arial;\"><span style=\"font-size: large;\">Bulimia<\/span><br \/>\n<\/span><\/h3>\n<p align=\"center\"><span style=\"font-family: Arial;\">Iara j\u00e1 transparecia sinais vis\u00edveis de procurar transformar o homem em objeto de sedu\u00e7\u00e3o. Evitava o beijo na boca e permitia que o prazer aflorasse atrav\u00e9s dos corpos colados sob as roupas, em um recanto \u00e0s escuras, obrigat\u00f3rio em festas bem organizadas. Ao longo de sua estrada, principiava a fincar as primeiras placas de &#8216;Proibido&#8217; a tudo que diz respeito ao corpo sexuado de seu homem eleito.<\/span><\/p>\n<h3 align=\"center\"><span style=\"font-family: Arial;\"><span style=\"font-size: large;\">Virado pelo avesso <\/span><br \/>\n<\/span><\/h3>\n<p align=\"center\"><span style=\"font-family: Arial;\">N\u00e3o havia pressa nem espa\u00e7o para exclusividade e exclus\u00e3o dentre os lun\u00e1ticos. O livre exerc\u00edcio da homossexualidade n\u00e3o impediu que se reproduzissem em progress\u00e3o geom\u00e9trica. <\/span><\/p>\n<h3 align=\"center\"><span style=\"font-family: Arial;\"><span style=\"font-size: large;\">O degenerado <\/span><br \/>\n<\/span><\/h3>\n<p align=\"center\"><span style=\"font-family: Arial;\">Capit\u00e3o do Ex\u00e9rcito, reformado, perdera a m\u00e3o num exerc\u00edcio de guerra, puxando o pino da granada com a mesma afoiteza que abria a lata de p\u00eassego em calda, a fim de saciar a fome assassina. Suspirava de nostalgia da ditadura militar, lamentando n\u00e3o ter nascido na \u00e9poca, em estreita vigil\u00e2ncia na ca\u00e7a a pol\u00edticos corruptos e ideologias esp\u00farias que maculavam a brasilidade do pa\u00eds. <\/span><\/p>\n<h3 align=\"center\"><span style=\"font-family: Arial;\"><span style=\"font-size: large;\">A brasa <\/span><br \/>\n<\/span><\/h3>\n<p align=\"center\"><span style=\"font-family: Arial;\">Todo e qualquer var\u00e3o ou vil\u00e3o que dela se acercava enaltecia sua intelig\u00eancia e o raro brilhantismo no terreno das decis\u00f5es. Entretanto, passados alguns dias, estranhamente batiam em retirada, sem maiores explica\u00e7\u00f5es. (&#8230;) A auto-sufici\u00eancia, o orgulho e a vaidade de Angelina impediram-na de investigar as raz\u00f5es dessa priva\u00e7\u00e3o de interesse. <\/span><\/p>\n<h3 align=\"center\"><span style=\"font-family: Arial;\"><span style=\"font-size: large;\">Estaca zero <\/span><br \/>\n<\/span><\/h3>\n<p align=\"center\"><span style=\"font-family: Arial;\">ELA &#8211; Escuta, ser\u00e1 que nenhuma das mulheres com quem voc\u00ea andou n\u00e3o te ensinou a combinar melhor camisa com cal\u00e7a? N\u00e3o ir a restaurante chique de bermuda? Sai dessa, abandone seu jeit\u00e3o ripongo, pra l\u00e1 de surrado e fora de moda. ELE &#8211; Primeiro, que essa hist\u00f3ria de mulher trocar vestu\u00e1rio de homem \u00e9 coisa de quem quer reformar a personalidade do outro para que se encaixe na sua. Segundo, ser\u00e1 que voc\u00ea ainda se recorda do combinado para o fim de semana, de nos reconciliarmos, pela en\u00e9sima vez, numa lua-de-mel&#8230; <\/span><\/p>\n<h3 align=\"center\"><span style=\"font-family: Arial;\"><span style=\"font-size: large;\">Ciclone imprevisto <\/span><br \/>\n<\/span><\/h3>\n<p align=\"center\"><span style=\"font-family: Arial;\">N\u00e3o me parece absurdo mostrar como sou, de pronto. Os imprevistos surgem para serem bem aproveitados por quem est\u00e1 ligado em outras dimens\u00f5es do tempo, fora do alcance dos cinco sentidos capitais. <\/span><\/p>\n<h3 align=\"center\"><span style=\"font-family: Arial;\"><span style=\"font-size: large;\">Santo Daime <\/span><br \/>\n<\/span><\/h3>\n<p align=\"center\"><span style=\"font-family: Arial;\">&#8211; Eu n\u00e3o quero mudar para atender aos interesses de outrem, que deseja se apropriar de mim, decidindo o que \u00e9 mais acertado, sob o pretexto de dar dire\u00e7\u00e3o \u00e0 minha vida. &#8211; Olha, se arrancado o v\u00e9u da censura, torna-se dif\u00edcil distinguir quais s\u00e3o os dom\u00ednios do Bem e do Mal. Estas duas virtudes podem se justapor na mesma silhueta. <\/span><\/p>\n<h3 align=\"center\"><span style=\"font-family: Arial;\"><span style=\"font-size: large;\">Am\u00e9m <\/span><br \/>\n<\/span><\/h3>\n<p align=\"center\"><span style=\"font-family: Arial;\">Mirtes n\u00e3o gostava muito de mulher. &#8216;As mulheres possuem um arsenal variado de artimanhas, semeando intrigas e dispostas a enganar e dissimular. Pouco me importa se \u00e9 a via preferencial para conquistar e preservar marido. N\u00e3o quero que pairem desconfian\u00e7as sobre meu car\u00e1ter. Respeito \u00e9 bom e eu gosto.&#8217; <\/span><\/p>\n<h3 align=\"center\"><span style=\"font-family: Arial;\"><span style=\"font-size: large;\">\u00c0 minha inesquec\u00edvel amiga e confidente Cec\u00edlia<\/span><br \/>\n<\/span><\/h3>\n<p align=\"center\"><span style=\"font-family: Arial;\">Os homens querem se apropriar do meu vi\u00e7o e desejo, ao fazerem promessas que buscam minar o flanco mais indefeso do meu feudo rom\u00e2ntico. O tilintar do telefone ou a batida na porta pode ser a senha para o in\u00edcio do saque ao tesouro, dificilmente amealhado ao longo dos anos.<\/span><\/p>\n<h3 align=\"center\"><span style=\"font-family: Arial;\"><span style=\"font-size: large;\">Vazio <\/span><br \/>\n<\/span><\/h3>\n<p align=\"center\"><span style=\"font-family: Arial;\">A mulher burra n\u00e3o tem vergonha de afirmar o que pensa &#8211; a moral oscila de acordo com suas conveni\u00eancias. Revela inapet\u00eancia para aprender mais do que suas m\u00e3es lhe ensinaram. Todavia, libera tanta emo\u00e7\u00e3o e espontaneidade, a ponto de fazer o homem reverter o dogma de que \u00e9 inevit\u00e1vel a exist\u00eancia de amantes oxigenando seu sangue. <\/span><\/p>\n<h3 align=\"center\"><span style=\"font-family: Arial;\"><span style=\"font-size: large;\">Promessa para um pr\u00edncipe encantado <\/span><br \/>\n<\/span><\/h3>\n<p align=\"center\"><span style=\"font-family: Arial;\">Colou o nariz na janela congelada, \u00e0 espreita de um verdadeiro pr\u00edncipe encantado, que a provesse no saboroso imagin\u00e1rio do casamento e a energizasse de iguarias e condimentos nunca antes provados. <\/span><\/p>\n<h3 align=\"center\"><span style=\"font-family: Arial;\"><span style=\"font-size: large;\">A intermin\u00e1vel noite do reveillon<\/span><br \/>\n<\/span><\/h3>\n<p align=\"center\"><span style=\"font-family: Arial;\">Lamentou n\u00e3o haver mais igrejas no bairro a fim de que as badaladas dos sinos a ensurdecessem de tal forma que n\u00e3o ouvisse as batidas aceleradas do cora\u00e7\u00e3o, denunciadoras de um enorme vazio, impotente para barrar a entrada da ang\u00fastia, do temor e do descr\u00e9dito. <\/span><\/p>\n<h3 align=\"center\"><span style=\"font-family: Arial;\"><span style=\"font-size: large;\">Paralisia <\/span><br \/>\n<\/span><\/h3>\n<p align=\"center\"><span style=\"font-family: Arial;\">Dois mach\u00f5es, que se tornaram fracos e acomodados, escondendo-se atr\u00e1s de um simulacro de amor. Tri\u00e2ngulo amoroso em que pontifica o feminino, rebaixando os dois ex-machos, por for\u00e7a de terem entrado em decad\u00eancia. Queda livre, sem se esborracharem no ch\u00e3o, pois notaram estar sustentados por um fio el\u00e1stico, que os despertou tardiamente para a realidade de marionetes. <\/span><\/p>\n<h3 align=\"center\"><span style=\"font-family: Arial;\"><span style=\"font-size: large;\">Cora\u00e7\u00e3o partido <\/span><br \/>\n<\/span><\/h3>\n<p align=\"center\"><span style=\"font-family: Arial;\">A dois passos do portal da felicidade, faltando apenas implantar alguns tufos de grama no jardim e comprar sapatos de cristal adequados ao tapete vermelho que a conduziria at\u00e9 o altar, descobre que ele se encantara por outra princesa. <\/span><\/p>\n<h3 align=\"center\"><span style=\"font-family: Arial;\"><span style=\"font-size: large;\">O hipocondr\u00edaco <\/span><br \/>\n<\/span><\/h3>\n<p align=\"center\"><span style=\"font-family: Arial;\">Apenas quando voc\u00ea se encontra fora do contexto de uma situa\u00e7\u00e3o, a uma dist\u00e2ncia segura, \u00e9 que pode avaliar o desprop\u00f3sito e o desvario que o fasc\u00ednio da conquista desencadeia no rid\u00edculo homem feliz. <\/span><\/p>\n<h3 align=\"center\"><span style=\"font-family: Arial;\"><span style=\"font-size: large;\">Marasmo <\/span><br \/>\n<\/span><\/h3>\n<p align=\"center\"><span style=\"font-family: Arial;\">Jamais imaginara reescrever sua cartilha de como fazer amor e dar aos homens exatamente o que eles tanto buscam. Suas for\u00e7as morais denotavam desaquecimento. O leve aceno da frouxid\u00e3o acendia o \u00e2nimo da melancolia. <\/span><\/p>\n<h3 align=\"center\"><span style=\"font-family: Arial;\"><span style=\"font-size: large;\">Impaci\u00eancia <\/span><br \/>\n<\/span><\/h3>\n<p align=\"center\"><span style=\"font-family: Arial;\">Transpirando por todos os poros, misturando suor com l\u00e1grimas, seguiu-os at\u00e9 a casa do outro, flagrando-a subindo nos seus p\u00e9s e sendo possu\u00edda contra a parede, com o mesmo beijo de fel que havia aplicado nele. <\/span><\/p>\n<h3 align=\"center\"><span style=\"font-family: Arial;\"><span style=\"font-size: large;\">Poderosa e sempre triste<\/span><br \/>\n<\/span><\/h3>\n<p align=\"center\"><span style=\"font-family: Arial;\">Centrei sua imagem em uma felina perigosa, segura de sua realeza e pronta a dilacerar a presa que acabou de ca\u00e7ar, o que me deixou inibido e temeroso quanto \u00e0 entrega, ao sentir minha pot\u00eancia sob a a\u00e7\u00e3o de um torniquete. <\/span><\/p>\n<h3 align=\"center\"><span style=\"font-family: Arial;\"><span style=\"font-size: large;\">Acordo entre as partes <\/span><br \/>\n<\/span><\/h3>\n<p align=\"center\"><span style=\"font-family: Arial;\">O \u00eaxtase provocado pelo \u00eddolo fez os olhares do casal sonhador se cruzarem. N\u00e3o titubearam. Aproximaram-se. Cantaram \u00e0 mesma voz. De boca aberta. O suor, porejando nos rostos e nas camisetas, transparecendo os mamilos do peito de ambos, fez com que se encostassem. Para dar certeza da s\u00fabita atra\u00e7\u00e3o. <\/span><\/p>\n<h3 align=\"center\"><span style=\"font-family: Arial;\"><span style=\"font-size: large;\">Com a m\u00e3o na massa <\/span><br \/>\n<\/span><\/h3>\n<p align=\"center\"><span style=\"font-family: Arial;\">Se voc\u00ea se assusta com as minhas emo\u00e7\u00f5es, n\u00e3o o fa\u00e7a. A \u00fanica expectativa \u00e9 de que aja com naturalidade e espontaneidade, transparecendo quem \u00e9. De minha parte, n\u00e3o haver\u00e1 cobran\u00e7as.(&#8230;) Suas avarias e o meu medo n\u00e3o nos permitem cogitar de construir qualquer rela\u00e7\u00e3o, nem de fazer planos. Cada palavra emitida, vivida e sentida n\u00e3o tem o compromisso de estender sua verdade pelo tempo. <\/span><\/p>\n<h3 align=\"center\"><span style=\"font-family: Arial;\"><span style=\"font-size: large;\">Olho neles! <\/span><br \/>\n<\/span><\/h3>\n<p align=\"center\"><span style=\"font-family: Arial;\">N\u00e3o \u00e9 absurdo flagrar vest\u00edgios de decad\u00eancia e artificialidade na alegria farta de qualquer final de festa. (&#8230;) Ilus\u00e3o \u00e9 a \u00faltima que morre. <\/span><\/p>\n<p align=\"center\"><span style=\"font-family: Arial;\"><span style=\"font-size: large;\">\u00c9 a cara do pai <\/span><br \/>\n<\/span><\/p>\n<p align=\"center\"><span style=\"font-family: Arial;\">Como se, naquele momento, todas essas mulheres tomassem conhecimento de quem ele havia passado na cara e fossem submet\u00ea-lo \u00e0 execra\u00e7\u00e3o p\u00fablica, \u00e0 semelhan\u00e7a do tempo dos judeus do antigo testamento, quando apedrejavam as ad\u00falteras. <\/span><\/p>\n<p align=\"center\"><span style=\"font-family: Arial;\"><span style=\"font-size: large;\">O urinol <\/span><br \/>\n<\/span><\/p>\n<p align=\"center\"><span style=\"font-family: Arial;\">Diogo desconjurou o pior dia de sua vida por n\u00e3o saber onde se esconder dos olhares penetrantes dos passageiros, multifacetados em piedade, constrangimento e horror. <\/span><\/p>\n<p align=\"center\"><span style=\"font-family: Arial;\"><span style=\"font-size: large;\">A televis\u00e3o <\/span><br \/>\n<\/span><\/p>\n<p align=\"center\"><span style=\"font-family: Arial;\">Ao ligar o televisor, tentei manipul\u00e1-lo sem consultar o manual, como que a demonstrar superioridade do ser humano e uma intimidade que me custou caro. <\/span><\/p>\n<p align=\"center\"><span style=\"font-family: Arial;\"><span style=\"font-size: large;\">Nada como uma caveira depois da outra <\/span><br \/>\n<\/span><\/p>\n<p align=\"center\"><span style=\"font-family: Arial;\">A lua de fel encharcava o leito do amor onde ambos continuaram a se digladiar entre urros lancinantes que anunciavam os pr\u00f3ximos orgasmos. <\/span><\/p>\n<p align=\"center\"><span style=\"font-family: Arial;\"><span style=\"font-size: large;\">Vou voltar para as cavernas <\/span><br \/>\n<\/span><\/p>\n<p align=\"center\"><span style=\"font-family: Arial;\">Sob o impacto dos pingos da chuva e o relampejar dos trov\u00f5es a ricochetear sobre o carro na estrada, a fam\u00edlia decidiu desanuviar o desapontamento do retorno inesperado e se p\u00f4s a filosofar animadamente sobre a id\u00e9ia de cada criatura humana portar duas almas no seu \u00e2mago: uma que olha de dentro para fora e outra que olha de fora para dentro. Basta n\u00e3o poder encarnar uma das almas, para deflagrar, progressivamente, a anula\u00e7\u00e3o de metade de sua exist\u00eancia. <\/span><\/p>\n<p align=\"center\"><span style=\"font-family: Arial;\"><span style=\"font-size: large;\">Romeu e Julieta na sobremesa <\/span><br \/>\n<\/span><\/p>\n<p align=\"center\"><span style=\"font-family: Arial;\">Ainda se deixava fascinar por qualquer par de olhos que cruzassem com os seus, obrigando a fre\u00e1-lo e reduzir a velocidade de afli\u00e7\u00e3o da busca. Para que ambos pudessem se tocar na fantasia de liberar alguma sensa\u00e7\u00e3o nunca antes provada.<br \/>\n<\/span><\/p>\n<p align=\"center\"><span style=\"color: #2b95ff;\"><a title=\"ILUS\u00c3O DE \u00d3TICA\" href=\"http:\/\/www.jornaldugaio.com.br\/index.php\/ilusao-de-otica\/\"><span style=\"color: #006699; font-family: Arial; font-size: large;\"><strong>Ilus\u00e3o de \u00d3tica<\/strong><\/span><\/a><span style=\"color: #006699; font-family: Arial; font-size: large;\"><strong>\u00a0\u00a0 <\/strong><\/span><\/span><span style=\"font-family: Arial;\"><strong><span style=\"font-size: large;\"><span style=\"color: #006699;\">\u00a0<\/span><span style=\"color: #006699;\">\u00a0 <\/span><\/span><\/strong><\/span><a title=\"A CR\u00cdTICA \u2013 ILUS\u00c3O DE \u00d3TICA\" href=\"http:\/\/www.jornaldugaio.com.br\/index.php\/a-critica-ilusao-de-otica\/\"><span style=\"color: #006699; font-family: Arial; font-size: large;\"><strong>A cr\u00edtica<\/strong><\/span><\/a><\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Lobotomia Consentida E toca de conversar sem que o f\u00f4lego pudesse se intrometer, nem mesmo quando dan\u00e7avam, vidrados um no outro. 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