﻿{"id":2935,"date":"2008-08-22T00:00:13","date_gmt":"2008-08-22T18:59:58","guid":{"rendered":"http:\/\/www.jornaldugaio.com\/index.php\/iv-espiritualidade-dos-sinos-no-oriente\/"},"modified":"2014-12-24T18:08:55","modified_gmt":"2014-12-24T18:08:55","slug":"iv-espiritualidade-dos-sinos-no-oriente","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/www.jornaldugaio.com.br\/index.php\/iv-espiritualidade-dos-sinos-no-oriente\/","title":{"rendered":"IV-)ESPIRITUALIDADE DOS SINOS NO ORIENTE"},"content":{"rendered":"<div class=\"fsc_text\"><h3 align=\"center\">\u00a0<strong>Palestra<\/strong><strong><span style=\"font-size: x-large;\"><br \/>\n<\/span><\/strong><\/h3>\n<p>Palestra extra\u00edda de seu livro Par\u00e1bola de um Novo Tempo, a ser lan\u00e7ado, no F\u00f3rum das Artes de Ouro Preto, em julho de 2004<br \/>\nVivemos no continente das Am\u00e9ricas, submetidos a uma ordem hegem\u00f4nica capitaneada pela Am\u00e9rica, colonizados que fomos pelos europeus, sejam ingleses, portugueses, espanh\u00f3is, holandeses ou franceses. Com o Ocidente sempre de costas para o Oriente. Ignorando a civiliza\u00e7\u00e3o chinesa, que se formou como na\u00e7\u00e3o a partir de 200 a. C. e nos legou b\u00fassola, carv\u00e3o (como fonte combust\u00edvel), ch\u00e1, seda, porcelana, moinhos, p\u00f3lvora (fogos de artif\u00edcio), papel (Gutenberg s\u00f3 viria a imprimir a primeira B\u00edblia 700 anos depois). Desconhecendo que a mitologia da \u00cdndia \u00e9 uma obra de arte compar\u00e1vel \u00e0 grega e que h\u00e1 mais de 6 mil anos seus deuses nos remetem \u00e0 espiritualidade da reencarna\u00e7\u00e3o, do carma e da medita\u00e7\u00e3o. Conceitos que chegaram ao Ocidente somente no s\u00e9culo XIX, atrav\u00e9s do espiritismo de Allan Kardec, de t\u00e3o grande penetra\u00e7\u00e3o no Brasil de Chico Xavier.<br \/>\nToda vez que os sinos tocam, badala em n\u00f3s uma infinidade de sensa\u00e7\u00f5es e lembran\u00e7as, e de cantar a m\u00fasica de Gilberto Gil \u201cSe eu quiser falar com Deus\u201d: tenho que ficar a s\u00f3s, tenho que calar a voz, tenho que encontrar a paz, tenho que folgar os n\u00f3s. A tend\u00eancia \u00e9 de nos recordarmos dos entes queridos, vivos ou mortos, com o passado n\u00e3o deixando esquecer momentos que ficaram gravados na mem\u00f3ria, restando o desejo de outros que n\u00e3o chegaram a acontecer. Os sinos nos obrigam a entrar em contato com Deus para cobrar o que \u00e9 de direito, se nos achamos injusti\u00e7ados, ou nos penitenciarmos num ato confessional de improviso que escapa do controle f\u00e9rreo de nossa consci\u00eancia. Enfim, nos irmana e harmoniza com a natureza, dilui a confronta\u00e7\u00e3o com o pr\u00f3ximo e sossega os sete pecados capitais.<br \/>\nToda vez que se fala de sinos, somos remetidos \u00e0 espiritualidade, \u00e0 ess\u00eancia de nossa alma se vincular a prop\u00f3sitos outros dif\u00edceis de serem alcan\u00e7ados na presente exist\u00eancia. Seja qual for nossa cren\u00e7a, religi\u00e3o ou perspectiva de vida.<br \/>\n(Com o toque dos sinos embalando as palavras)<br \/>\nMas os sinos j\u00e1 existiam antes das civiliza\u00e7\u00f5es crist\u00e3s. Dentre os chineses, mong\u00f3is e outros povos orientais que n\u00e3o s\u00f3 se utilizavam dos sinos para convocar o povo local para comunica\u00e7\u00f5es e decis\u00f5es do interesse geral, avisar de ataque iminente de inimigos ou coroar sagra\u00e7\u00e3o de imperadores e casamentos. Tamb\u00e9m se observa nos sinos orientais uma sacraliza\u00e7\u00e3o contida nos mantras entoados em cerim\u00f4nias budistas ou indianas que nos p\u00f5em em contato com o sublime e o transcendental. A fim de alcan\u00e7ar uma finalidade considerada m\u00e1gica.<br \/>\nProveniente de uma mitologia em que se venerava o elefante branco, uma das primeiras criaturas a emergir do oceano de leite como um presente dos deuses na cria\u00e7\u00e3o do mundo. Correlacionado \u00e0 fertilidade, conhecimento e prosperidade. A lucidez e intelig\u00eancia do elefante branco sempre foram respeitadas por aqueles que o conheceram. No entanto, nunca foram totalmente compreendidas. Sua mente precisa e aguda foi uma barreira que as pessoas, muitas vezes por suas limita\u00e7\u00f5es, n\u00e3o conseguiram superar &#8211; na mitologia indiana, o racional n\u00e3o entra em choque com o irracional, ambos se complementam.<br \/>\n(Os sinos badalam)<br \/>\nConta a lenda que um elefante branco foi posto a perambular atr\u00e1s de uma cidade fantasma cheia de tesouros &#8211; eufemismo de um s\u00edtio onde voc\u00ea se livra de tormentos que impedem sua evolu\u00e7\u00e3o. Uma dif\u00edcil jornada em terras perigosas atravessando desertos, florestas e abismos. Nenhum trecho do percurso era seguro, de modo a se sentir objeto de persegui\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que o desespero corr\u00f3i a f\u00e9. O sol escaldante e as fortes tempestades de areia fustigavam a coragem do elefante branco e acenavam com a desist\u00eancia dos tesouros em troca da seguran\u00e7a do lar deixado para tr\u00e1s. Mas \u00e9 melhor seguir em frente e n\u00e3o virar est\u00e1tua de pedra.At\u00e9 que o elefante branco parou no sop\u00e9 da montanha de Doi Suthep, em Chiang Mai, norte da Tail\u00e2ndia. L\u00e1 foi constru\u00eddo o templo Wat Phra That, em 1383. Para alcan\u00e7\u00e1-lo, uma escadaria que parece ir ao c\u00e9u ladeada por um corrim\u00e3o em forma de serpente, belo e assustador ao mesmo tempo. A grande atra\u00e7\u00e3o do templo \u00e9 um sino de ouro de 24 quilates, num campan\u00e1rio recheado com sinos de diversas dimens\u00f5es, gongos e instrumentos de percuss\u00e3o afins. Sugerindo que experimentemos o soar do gongo que ir\u00e1 nos transportar aos confins dos tempos.<br \/>\n(Pausa para medita\u00e7\u00e3o)<br \/>\nQuando l\u00e1 estive, a vibra\u00e7\u00e3o do som no alto da montanha me inspirou temor e a necessidade de um escudo que me protegesse de um retorno a um passado imperial. De baqueta na m\u00e3o, hesitei. Ser\u00e1 que um novo ecoar do gongo me faria tremer nas bases e me lan\u00e7ar ao ch\u00e3o, em sinal de rever\u00eancia e submiss\u00e3o a um soberano, cujo mandato divino exige que o venere?<br \/>\nVivemos sob o estigma de n\u00e3o sermos vistos, reconhecidos, n\u00e3o sermos importantes, alguns se consideram um zero \u00e0 esquerda, perderam a esperan\u00e7a. Mas, a qualquer momento, voc\u00ea pode se redescobrir. O Oriente nos ensina a saber esperar. A saber captar os sinais que a vida d\u00e1, a saber ouvir o que as badaladas dos sinos anunciam. A apurar sua intui\u00e7\u00e3o, sem permitir que a racionaliza\u00e7\u00e3o no curso da vida obstrua ou sabote tudo que valeu a pena aprender. Com o Iluminismo, ingressamos na Era da Raz\u00e3o e nos distanciamos do misticismo, os sinos no Oriente nos previnem. Assim como o som aliciante dos muezins dos minaretes de mais de 700 mesquitas em Istambul, conclamando os mu\u00e7ulmanos \u00e0s ora\u00e7\u00f5es cinco vezes ao dia. Assim como os sinos das 365 igrejas cat\u00f3licas em Salvador. Leva-nos a mergulhar em nossa pr\u00f3pria alma e conjug\u00e1-la com o Universo, com a vis\u00e3o que cada um tem, pois livre \u00e9 o seu arb\u00edtrio para formular os princ\u00edpios que tornar\u00e3o sua vida mais digna.<br \/>\nPor quem os sinos dobram? Os sinos celebram o esplendor da vida e tamb\u00e9m a morte, que, embora triste, faz parte do mesmo espet\u00e1culo.<\/p>\n<p><!-- #EndEditable --><\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0Palestra Palestra extra\u00edda de seu livro Par\u00e1bola de um Novo Tempo, a ser lan\u00e7ado, no F\u00f3rum das Artes de Ouro Preto, em julho de 2004 Vivemos no continente das Am\u00e9ricas, submetidos a uma ordem hegem\u00f4nica capitaneada pela Am\u00e9rica, colonizados que fomos pelos europeus, sejam ingleses, portugueses, espanh\u00f3is, holandeses ou franceses. 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