﻿{"id":101451,"date":"2016-05-30T05:21:53","date_gmt":"2016-05-30T08:21:53","guid":{"rendered":"http:\/\/www.jornaldugaio.com.br\/?p=101451"},"modified":"2023-05-12T20:35:06","modified_gmt":"2023-05-12T23:35:06","slug":"o-suicidio-por-falta-de-reconhecimento-da-genialidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornaldugaio.com.br\/index.php\/o-suicidio-por-falta-de-reconhecimento-da-genialidade\/","title":{"rendered":"O SUIC\u00cdDIO POR FALTA DE RECONHECIMENTO DA GENIALIDADE"},"content":{"rendered":"<div class=\"fsc_text\"><p>Vincent van Gogh era um esp\u00edrito atormentado pela grandeza de ideais em nome dos quais sacrificou sua curta exist\u00eancia de 37 anos: a arte e a humanidade, fixado em camponeses e trabalhadores. Uma alma capaz de renunciar a tudo para transbordar seus sentimentos mais profundos. Metade de si desejava dar vaz\u00e3o a seu amor e n\u00e3o encontrava o jeito de faz\u00ea-lo em conflito permanente com sua outra metade por dar vida a uma pintura que mal ecoava entre seus contempor\u00e2neos.<br \/>\nPor 18 anos escreveu com frequ\u00eancia para seu irm\u00e3o Theo, extravasando seu desespero e suas ambi\u00e7\u00f5es, fonte essencial de informa\u00e7\u00f5es sobre sua vida e a obra do artista, e por 10 anos pintou com renovado frisson 860 telas a \u00f3leo. Tinha horror \u00e0 t\u00e9cnica acad\u00eamica e afirmava que queria pintar incorretamente (fora dos padr\u00f5es estabelecidos), para sua falsidade se tornar mais verdadeira do que a verdade literal.<br \/>\nPesavam em sua consci\u00eancia as incertezas de sua trajet\u00f3ria de vida e a prec\u00e1ria situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica aplacada pelos cuidados materiais e morais que seu irm\u00e3o Theo a ele dedicava. Quatro anos mais novo, como marchand, se sacrificava para ajud\u00e1-lo, garantindo-lhe o dinheiro para sobreviver e permitindo a Vincent ser pintor em tempo integral. Uma grande sensibilidade art\u00edstica que os manteve unidos na vida e at\u00e9 a morte.<br \/>\nVan Gogh sempre sustentou que seguiria seu rumo como rebelde porque tinha ideias que radicalmente divergiam dos chamados respeit\u00e1veis senhores que privilegiam sujeitos que pensam como eles. Pintava o que via e sentia, danem-se as regras! Sabia que encarnaria um eterno solit\u00e1rio e que seu trabalho teria a conota\u00e7\u00e3o de uma miss\u00e3o religiosa &#8211; a arte, seu \u00fanico ref\u00fagio. Passaria fome e viveria dificuldades. Um homem que exigia tanto de si mesmo e que chegou a arruinar o seu corpo e sua mente. Obcecado em encontrar uma mulher, caso contr\u00e1rio converter-se-ia em pedra, foi rejeitado por v\u00e1rias delas. Quando finalmente uma solteirona holandesa o aceitou, os pais dela proibiram o casamento, o que a levou a se suicidar ingerindo veneno.<br \/>\nOs dois meses que van Gogh e Gauguin passaram juntos no sul da Fran\u00e7a, pintando, discutindo arte apaixonadamente, bebendo e frequentando bord\u00e9is, terminaram com van Gogh amea\u00e7ando Gauguin com uma navalha, a mesma navalha com que o holand\u00eas viria a cortar o l\u00f3bulo de sua orelha esquerda na noite daquele dia tr\u00e1gico. Iniciar-se-ia em dezembro de 1888 um longo ciclo de crises, des\u00e2nimos, esgotamentos, trabalho \u00e1rduo e momentos de \u00eaxtase. Voluntariamente ingressou num manic\u00f4mio e l\u00e1 permaneceu por um ano. A conviv\u00eancia com doentes mentais libertou van Gogh: perdeu o medo da loucura, da qual ele mesmo acreditava ser portador. Apesar de profundamente perturbado e presa de alucina\u00e7\u00f5es, pintava uma obra-prima atr\u00e1s da outra, legando \u00e0 Humanidade uma produ\u00e7\u00e3o in\u00e9dita na hist\u00f3ria da arte. Inspirado pela Natureza, pintou ciprestes, vicejantes \u00e1rvores frut\u00edferas, flores e campos de trigo carregados de sua cor predileta, o amarelo. Em seus \u00faltimos 70 dias, van Gogh pintou setenta telas. Embora sob tens\u00e3o constante, estava tecnicamente no auge de suas for\u00e7as com pleno controle das zonas de cor forte sem sombras.<br \/>\nNo entanto, van Gogh vivia desesperan\u00e7ado com a falta de perspectivas e com a depend\u00eancia financeira de seu irm\u00e3o. Delirava obstinado com o dia em que veriam seus quadros valendo mais que o pre\u00e7o das cores com que s\u00e3o pintados, e mais do que o pre\u00e7o de sua vida, em geral bastante \u00e1rida. Ao final de junho de 1890, uma carta de Theo quebrou por completo a dimens\u00e3o de seus projetos. Nela, seu irm\u00e3o descrevia as dificuldades que atravessava na sua atividade de marchand e a debilidade f\u00edsica que acometia a ele e a sua esposa. Van Gogh encerrou sua \u00faltima carta para Theo indagando para que tudo isso. Foi para o campo com uma pistola e atirou no seu pr\u00f3prio est\u00f4mago. Sobrevindo \u00e0 sua cabe\u00e7a na agonia, que durou dois dias, quem diria que a vida pode ser t\u00e3o triste. Prefiro morrer de paix\u00e3o a morrer de t\u00e9dio. Um pintor tem que pintar, talvez exista alguma coisa depois disso. Theo correu a ficar do seu lado nessas derradeiras horas, balbuciando \u201cele era t\u00e3o, t\u00e3o meu irm\u00e3o\u201d, vindo a ficar louco e a morrer seis meses depois do suic\u00eddio de van Gogh, em 29 de julho de 1890.<br \/>\nLouco \u00e9 o mundo, que s\u00f3 p\u00f4de entender a genialidade de Vincent van Gogh depois que partiu e alcan\u00e7ou a outra margem do rio.<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Vincent van Gogh era um esp\u00edrito atormentado pela grandeza de ideais em nome dos quais sacrificou sua curta exist\u00eancia de 37 anos: a arte e a humanidade, fixado em camponeses e trabalhadores. Uma alma capaz de renunciar a tudo para transbordar seus sentimentos mais profundos. 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