﻿{"id":101475,"date":"2016-06-13T02:18:55","date_gmt":"2016-06-13T02:18:55","guid":{"rendered":"http:\/\/www.jornaldugaio.com.br\/?p=101475"},"modified":"2016-06-13T02:18:55","modified_gmt":"2016-06-13T02:18:55","slug":"estupro-coletivo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornaldugaio.com.br\/index.php\/estupro-coletivo\/","title":{"rendered":"ESTUPRO COLETIVO"},"content":{"rendered":"<div class=\"fsc_text\"><p>O estupro coletivo n\u00e3o costuma ser algo premeditado, geralmente decorrendo de uma oportunidade fortuita em que a ocasi\u00e3o faz o ladr\u00e3o, t\u00edpica do car\u00e1ter de homens que gostam de se aproveitar para levar vantagem. Dificilmente as v\u00edtimas conseguem escapar ilesas. Ir\u00e3o apresentar sintomas de estresse agudo, como ansiedade, depress\u00e3o, ang\u00fastia e paranoia, com medo de que possa acontecer de novo, somados a um quadro de ins\u00f4nia. Tamb\u00e9m n\u00e3o est\u00e3o livres de acordar no meio da noite, assaltadas por d\u00favidas como lidar com o sexo a partir do estupro e o sentimento de culpa subjacente. Se bem que os estupradores n\u00e3o hesitam em assassin\u00e1-las para n\u00e3o serem denunciados.<br \/>\nO estupro deriva da cultura machista de homens que acham que podem usar o corpo feminino a seu bel-prazer e de consider\u00e1-lo um ato punitivo para as mulheres que n\u00e3o se enquadram no seu par\u00e2metro de normalidade. Como, por exemplo, estuprar l\u00e9sbicas para ensin\u00e1-las a sentirem prazer como mulheres h\u00e9teros. Ou para reafirma\u00e7\u00e3o masculina de jovens inseguros, com dificuldades em se iniciar ou fixar suas bases em raz\u00e3o da personalidade fraca, necessitando se impor no seu meio. O estupro coletivo \u00e9 a banaliza\u00e7\u00e3o total dessa viol\u00eancia num contexto onde ainda prevalece a vontade do senhor feudal sobre as outrora virgens de seu reinado.<br \/>\nO que leva os homens a cometerem esse tipo de crime? Se o machismo mata, mas o feminismo jamais matou algu\u00e9m. Se a culpa nunca \u00e9 da v\u00edtima. Ela \u00e9 estuprada por ser mulher. N\u00e3o faz a menor diferen\u00e7a a estuprada ser usu\u00e1ria de drogas ou m\u00e3e. Os ataques somente diminuir\u00e3o no dia em que os homens respeitarem sua m\u00e3e, suas irm\u00e3s, sua av\u00f3 e a quem mais considera personificadas na mulher.<br \/>\nA refer\u00eancia maior ao estupro coletivo \u00e9 a sociedade patriarcal da \u00cdndia, na qual a viol\u00eancia e a discrimina\u00e7\u00e3o contra as mulheres permanecem profundamente enraizadas, a explicar por que bandos covardemente estupram mo\u00e7as indefesas em \u00f4nibus, que, \u00e0 noite, e segundo sua cultura retr\u00f3grada, j\u00e1 deviam estar em casa a partir das 19 horas, e muito menos lutar quando estupradas, apenas ficar em sil\u00eancio e principalmente n\u00e3o contar nada para ningu\u00e9m. O Brasil n\u00e3o fica atr\u00e1s, seja batendo o recorde de 33 estupradores por violentada, seja utilizando-se de drogas para deix\u00e1-la no torpor e o estupro coletivo se converter em atra\u00e7\u00e3o em festinhas de universidades com estudantes de n\u00edvel superior.<br \/>\nEles se vangloriam na certeza de que h\u00e1 um p\u00fablico fiel e cativo desse tipo de crueldade. Como a impunidade anda abra\u00e7ada com a viol\u00eancia, os fac\u00ednoras se d\u00e3o ao desplante de publicar os estupros nas redes sociais, sendo correspondidos com compartilhamentos aplaudindo cenas horripilantes, em not\u00f3ria demonstra\u00e7\u00e3o de que outros casos semelhantes podem se repetir.<br \/>\nNo p\u00f3s-estupro, a objeto de torturas sexuais se flagra observada pelo seu entorno como se fosse um lixo, a examinar se ela ficou toda estragada ou no baga\u00e7o. V\u00ea-se alvo de interroga\u00e7\u00e3o reportando-se \u00e0 roupa t\u00e3o curta que habitualmente usa ou se foi ela quem quis ir para o abatedouro (local do estupro), deixando impl\u00edcito que orgia n\u00e3o \u00e9 estupro. E ainda o medo de acabar sendo responsabilizada pelo que aconteceu. Toma banho a toda hora por se sentir suja, imunda e nojenta. No chuveiro, em contato com seu pr\u00f3prio corpo, constantemente rememora, chorando, o castigo que lhe foi imposto.<br \/>\nCom dois a tr\u00eas homens segurando-a para que n\u00e3o fugisse, mantendo-a presa pelos bra\u00e7os e para que as pernas permanecessem abertas, embora dopada por algum tipo de son\u00edfero, enquanto outros dois a violentavam, quando n\u00e3o ao mesmo tempo, fazendo uso at\u00e9 mesmo das armas, em meio a um falat\u00f3rio grosseiro e agressivo: \u201cEu sei que voc\u00ea gosta, safada, sua piranha\u201d.<br \/>\nA sensa\u00e7\u00e3o \u00e9 de total desprote\u00e7\u00e3o e sujeita a qualquer holocausto. Se pudesse sair dali, mas como? \u201cAchava que ia morrer, pensei que eles iriam me enforcar.\u201d<br \/>\nA justi\u00e7a humana \u00e9 impotente para conter o estupro coletivo.<br \/>\nN\u00e3o, n\u00e3o d\u00f3i o \u00fatero, apesar de sangrando. E sim a alma, por existirem homens cru\u00e9is e impunes! Nenhuma m\u00e3e espera criar uma filha para que lhe suceda um estupro coletivo.<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O estupro coletivo n\u00e3o costuma ser algo premeditado, geralmente decorrendo de uma oportunidade fortuita em que a ocasi\u00e3o faz o ladr\u00e3o, t\u00edpica do car\u00e1ter de homens que gostam de se aproveitar para levar vantagem. Dificilmente as v\u00edtimas conseguem escapar ilesas. 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