﻿{"id":102111,"date":"2017-03-20T06:21:35","date_gmt":"2017-03-20T09:21:35","guid":{"rendered":"http:\/\/www.jornaldugaio.com.br\/?p=102111"},"modified":"2023-05-12T20:29:47","modified_gmt":"2023-05-12T23:29:47","slug":"o-suicidio-de-maiakovski","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornaldugaio.com.br\/index.php\/o-suicidio-de-maiakovski\/","title":{"rendered":"O SUIC\u00cdDIO DE MAIAKOVSKI"},"content":{"rendered":"<div class=\"fsc_text\"><p>O poeta Vladimir Vladimirovitch Maiakovski matou-se no dia 14 de abril de 1930, aos 37 anos, quando deu um tiro no peito. No poema \u201cA flauta v\u00e9rtebra\u201d, j\u00e1 antecipava: Penso, mais de uma vez: \/ seria melhor talvez \/ p\u00f4r-me o ponto final de um bala\u00e7o. \/ &#8230; Hoje executarei meus versos \/ na flauta de minhas pr\u00f3prias v\u00e9rtebras. Apesar de ser um grande rebelde e guerreiro, quase de nascen\u00e7a, que desafiou o pr\u00f3prio Deus. Sua vida e obra per\u00acma-nece um emblema deste que foi um dos mais impor\u00actan\u00actes acon\u00acte\u00acci\u00acmen\u00actos his\u00act\u00f3\u00acri\u00accos do s\u00e9culo XX: a Revolu\u00e7\u00e3o Russa.<\/p>\n<p>Deixou um bilhete:<br \/>\nA todos<br \/>\nDe minha morte n\u00e3o acusem ningu\u00e9m, por favor, n\u00e3o fa\u00e7am fofocas. O defunto odiava isso.<br \/>\nM\u00e3e, irm\u00e3s e companheiros, me desculpem, este n\u00e3o \u00e9 o melhor m\u00e9todo (n\u00e3o recomendo a ningu\u00e9m), mas n\u00e3o tenho sa\u00edda.<br \/>\nL\u00edlia, ame-me.<br \/>\nAo Camarada Governo: minha fam\u00edlia s\u00e3o L\u00edlia Brik, minha m\u00e3e, minhas irm\u00e3s e Ver\u00f4nica Vitoldovna Polonskaia.<br \/>\nCaso torne a vida delas suport\u00e1vel, obrigado.<br \/>\nOs poemas inacabados entreguem aos Brik, eles saber\u00e3o o que fazer.<br \/>\nComo dizem: \/ caso encerrado, \/ o barco do amor \/ espatifou-se na rotina. \/ Acertei as contas com a vida \/ in\u00fatil a lista \/ de dores, \/ desgra\u00e7as \/ e m\u00e1goas m\u00fatuas. \/ Felicidade para quem fica. \/ Assinado VLADIMIR MAIAKOVSKI \/ 12\/IV &#8211; 30.<br \/>\nEle foi um dos mais magis\u00actrais reno\u00acva\u00acdo\u00acres da poe\u00acsia no s\u00e9culo XX, um destruidor de c\u00e2nones e amea\u00e7a aos gostos estabelecidos. N\u00e3o foi apenas um grande poeta, nem uma mente brilhante. Impressionavam o poder de a\u00e7\u00e3o de sua orat\u00f3ria, suas pol\u00eamicas e po\u00e9tica com as massas, a quem a observa\u00e7\u00e3o atenta e a imagina\u00e7\u00e3o criativa ajudavam a apresentar qualquer conceito abstrato de forma viva e figurada, com leveza e maestria de linguagem, associadas \u00e0 irrever\u00eancia em cascata.<br \/>\nSua base de forma\u00e7\u00e3o foi o lan\u00e7amento do futurismo, que pregava a destrui\u00e7\u00e3o da arte anterior (inclusive a simbolista, impressionista, naturalista), especialmente em seu individualismo e sentimentalismo, uma bofetada no gosto p\u00fablico. Mudar sua est\u00e9tica para limpar e destruir at\u00e9 achar sua natureza primitiva. Cultuando em contrapartida a mudan\u00e7a, a inven\u00e7\u00e3o, a velocidade, a produ\u00e7\u00e3o, a m\u00e1quina, a glorifica\u00e7\u00e3o do patriotismo e da guerra (n\u00e3o era anarquista) &#8211; \u201cBlusa F\u00e1tua\u201d: N\u00e3o sei se \u00e9 porque o c\u00e9u \u00e9 azul-celeste \/ e a terra, amante, me estende as m\u00e3os ardentes \/ que eu fa\u00e7o versos alegres como marionetes \/ e afiados e precisos como palitar dentes!<br \/>\nJamais cruel com as pessoas, por outro lado, Maiakovski era irreconcili\u00e1vel e impiedoso em discuss\u00f5es liter\u00e1rias fundamentais, quando n\u00e3o poupava seus interlocutores &#8211; \u201cDe V Internacional\u201d: Eu \/ \u00e0 poesia \/ s\u00f3 permito uma forma: \/ concis\u00e3o, \/ precis\u00e3o das f\u00f3rmulas \/ matem\u00e1ticas. \/ \u00c0s parlengas po\u00e9ticas estou acostumado, \/ eu ainda falo versos e n\u00e3o fatos. \/ Por\u00e9m \/ se eu falo \/ &#8220;A&#8221; \/ este &#8220;a&#8221; \/ \u00e9 uma trombeta-alarma para a Humanidade. \/ Se eu falo \/ &#8220;B&#8221; \/ \u00e9 uma nova bomba na batalha do homem.<br \/>\nDos mais not\u00e1veis porta-vozes da Revolu\u00e7\u00e3o Russa, impregnado desde cedo pelo alvorecer das obras socialistas, no in\u00edcio da consolida\u00e7\u00e3o do novo Estado sovi\u00e9tico, juntou-se a outros escritores e artistas para, em seu trabalho, aliar a forma revolucion\u00e1ria a um conte\u00fado de renova\u00e7\u00e3o social &#8211; sem forma revolucion\u00e1ria n\u00e3o h\u00e1 arte revolucion\u00e1ria. Entregava-se a tudo com extrema intensidade, de corpo e alma, o cora\u00e7\u00e3o tem domic\u00edlio no peito. \/ Comigo a anatomia ficou louca. \/ Sou todo cora\u00e7\u00e3o &#8211; \/ em todas as partes palpita. Sempre cen\u00actrando fogo na trans\u00acfor\u00acma\u00ac\u00e7\u00e3o concreta da vida, sendo neces\u00acs\u00e1\u00acrio par\u00actir em mil peda\u00ac\u00e7os a f\u00e1bula da arte apo\u00acl\u00ed\u00actica!<br \/>\nA rela\u00e7\u00e3o de Maiakovski com as mulheres era de cavalheiro, muito generoso e cort\u00eas, nunca abandonando uma mulher, despedindo-se dela com uma delicadeza galante para conservar a rela\u00e7\u00e3o amistosa &#8211; Amar n\u00e3o \u00e9 aceitar tudo. Ali\u00e1s: onde tudo \u00e9 aceito, desconfio que haja falta de amor.<br \/>\nFoi o primeiro poeta sovi\u00e9tico que atraiu o p\u00fablico para ouvir poemas em grandes audit\u00f3rios. Ap\u00f3s a Revolu\u00e7\u00e3o e, principalmente, a Guerra Civil, havia que conquistar um p\u00fablico totalmente novo, despertar nele o interesse pela poesia e sua sonoridade, renovando a linguagem po\u00e9tica face a Revolu\u00e7\u00e3o Socialista ter posto na rua a fala rude de milh\u00f5es de pessoas n\u00e3o familiarizadas com o discurso intelectualizado, que lhes parecia est\u00e9ril. Com o intuito de encontrar o caminho comunista para todos os tipos de arte, afastando dela as afeta\u00e7\u00f5es e maneirismos individualistas em favor do coletivo consciente, que ganhava consist\u00eancia dia ap\u00f3s dia. Uma infinidade de acontecimentos, fatos e detalhes do cotidiano, como a humanidade nunca antes tinha presenciado ou sido informada, deveriam ser agora registrados pela \u00f3tica socialista, e n\u00e3o mais pela vis\u00e3o capitalista que imperava nos pa\u00edses colonialistas, instrumentada pelos bar\u00f5es da imprensa em tempos nos quais ainda se relutava transitar da monarquia para a rep\u00fablica e o parlamentarismo. Sem contar as dificuldades enfrentadas com os inimigos internos, que criavam obst\u00e1culos para a realiza\u00e7\u00e3o dos ideais da Revolu\u00e7\u00e3o Comunista.<br \/>\nMaiakovski n\u00e3o era um Don Juan e n\u00e3o suportava conversas prom\u00edscuas sobre mulheres. De natureza monog\u00e2mica, n\u00e3o se alinhou com a moral da Revolu\u00e7\u00e3o Comunista que estava em moda nos anos 1920, legalizando o amor livre do qual L\u00edlia Brik era adepta. Por isso Maiakovski causou estarrecimento em 1915 por estar se relacionando com L\u00edlia, mesmo ela sendo casada (de fachada) com Ossip Brik, todos sob o mesmo teto, continuando a morar juntos mesmo quando anos depois findou o m\u00e9nage \u00e0 trois &#8211; antes ele havia namorado sua irm\u00e3, Elza Triolet.<br \/>\nL\u00edlia Brik foi uma mulher de vis\u00e3o na vida de Maiakovski, sempre presente em sua trajet\u00f3ria liter\u00e1ria e art\u00edstica, embora ele soubesse se autopromover, e muito bem, quanto mais cuidar da execu\u00e7\u00e3o e divulga\u00e7\u00e3o de sua obra. Mas ela soube como se abastecer \u00e0 sua custa. Depois que o poeta se suicidou, L\u00edlia Brik deu asas \u00e0 imagina\u00e7\u00e3o para fazer voar o legado de Maiakovski em busca de outros leitores e pesquisadores da sua literatura, eternizando sua obra ao preservar sua mem\u00f3ria at\u00e9 morrer em 1978, aos 86 anos, umbilicalmente ligada ao poeta, quando tamb\u00e9m se suicidou. O disposto no bilhete testamento de Maiakovski n\u00e3o deixava margem \u00e0 d\u00favida quanto ao seu papel post mortem, fazendo jus a 50% dos honor\u00e1rios pelos direitos autorais (a outra metade destinar-se-ia \u00e0 m\u00e3e e \u00e0s irm\u00e3s). Para proteg\u00ea-lo de sua impulsividade na trajet\u00f3ria pol\u00edtica, suspeitava-se que L\u00edlia Brik fosse agente da NKVD (futura KGB). Mas o que ela n\u00e3o suportava eram os relacionamentos de Maiakovski, principalmente quando tendiam para o cas\u00f3rio &#8211; cartas deveriam ser enviadas para sua irm\u00e3 Olga, sen\u00e3o L\u00edlia destruiria quaisquer vest\u00edgios de amores do poeta.<br \/>\nApesar de Maiakovski ter se alinhado com a Revolu\u00e7\u00e3o Comunista, servindo-a com f\u00e9 e certeza do que ela representaria para o povo russo, lhe preocupava a situa\u00e7\u00e3o da s\u00e1tira, em que dedetizava todas as bobagens do cotidiano. No entanto, traria preju\u00edzos ao Estado Sovi\u00e9tico para os defensores da pureza da literatura prolet\u00e1ria, j\u00e1 que a s\u00e1tira n\u00e3o poderia coexistir com a ditadura do proletariado por se constituir um golpe no Estado comunista e em sua sociedade ao entregar o ouro ao inimigo com suas inerentes cr\u00edticas. Havia que refletir e priorizar a tens\u00e3o da luta de classes, a industrializa\u00e7\u00e3o, a vida da classe trabalhadora, o personagem principal inserido no trabalho, no coletivo e na atividade social, sen\u00e3o se detectaria um esp\u00edrito antissovi\u00e9tico sublevando e as cr\u00edticas chegariam aos ouvidos dos \u00f3rg\u00e3os de controle da ideologia.<br \/>\nMaiakovski chega a uma terr\u00edvel encruzilhada &#8211; ele que sempre as enfrentou de peito aberto e palavras em punho. Desenha-se em sua alma uma contradi\u00ac\u00e7\u00e3o cruel entre a uto\u00acpia e a tra\u00acg\u00e9\u00acdia da perda gradativa do ideal de revolucion\u00e1rio comunista. De um lado, enga\u00acja\u00acdo na cons\u00actru\u00ac\u00e7\u00e3o do soci\u00aca\u00aclismo e venerando L\u00eanin; de outro, o sur\u00acgi\u00acmento do espec\u00actro do sta\u00acli-nismo, que tra\u00aczia no bojo a falta de liberdade no regime comunista, a buro\u00accra\u00accia e o eclipse do sonho &#8211; o estabelecimento de crit\u00e9rios que definiriam a arte revolucion\u00e1ria e propagandista tamb\u00e9m iria funcionar como censura. Dividido entre os ver\u00acsos de lou\u00acvor \u00e0s con\u00acquis\u00actas socialistas e as s\u00e1ti\u00acras con\u00actra as ano\u00acma\u00aclias do novo poder. A refletir a dualidade da consci\u00eancia de Maiakovski, diante dele at\u00e9 o fim de sua vida, ecoando no poema \u201cA plenos pulm\u00f5es\u201d: tamb\u00e9m a mim \/ a propaganda \/ cansa, \/ \u00e9 t\u00e3o f\u00e1cil \/ alinhavar \/ romances? \/ Mas eu \/ me dominava \/ entretanto \/ e pisava \/ a garganta do meu canto.<br \/>\nOs burocratas do regime pretendiam reduzir a poesia ao realismo comunista em detrimento de valores inerente \u00e0s artes como simbolismo, lirismo, a cr\u00edtica sat\u00edrica, o exagero na \u00eanfase que redunda no histrionismo, as vicissitudes na paix\u00e3o e no amor que levam \u00e0 imprevisibilidade e \u00e0 exalta\u00e7\u00e3o do individualismo. Ao tempo em que a dire\u00e7\u00e3o do partido passou a apoiar a associa\u00e7\u00e3o dos escritores prolet\u00e1rios, inserindo nos fundamentos da literatura e da arte os princ\u00edpios do proletariado e do partido.<br \/>\nEm 1925, Maiakovski conheceu a emigrada russa Elli Jones por ocasi\u00e3o de uma palestra que proferiu em Nova York, durante os tr\u00eas meses de estada pelo M\u00e9xico e Estados Unidos, onde circulou por Cleveland, Detroit, Chicago, Pittsburgh e Filad\u00e9lfia para propagar a ebuli\u00e7\u00e3o de toda energia do povo sovi\u00e9tico, resultante do primado da iniciativa coletiva. Os dois tiveram um romance-rel\u00e2mpago e a sua \u00fanica filha nasceria um ano depois que o poeta j\u00e1 havia retornado para a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica. A exist\u00eancia dessa filha foi mantida em segredo pela m\u00e3e e pelo pr\u00f3prio Maiakovski, que temia mais uma inger\u00eancia de L\u00edlia Brik em sua intimidade, cuja ascens\u00e3o sobre ele n\u00e3o combinava com a personalidade de Maiakovski de n\u00e3o baixar a cabe\u00e7a para ningu\u00e9m.<br \/>\n(Helen-Patricia Jones Thompson cresceu sabendo que era filha do poeta &#8211; desde os 10 anos -, mas n\u00e3o podia comentar fosse com quem fosse. Tornou-se professora de filosofia numa universidade nova-iorquina, publicou v\u00e1rios livros e somente em 1991, poucos anos ap\u00f3s a morte da m\u00e3e e do padrasto, foi \u00e0 R\u00fassia revelar a sua identidade.)<br \/>\nMaiakovski abominava a solid\u00e3o, mas bem que sabia ficar s\u00f3 na presen\u00e7a da amada, pedindo a ela que falasse baixinho e carinhosamente, pois borbulhavam muitos poemas em sua mente. Como a artista pl\u00e1stica Elena Semenova, com quem filosofou: em quem acreditar, pode-se acreditar em algu\u00e9m? E a estudante universit\u00e1ria Natasha Briukhanenko, que o acompanhou num longo p\u00e9riplo liter\u00e1rio por in\u00fameras cidades russas onde ele se exibia.<br \/>\nEmbora sentisse cada vez mais fortemente o endurecimento da pol\u00edtica na \u00e1rea da literatura e a intransig\u00eancia absoluta com rela\u00e7\u00e3o a outras tend\u00eancias e grupos liter\u00e1rios, em nenhum momento Maiakovski se desligava do ritmo da vida liter\u00e1ria e pol\u00edtica: o tempo \u00e9 ro\u00eddo por vermes cotidianos. As vestes poeirentas de nossos dias, cabe a ti, juventude, sacudi-las.<br \/>\nNos \u00faltimos dois anos de sua vida, mostrou-se ativo trabalhando muito e se diferenciando dos anos anteriores pelo ritmo e intensidade em apresenta\u00e7\u00f5es, reuni\u00f5es e discuss\u00f5es, sempre \u00e0 vista, no centro das aten\u00e7\u00f5es, gozando do interesse da cr\u00edtica e da imprensa. Com a criatividade a mil escrevendo pe\u00e7as de teatro como \u201cO percevejo\u201d e \u201cOs banhos\u201d (plena de versos sat\u00edricos), o poeta parecia n\u00e3o ter mais para onde crescer. O desconforto interior e os pressentimentos alarmantes em raz\u00e3o da situa\u00e7\u00e3o da literatura, certificou-o, com o sucesso de \u201cO percevejo\u201d, de que a palavra, personificada na a\u00e7\u00e3o teatral, soa mais forte do que num livro, e at\u00e9 mesmo num jornal. O seu ar zombeteiro intimidava o senso cr\u00edtico da \u00e9poca, obrigando a especular quem dos escal\u00f5es superiores do poder estaria sendo caricaturado.<br \/>\nRestando um ano e meio de vida a Maiakovski, Elli Jones trouxe a filha de 3 anos em Nice para ele conhec\u00ea-la. No retorno a Paris, se apaixona \u00e0 primeira vista por Tatiana Iakovleva, igualmente de fam\u00edlia russa que emigrou, alta como ele e esbelta: Na estatura \/ \u00e9 a \u00fanica \u00e0 minha altura, \/ fique pois, \/ sobrancelha com sobrancelha. Os encontros eram di\u00e1rios e duraram mais de um m\u00eas, Maiakovski quis casar e lev\u00e1-la de volta \u00e0 R\u00fassia, fustigando-a a pensar (temia ela parecer uma idiota ao seu lado) e, o mais importante, a redescobrir-se com a M\u00e3e R\u00fassia: dizem que em algum lugar, parece que no Brasil, existe um homem feliz. Acostumada a lidar com a elite, Iakovleva dizia que eles n\u00e3o tinham nenhuma vontade de fazer o c\u00e9rebro funcionar, enquanto Maiakovski queria p\u00f4r freios e domar os sentimentos pequeno-burgueses de Tatiana: Cinco horas, \/ e a partir de agora \/ acalma \/ a densa floresta humana, \/ esmorece \/ a cidade povoada, \/ ou\u00e7o apenas \/ a discuss\u00e3o dos apitos \/ dos trens para Barcelona. \/ No c\u00e9u negro \/ o passo dos raios, \/ um trov\u00e3o \/ de improp\u00e9rios \/ no drama celeste &#8211; \/ n\u00e3o \u00e9 tempestade, \/ \u00e9 simplesmente \/ o ci\u00fame movendo montanhas.<br \/>\nA paix\u00e3o era sempre impaciente e \u00e1vida por uma resposta imediata: n\u00e3o vivi at\u00e9 o fim o meu bocado terrestre, \/ sob a terra \/ n\u00e3o vivi o meu bocado de amor. Em uma carta \u00e0 L\u00edlia Brik, escre\u00acveu: \u201cO amor \u00e9 vida. O amor \u00e9 o cora\u00ac\u00e7\u00e3o de tudo. Se ele inter\u00acrom\u00acper o seu tra\u00acba-lho, todo o resto morre, faz-se exces\u00acsivo, des\u00acne\u00acces\u00acs\u00e1\u00acrio\u201d. Havia algo mais empur\u00acrando o cora\u00ac\u00e7\u00e3o do poeta para o des\u00acpe\u00acnha\u00acdeiro. Seria este o destino fatal de Maiakovski? As mulheres que se apaixonavam por ele n\u00e3o tinham a coragem de tomar uma decis\u00e3o, temendo que seus sentimentos n\u00e3o correspondessem \u00e0s expectativas dele e \u00e0 press\u00e3o de sua energia interior? Respirando com dificuldade ao lado de Maiakovski, elas tinham medo. Tatiana Iakovleva n\u00e3o aceitou voltar para a R\u00fassia.<br \/>\nA solid\u00e3o estava oprimindo o poeta-tribuno, que se via sem op\u00e7\u00f5es ao chegar \u00e0 conclus\u00e3o quanto \u00e0 falta de perspectiva da arte produtiva e do trabalho jornal\u00edstico para o desenvolvimento da arte po\u00e9tica. Percebia que estava no fio da navalha ao se indispor com os burocratas do partido que ocupavam altos cargos. Os livros de Maiakovski sumiram da lista bibliogr\u00e1fica recomendada nas escolas. As inst\u00e2ncias do poder j\u00e1 se permitiam decidir anonimamente e sem direito a apela\u00e7\u00f5es ou recursos o destino de poemas, filmes, romances e quadros. Maiakovski se assegura de que foi proibido de viajar ao exterior e avalia o ato como de desconfian\u00e7a pol\u00edtica. Retumbavam o in\u00edcio bem-sucedido do plano quinquenal (industrializa\u00e7\u00e3o e constru\u00e7\u00e3o da infraestrutura do pa\u00eds) e da coletiviza\u00e7\u00e3o no campo, entrando nos eixos do desenvolvimento socialista.<br \/>\nMaiakovski criava e complicava suas circunst\u00e2ncias, valendo-se de suas a\u00e7\u00f5es permanentes: no outono de 1929, conhece a jovem atriz Ver\u00f4nica Polonskaia numa corrida de cavalos. Em suas mem\u00f3rias, ela n\u00e3o se lembra dele como equilibrado ou tranquilo, e sim chegado a extremos, barulhento, alegre e impressionantemente encantador, em tr\u00e2nsito para um sombrio e calado durante horas, irritando-se por motivos f\u00fateis e vindo a se transformar numa pessoa impaciente, dif\u00edcil e agressiva. Maiakovski soltou o primeiro \u201ceu te amo\u201d quando informado a respeito do casamento de Tatiana Iakovleva e o sonho de acasalar com ela se desfez.<br \/>\nUm romance que convinha ao casal Brik, n\u00e3o visto como amea\u00e7a \u00e0 \u201cfam\u00edlia\u201d, mesmo porque foram eles que a apresentaram a Maiakovski, que, nesse momento, s\u00f3 via uma sa\u00edda: casar-se com Polonskaia para levar uma vida familiar tranquila. No entanto, ela estava amarrada pelos la\u00e7os do casamento com Iachin e com o teatro, que n\u00e3o queria largar &#8211; mais uma mulher comprometida por quem Maiakovski sentia atra\u00e7\u00e3o.<br \/>\nN\u00e3o era \u00e0 toa que encarava a rotina como algo hostil para o ser humano: \u00e9 melhor morrer de vodka do que de t\u00e9dio. Maiakovski tornou-se irritadi\u00e7o e exigiu que Ver\u00f4nica abandonasse o teatro. Ficava cada vez mais inflex\u00edvel e ciumento, n\u00e3o passando desapercebido dos que estavam ao redor deles, a despeito dos encontros entre eles terem aumentado a frequ\u00eancia, o que resultou na gravidez de Ver\u00f4nica Polonskaia, seguida pelo aborto. O que nela acarretou consequ\u00eancias psicol\u00f3gicas, cansada de mentir e de levar vida dupla, aflorando uma avers\u00e3o \u00e0 rela\u00e7\u00e3o sexual, com Maiakovski n\u00e3o conseguindo aceitar essa aparente indiferen\u00e7a f\u00edsica, insistindo at\u00e9 de forma cruel, tamanha a sua contrariedade.<br \/>\nContudo, ela o amava, respeitava e humanamente o compreendia, n\u00e3o imaginando uma vida sem ele, pois ficaria triste. Muito embora voltando a se verem, emergissem as agress\u00f5es m\u00fatuas e o sofrimento, que a impeliam a se afastar dele. Maiakovski ent\u00e3o exigiu que ela imediatamente se divorciasse e se inscreveu numa cooperativa para receber um apartamento onde residiriam. Ver\u00f4nica Polonskaia escreveria \u201cnossa rela\u00e7\u00e3o era para Maiakovski como um galho ao qual tentava se agarrar para se salvar. Eu tinha medo de seu temperamento, de seu despotismo em rela\u00e7\u00e3o a mim\u201d. Tens\u00e3o interior que tinha de esconder em p\u00fablico.<br \/>\nIsso parece Maiakovski em seu estado normal? Quando era incrivelmente atencioso e elegante com as mulheres, gostando de presente\u00e1-las, bem como \u00e0 m\u00e3e e irm\u00e3s. \u00c0 Ver\u00f4nica, havia dado um len\u00e7o cortado em dois tri\u00e2ngulos, reservando a outra metade para ele colocar por sobre a l\u00e2mpada de sua mesa de trabalho de modo que sua mulher, em forma de len\u00e7o, sempre estivesse pr\u00f3xima, amalgamada com sua luz.<br \/>\nPor\u00e9m, nada em Maiakovski prenunciava o suic\u00eddio. Oito anos depois, Polonskaia explicaria que a rela\u00e7\u00e3o n\u00e3o teve a paz e a sobriedade necess\u00e1rias, com Maiakovski mal disfar\u00e7ando o desejo de tranc\u00e1-la no quarto, se pudesse. Em 12 de abril, j\u00e1 com o bilhete suicida no bolso, confessou \u00e0 Ver\u00f4nica que se sentia mal e que sem ela ao seu lado tudo se torna desnecess\u00e1rio; somente ela poderia ajud\u00e1-lo. No dia seguinte a uma briga horrenda, que os levaram a se hostilizar e a se separar. Encerrada com mais uma reconcilia\u00e7\u00e3o na qual ela se comprometeu em ser sua mulher, por n\u00e3o poder viver sem ele, mas que seria preciso pensar bem como dizer isso a Iachin. Notava-se que Maiakovski estava completamente infeliz e doente, propenso a cometer atos irrepar\u00e1veis como colocar Ver\u00f4nica em situa\u00e7\u00e3o embara\u00e7osa ao seguir seus passos e abrir a rela\u00e7\u00e3o na presen\u00e7a de todos, inclusive de Iachin.<br \/>\nNo dia do suic\u00eddio, Maiakovski trancou a porta de seu apartamento com a chave e disse que n\u00e3o a deixaria ir ao teatro. Ele \u00e9 quem iria para comunicar seu abandono e explicar tudo pessoalmente a Iachin &#8211; pronto, come\u00e7ou tudo de novo! Isso depois de ter pedido perd\u00e3o pelas grosserias e pelo comportamento vergonhoso do dia anterior, suplicando que ela esquecesse tudo. Ver\u00f4nica Vitoldovna Polonskaia respondeu que n\u00e3o podia largar o teatro e ficar condenada exclusivamente ao papel de mulher de seu marido, ainda que ele fosse Maiakovski. Salientando que cabia a ela informar, at\u00e9 para n\u00e3o magoar Iachin, que, \u201ca partir daquela noite, mudar-se-ia para o apartamento de Maiakovski! Na Lubianski Proezd, n\u00ba 3!\u201d<br \/>\nSoou um grito dentro do poeta, que ecoou em sua alma: \u201cTodos me dizem n\u00e3o! Somente n\u00e3o! Em todos os lugares, n\u00e3o!\u201d. Ele entrou em deses\u00acpero, as pai\u00acx\u00f5es que viveu, quase todas n\u00e3o cor\u00acres\u00acpon\u00acdi\u00acdas, nunca lograram saciar o seu cora\u00ac\u00e7\u00e3o faminto. Enquanto Polonskaia sa\u00eda, alcan\u00e7ando o corredor em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 porta do pr\u00e9dio, ouviu um tiro. Teve medo de voltar e ver a cena dele deitado no tapete com os bra\u00e7os abertos e uma mancha de sangue no peito. O rel\u00f3gio marcava 10 horas e 15 minutos da manh\u00e3. A carruagem da ambul\u00e2ncia veio, mas era tarde. A \u00fanica bala colocada no tambor atingira o alvo, Maiakovski morrera &#8211; n\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil morrer nesta vida: viver \u00e9 muito mais dif\u00edcil.<br \/>\nSua postura de semideus que derrotava os inimigos com habilidade art\u00edstica desnorteou-se com sua autoestima ferida. Maiakovski visivelmente deprimido, com os nervos \u00e0 flor da pele, n\u00e3o conseguiu conter suas explos\u00f5es emocionais, encolerizado com a perda de sua tradicional coragem e seu humor ferino, esmagado que fora sob o peso da uto-pia que se esfa\u00acre\u00aclava e do amor que n\u00e3o con\u00acquis\u00actou. Foi em busca de paz, des\u00accansar de um percurso ter\u00acres\u00actre, de fato, exaustivo. Mas por ter sido intenso, extremo, infla\u00acmado, con\u00actra-di\u00act\u00f3\u00acrio &#8211; e apaixonante. Tarde demais para colar o vaso quebrado. Nenhuma jaula no mundo poderia sitiar o poeta e o enxame desenfreado de seus desejos.<br \/>\nA morte reconcilia todos, ainda mais dessa forma tr\u00e1gica. Chorando muito, Boris Pasternak (autor de \u201cDoutor Jivago\u201d) andava em c\u00edrculos pelo apartamento de Maiakovski em busca de seu esp\u00edrito, caso ainda estivesse vagando por ali. A ningu\u00e9m mais reconhecendo, significativo de seu inconformismo por terem se distanciado. O porqu\u00ea n\u00e3o se manteve \u00edntegro em sua lembran\u00e7a, provavelmente em breve iria se esquecer por completo, e s\u00f3 restaria saudades dele.<br \/>\nO comunicado oficial afirma que o suic\u00eddio foi provocado por motivos de ordem estritamente particular e n\u00e3o tem nenhuma liga\u00e7\u00e3o com a atividade social e liter\u00e1ria do poeta, antecedido por uma longa doen\u00e7a da qual o poeta ainda n\u00e3o havia se restabelecido. Um ato falho ao logo se apressarem em afastar qualquer ila\u00e7\u00e3o com o cerceamento \u00e0 liberdade de criar e inger\u00eancias pol\u00edticas do intr\u00e9pido idealista. Em outro bilhete, Maiakovski disse que n\u00e3o havia o que fazer (para esquivar-se de suas responsabilidades com o suic\u00eddio), mas que n\u00e3o o considerassem covarde.<br \/>\n150 mil pessoas, durante os tr\u00eas dias de vel\u00f3rio, passaram diante do caix\u00e3o, chorando a perda de um artista t\u00e3o carism\u00e1tico e inesquec\u00edvel por sua ousadia e destemor. Muitos ficaram intrigados com o motivo do suic\u00eddio, logo ele que havia condenado a inutilidade do suic\u00eddio do poeta Iessienin no poema \u201cA Serguei Iessienin\u201d: Voc\u00ea perdeu o senso? \/ &#8230; com todo esse talento para o imposs\u00edvel; \/ h\u00e1bil \/ como poucos. \/ Por qu\u00ea? \/ Para qu\u00ea? \/ Perplexidade.<br \/>\nA julgar pelo bilhete de despedida, esse, pelo menos, Stalin n\u00e3o teria assassinado: o defunto odiaria que levantassem suspeitas. Muito embora se contradiga pedindo para tornar suport\u00e1vel a vida de Brik, m\u00e3e, irm\u00e3s e Polonskaia, o que pressup\u00f5e j\u00e1 circular o insuport\u00e1vel que Stalin destinava aos inimigos do igualitarismo social. A ordem de import\u00e2ncia que Maiakovski considerava em seu c\u00edrculo mais \u00edntimo, encabe\u00e7ada por L\u00edlia Brik, ao lhe entregar seu legado de poemas inacabados em raz\u00e3o de conhecer sua arte escrita o suficiente para decifr\u00e1-los, ressalta o mist\u00e9rio da rela\u00e7\u00e3o de L\u00edlia com o venerando poeta, segredo esse que levou para o t\u00famulo. Por outro lado, afirmar n\u00e3o ter sa\u00edda significa que Maiakovski n\u00e3o decifrou seu futuro por n\u00e3o encontrar uma via de escape, ao n\u00e3o se conformar que o sepultassem em vida quando n\u00e3o permitiram dar asas \u00e0 sua criatividade, pairando acima do realismo prolet\u00e1rio. O mais espantoso \u00e9 se deparar com outra contradi\u00e7\u00e3o ao julgar sua vida como um mero caso (encerrado), dos muitos em que ele n\u00e3o logrou ajustar seu cora\u00e7\u00e3o, mas necessitar de um acerto de contas, que requer coragem para confessar, ao se concentrar no barco do amor, que se espatifou na rotina do cotidiano, desmantelando-se por completo, o que, para bom entendedor, significa que n\u00e3o foi feliz no amor e que isso \u00e9 motivo suficiente para morrer. Partir sem olhar para tr\u00e1s, caso contr\u00e1rio petrificaria sua alma. Cruzar o rio da morte, onde l\u00e1 estaria a salvo da humanidade. Conforme detalhou para L\u00edlia Brik sobre suas entranhas, o amor \u00e9 o cora\u00ac\u00e7\u00e3o de tudo, se ele inter\u00acrom\u00acper o seu tra\u00acba\u00aclho, todo o resto morre. Ou em versos triscados: sou todo cora\u00e7\u00e3o, que em todas as partes palpita, a anatomia, comigo, ficou louca. Muito embora, elegante como sempre, tenha desejado felicidade para quem fica.<br \/>\nO ser humano que deixa voluntariamente a vida leva consigo o mist\u00e9rio de sua decis\u00e3o. N\u00e3o h\u00e1 como explicar, psicanalisando sua alma, ou sequer penetrar no \u00e2mago da quest\u00e3o, quando o suicida declara que n\u00e3o tem sa\u00edda no desprop\u00f3sito de sua exist\u00eancia. Abandonar a vida significa se retirar de um universo que n\u00e3o se lembra de ter pedido para ingressar e entrar em outro que desconhece ou nega: com explos\u00f5es do pensamento a cabe\u00e7a estremece, \/ ecoando com a artilharia de cora\u00e7\u00f5es, \/ ergue-se do tempo \/ outra revolu\u00e7\u00e3o &#8211; \/ a terceira revolu\u00e7\u00e3o \/ do esp\u00edrito. Talvez fosse o caso de aceitar o mist\u00e9rio e acat\u00e1-lo, perene em todas as ordens de magnitude cuja luz procura neutralizar o obscurantismo que invade, n\u00e3o raro, nossas mentes.<\/p>\n<p>Fonte consultada: MIKHAILOV, Aleksandr. Maiakovski: o poeta da revolu\u00e7\u00e3o. Rio de Janeiro: Record, 2008.<br \/>\nVersos de Vladimir Maiakovski<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O poeta Vladimir Vladimirovitch Maiakovski matou-se no dia 14 de abril de 1930, aos 37 anos, quando deu um tiro no peito. 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