﻿{"id":102484,"date":"2017-08-28T06:54:01","date_gmt":"2017-08-28T09:54:01","guid":{"rendered":"http:\/\/www.jornaldugaio.com.br\/?p=102484"},"modified":"2018-01-16T11:57:10","modified_gmt":"2018-01-16T13:57:10","slug":"365-cartas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornaldugaio.com.br\/index.php\/365-cartas\/","title":{"rendered":"365 CARTAS"},"content":{"rendered":"<div class=\"fsc_text\"><p>Eis que num asilo um casal idoso vive em quartos separados. Ele l\u00e1 se encontra por op\u00e7\u00e3o; ela, em consequ\u00eancia de uma dem\u00eancia senil que prejudicou sua mem\u00f3ria e que, por vezes, a recupera durante alguns minutos. Todos os dias, ele l\u00ea para a senhora um cap\u00edtulo de uma encantadora hist\u00f3ria de amor que foi escrita num velho di\u00e1rio. A hist\u00f3ria consiste no romance de Jeremy Gordon e Sylvie O\u2019Neil, que se conheceram e se apaixonaram num parque de divers\u00f5es em Seabrook nos anos 1940. Foi o ver\u00e3o mais intenso de suas vidas. Por\u00e9m, por imposi\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia de Sylvie, o casal, loucamente apaixonado, teve de se separar quando as f\u00e9rias acabaram. A fam\u00edlia abastada n\u00e3o aceitava que ela, uma jovem de 17 anos com um grande futuro pela frente, se envolvesse com um artes\u00e3o especialista em pe\u00e7as de madeira. Logo se seguiu a 2\u00aa Guerra Mundial e Jeremy foi convocado para entrar em a\u00e7\u00e3o.<br \/>\nAo longo da guerra, ele escreveu 365 cartas, que foram escondidas pela m\u00e3e de Sylvie, empenhada em p\u00f4r fim no romance, baseada em sua experi\u00eancia quando seu av\u00f4 a impediu de casar-se com um oper\u00e1rio. Sylvie, arrasada, n\u00e3o ficou sabendo da ignom\u00ednia de sua m\u00e3e, imaginando que seu amado a havia posto de lado, n\u00e3o cabendo mais procur\u00e1-lo, nem mesmo depois do fim da guerra, dando o caso por encerrado. Jeremy, desolado, pensou que ela decidira acabar com o lindo amor que se desenhou, em raz\u00e3o de tantas cartas n\u00e3o respondidas.<br \/>\nPr\u00f3ximo de morrer, o pai de Jeremy vendeu sua modesta moradia e presenteou o filho, de regresso ao lar, com uma casa em m\u00e1s condi\u00e7\u00f5es, justamente para que ele a reformasse com sua habilidade em constru\u00e7\u00e3o e a transformasse na casa dos seus sonhos. Uma nova casa de maiores propor\u00e7\u00f5es se levantou, exatamente dentro dos padr\u00f5es que havia prometido \u00e0 Sylvie. Bem que tentou prosseguir longe da mulher que amava, mas se tornou um homem solit\u00e1rio, ainda mais depois da morte de seu pai. Nem a companhia de Martha, vi\u00fava, supria a falta de Sylvie, embora ela pr\u00f3pria soubesse que n\u00e3o faria Jeremy feliz.<br \/>\nSete anos j\u00e1 haviam passado desde a \u00faltima carta escrita quando Sylvie ficou noiva de Allan, a quem, de boa-f\u00e9, acreditava amar, apesar de frequentemente revisitar Jeremy em seus pensamentos. Allan e Sylvie se conheceram logo que ela se voluntariou para cuidar dos feridos da guerra, sendo ele de fam\u00edlia tradicional, o que muito colaborou para que os pais de Sylvie aprovassem o casamento.<br \/>\nNo dia da prova do vestido de noiva, Sylvie viu a foto de Jeremy no jornal, fazendo-a relembrar o inacabado amor dos dois. Motivada a passar a limpo essa quest\u00e3o engasgada no cora\u00e7\u00e3o, Sylvie se dirige incontinente para Seabrook sem contar o motivo da viagem para Allan. Ao rever Jeremy, a chama da paix\u00e3o juvenil se reacende e consumam o amor impedido por preconceito de classes sociais. O casal deixou-se levar por uma lua de mel sem fim, n\u00e3o escondida de Martha, vindo a confirmar as suspeitas da m\u00e3e de Sylvie quanto ao desaparecimento da filha, batendo um arrependimento tardio que a fez devolver as 365 cartas escritas por Jeremy &#8211; uma para cada dia do ano.<br \/>\nSylvie precisava agora decidir com quem queria realmente passar o resto de sua vida.<br \/>\nProvando que as hist\u00f3rias de vida consomem o tempo \u00e0 medida que a alma vai ganhando corpo nesta encarna\u00e7\u00e3o, mesclando fatos e cruzando destinos, juntando uns com os outros, eis que o senhor idoso d\u00e1 como finda a leitura do \u201cDi\u00e1rio de uma Paix\u00e3o\u201d, mais um cap\u00edtulo da espiritualidade que ilumina a trajet\u00f3ria do amor. Ato cont\u00ednuo, desperta a senhora de mem\u00f3rias apagadas que, de repente, come\u00e7a a se lembrar de passagens dos tempos de mo\u00e7a, a perceber que Sylvie \u00e9 ela, at\u00e9 enxergar no homem que todos os dias no retiro lhe dedica horas incont\u00e1veis a falar de amor o mesmo homem com quem, afinal, escolheu ficar no passado.<br \/>\nJeremy logo se apressou em organizar um jantar com velas no quarto do pavilh\u00e3o em que Sylvie se alojava (ele se hospedava em outro pavilh\u00e3o), de modo a ela saborear essa not\u00e1vel descoberta antes que se recolhesse de novo \u00e0 desmem\u00f3ria. Conseguiu autoriza\u00e7\u00e3o do m\u00e9dico respons\u00e1vel para dormirem juntos naquele dia, n\u00e3o sem antes Sylvie pedir para Jeremy sempre estar presente quando ela recobrasse a raz\u00e3o. E se n\u00e3o haveria uma forma de partirem juntos para a grande viagem de maneira a jamais se separarem para todo o sempre.<br \/>\nSuic\u00eddio ou eutan\u00e1sia sugerida, o fato \u00e9 que Deus os ouviu e amanheceram um nos bra\u00e7os do outro, desencarnados.<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Eis que num asilo um casal idoso vive em quartos separados. Ele l\u00e1 se encontra por op\u00e7\u00e3o; ela, em consequ\u00eancia de uma dem\u00eancia senil que prejudicou sua mem\u00f3ria e que, por vezes, a recupera durante alguns minutos. 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