﻿{"id":102545,"date":"2017-09-25T00:47:48","date_gmt":"2017-09-25T03:47:48","guid":{"rendered":"http:\/\/www.jornaldugaio.com.br\/?p=102545"},"modified":"2018-01-15T14:39:50","modified_gmt":"2018-01-15T16:39:50","slug":"sucessao-de-suicidios-em-familia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornaldugaio.com.br\/index.php\/sucessao-de-suicidios-em-familia\/","title":{"rendered":"SUCESS\u00c3O DE SUIC\u00cdDIOS EM FAM\u00cdLIA"},"content":{"rendered":"<div class=\"fsc_text\"><p>Filha \u00fanica de uma abastada fam\u00edlia judia de Berlim, a pintora Charlotte Salomon nasceu em 1917 para dar curso a uma exist\u00eancia pontuada por uma sucess\u00e3o de suic\u00eddios e trag\u00e9dias em seu c\u00edrculo familiar. A primeira delas, quando ainda n\u00e3o havia nascido, foi a tia de Charlotte, irm\u00e3 de sua m\u00e3e e que tamb\u00e9m tinha seu nome, que se suicidou. Progressivamente, foi diminuindo o ritmo de suas atividades em geral como comer, andar, estudar. Uma melancolia infiltrou-se em seu corpo. Acabara de completar 18 anos, quando se levantou, enquanto todos dormiam, para ir em dire\u00e7\u00e3o ao seu destino. Uma ponte da qual pulou, caindo na \u00e1gua gelada, tornando sua morte um mart\u00edrio. Matou-se sem a menor explica\u00e7\u00e3o, sem fazer alarde; a irm\u00e3 considerou esse suic\u00eddio uma afronta \u00e0 uni\u00e3o delas.<br \/>\nSua m\u00e3e Franziska quis cham\u00e1-la de Charlotte em homenagem \u00e0 irm\u00e3 falecida. Seu marido n\u00e3o concordou em manter a mem\u00f3ria viva, logo de uma suicida. Franziska nunca se conformou com o desaparecimento tr\u00e1gico de sua irm\u00e3, de tal modo que entabulou um teatro para adaptar sua filha \u00e0 realidade, \u00e0 medida que ela ia crescendo: \u201cFoi um acidente, sua tia se afogou, ela n\u00e3o sabia nadar\u201d. O teatro sofreria um rev\u00e9s se n\u00e3o fosse o marido arrombar a porta do banheiro e traz\u00ea-la de volta \u00e0 vida, quando ela tamb\u00e9m tentou o suic\u00eddio ingerindo todo o conte\u00fado de um frasco de \u00f3pio &#8211; a partir de agora, se ficasse sozinha, ela se mataria. Voltou para o seu quarto de solteira, cen\u00e1rio de sua inf\u00e2ncia, o lugar onde havia sido feliz com a irm\u00e3 na casa dos pais. Chamaram um neurologista, foi uma pequena crise passageira, apenas excesso de emo\u00e7\u00e3o e forte sensibilidade, nada mais. O diagn\u00f3stico pouco acrescentou &#8211; atirou-se pela janela do quarto.<br \/>\nAos 8 anos, Charlotte ficou com uma raiva terr\u00edvel da m\u00e3e, que a acostumara a contar tudo. Agora precisaria aprender o que era solid\u00e3o, n\u00e3o dividiria seus sentimentos com mais ningu\u00e9m. Adquiriu o medo de ser abandonada, melhor seria evitar se relacionar e viver a salvo das poss\u00edveis decep\u00e7\u00f5es, refugiando-se na introspec\u00e7\u00e3o.<br \/>\nO juda\u00edsmo pouco tivera import\u00e2ncia na fam\u00edlia de Charlotte, sem nenhuma orienta\u00e7\u00e3o espec\u00edfica, at\u00e9 chegar o apogeu da domina\u00e7\u00e3o alem\u00e3 e cruzar com os Albert Einstein e Schweitzer em sua nova casa em que seu pai foi morar, em segunda n\u00fapcia, com uma cantora l\u00edrica famosa em toda a Europa.<br \/>\nFor\u00e7oso revelar que sua vida foi estruturada em cima de uma grande mentira, nada lhe sendo informado a respeito de uma longa linhagem de suicidas na fam\u00edlia. Sua av\u00f3, al\u00e9m de perder suas duas filhas para o suic\u00eddio, tivera o seu irm\u00e3o tragado pelo mesmo destino de tamb\u00e9m se jogar no rio por causa de um casamento infeliz. A bisav\u00f3 de Charlotte, m\u00e3e do doutor em Direito de 28 anos, afundou na dem\u00eancia, tendo que ser vigiada e protegida de si mesma, sucumbindo ap\u00f3s 8 anos de esgotamento mental.<br \/>\nMas para a av\u00f3 de Charlotte ainda n\u00e3o havia terminado. Assim que sua m\u00e3e fora enterrada, sua irm\u00e3 mais nova, de 18 anos, de maneira imprevis\u00edvel, se levantou no meio da noite para igualmente se lan\u00e7ar num rio g\u00e9lido, exatamente como faria mais tarde a primeira Charlotte. Com o suic\u00eddio se repetindo sem cessar \u00e0 filha \u00fanica de seu irm\u00e3o que se suicidou, prossegue com o seu tio, que se lan\u00e7ou da janela, seu pai, o bisav\u00f4 de Charlotte, e seu sobrinho, quando impedido de trabalhar pelos nazistas. As ra\u00edzes de uma \u00e1rvore geneal\u00f3gica corro\u00eddas por um mal desconhecido.<br \/>\nEnclausurada em seu quarto, a av\u00f3 continuava a chorar os seus mortos. Era preciso tomar cuidado e proteger Charlotte, que devia viver, n\u00e3o mais l\u00e1 indo dormir. Seria poss\u00edvel preservar sua vida?<br \/>\nEra o ano de 1933. A plateia gritava horrores e insultos nas apresenta\u00e7\u00f5es l\u00edricas da madrasta; amigos de seu pai, cirurgi\u00e3o e professor conceituado, o incitavam a sair da Alemanha. Mas como? Se aqui \u00e9 a nossa p\u00e1tria! Logo seriam impedidos de trabalhar. Charlotte assistia a toda uma na\u00e7\u00e3o com sede de viol\u00eancia organizar o boicote aos bens judeus e aos saques \u00e0s lojas. Algumas meninas descobriam ter ascend\u00eancia judaica com a certid\u00e3o de nascimento dos av\u00f3s exigida nas escolas, imediatamente passando para o lugar de banidas, com m\u00e3es proibindo as filhas de frequentar a casa de judeus.<br \/>\nCharlotte se fechava cada vez mais, n\u00e3o cessando de ler Goethe, Hess e Nietzsche, quando o desenho ingressou em seu horizonte e a paix\u00e3o pela Renascen\u00e7a levou-a a questionar se n\u00e3o seria melhor, em suas andan\u00e7as pelos museus, conhecer um \u00fanico quadro em sua perfei\u00e7\u00e3o do que fragmentar o olhar por entre outras pinturas e acabar por perd\u00ea-lo. Queria muito se fixar em algum lugar e n\u00e3o ter de buscar o que n\u00e3o encontrava. Sonhava fazer Belas-Artes, mas uma imensa bandeira nazista tremulava no alto do edif\u00edcio-sede. N\u00e3o p\u00f4de nem concluir o ensino m\u00e9dio, proibida de continuar os estudos. Desistiu de tentar decidir como conduzir sua pr\u00f3pria vida.<br \/>\nBem a prop\u00f3sito, pois surgiu um grande acontecimento na vida de Charlotte: o revolucion\u00e1rio professor de canto de sua madrasta. Lutara a 1\u00aa Guerra Mundial, conhecera o medo, a impossibilidade de voltar atr\u00e1s, sen\u00e3o o desertor era fuzilado &#8211; a paisagem, uma vasta desola\u00e7\u00e3o. Repatriado, ficou um ano sem reconhecer ningu\u00e9m at\u00e9 que, de repente, do cora\u00e7\u00e3o das trevas, escapou do caos ao soar uma melodia, que come\u00e7ou a cantarolar baixinho &#8211; o renascimento de sua voz a perpetuar que m\u00fasica e vida est\u00e3o umbilicalmente ligadas. Foi assim que se lan\u00e7ou ao canto, como pessoas se jogam em rios gelados para morrer.<br \/>\nAlfred p\u00f4s-se a examinar os esbo\u00e7os de Charlotte, terminada a aula de canto: um talento acima da m\u00e9dia. Ing\u00eanuos, aproximativos, inconclusos, esbo\u00e7o de uma loucura sensata e polida. Sua vida estava entre par\u00eanteses, f\u00e1cil Charlotte tornar-se submissa ao seu olhar e poder de observa\u00e7\u00e3o. Queria ser livre, qualquer improvisa\u00e7\u00e3o era proibida se, passando por um ponto de controle, estaria sujeita a espancamento, tortura e estupro, sen\u00e3o desaparecimento. Se perdidos no beijo nem escutaram o trov\u00e3o, tampouco Charlotte se assustou com a hegemonia de Alfred nos movimentos, a eles se entregando com mais for\u00e7a ainda, a jovem nua e oferecida, precocemente fustigada pela vida.<br \/>\nA pintura se tornara uma obsess\u00e3o, descobrira Chagall, admirava Van Gogh e Munch, ilustrava o romance de Alfred, iria tentar o concurso para a Academia de Belas-Artes de Berlim a qualquer pre\u00e7o. Agora, sabia aonde ir, em 1938. O concurso era an\u00f4nimo e, depois que as obras eram premiadas, se dizia o nome dos autores. Pela primeira vez, a escolha foi r\u00e1pida. Imposs\u00edvel reconhecer o tra\u00e7ado do aluno vencedor que, de t\u00e3o genial, embaralhara as pistas. Tiveram de abrir o envelope com a identifica\u00e7\u00e3o. Um constrangimento geral se espalhou, acusariam a escola de tender para a rotulada arte degenerada do juda\u00edsmo e Charlotte Salomon ficaria muito exposta, virando um alvo e correndo o risco de ser presa. Um dia extremamente injusto para ela, que venceu, mas n\u00e3o levou o trof\u00e9u, transferindo a gl\u00f3ria para uma amiga loura ariana que, sem demonstrar embara\u00e7o, acreditava mesmo ter sido a ganhadora.<br \/>\nA Noite de Cristais, de 9 para 10 de novembro de 1938. Cemit\u00e9rios profanados, lojas depredadas, mercadorias saqueadas, surras, milhares de homens levados para campos de concentra\u00e7\u00e3o sem saber por que e por quanto tempo, de p\u00e9 no frio durante horas, esperando serem interrogados &#8211; dentre eles, o pai de Charlotte. Idosos e doentes que n\u00e3o resistiam e ca\u00edam eram abatidos no p\u00e1tio dos fundos. Charlotte tinha que ser tirada da Alemanha, o quanto antes, n\u00e3o havia mais tempo a perder. A despeito dela n\u00e3o querer deixar o pai, o t\u00famulo da m\u00e3e, suas lembran\u00e7as, sua inf\u00e2ncia e Alfred, seu grande e \u00fanico amor, que lhe sussurrou: \u201cn\u00e3o se esque\u00e7a de que acredito em voc\u00ea\u201d.<br \/>\nEm janeiro de 1939, foi ao encontro dos av\u00f3s, que se refugiaram em Villefranche-sur-Mer, no sul da Fran\u00e7a. Fazia muito tempo que n\u00e3o se viam, ela era uma adolescente. Pareceu-lhes id\u00eantica \u00e0 m\u00e3e, possuindo em comum a melancolia e a tristeza. A av\u00f3 sentia dificuldade para respirar, h\u00e1 anos lutava para permanecer viva, a rigor, desde a morte das filhas. N\u00e3o parava de praguejar contra a guerra que destruiria tudo, o mundo iria pegar fogo, n\u00e3o queria mais viver, j\u00e1 era chegada a hora de se reunir \u00e0s filhas. Necess\u00e1rio vigi\u00e1-la o tempo todo, nunca deix\u00e1-la sozinha. Charlotte compreendeu que esse papel lhe cabia, havia um pre\u00e7o para o ref\u00fagio.<br \/>\nUma carta de seu pai, desembarcado na Holanda, largando seus bens e haveres para tr\u00e1s, com a sensa\u00e7\u00e3o de um criminoso temendo ser detido ou executado, faz ela se perguntar se sobreviver assim vale a pena. A carta descontrola sua av\u00f3, que grita aos quatro cantos que todos ir\u00e3o morrer em breve! A morte est\u00e1 em toda a parte! E tenta o suic\u00eddio na ponta de uma corda no banheiro, que resultou em v\u00e3o. O av\u00f4 de Charlotte se exaspera e reclama de sua mulher n\u00e3o ter o direito de morrer e abandon\u00e1-lo \u00e0 pr\u00f3pria sorte: \u201co que vai ser de mim?\u201d. E surta num mon\u00f3logo demente historiando os suic\u00eddios na fam\u00edlia.<br \/>\nAt\u00e9 chegar na m\u00e3e de Charlotte, revelando o segredo guardado a sete chaves: \u201cEla se jogou da janela de nossa casa, est\u00e1 me ouvindo?! Voc\u00ea me dava pena. Eu bem me lembro de seu rosto, sempre esperando que sua m\u00e3e voltasse, buscando-a no c\u00e9u, pois ela lhe havia dito que se transformaria num anjo\u201d. Charlotte saiu correndo em dire\u00e7\u00e3o ao mar. Por que ningu\u00e9m lhe havia contado nada? Entrou na \u00e1gua fria de fevereiro, vestida. Os joelhos, a cintura e os ombros logo foram encobertos pelas ondas, ela n\u00e3o sabia nadar bem. As roupas molhadas ficaram pesadas, poderiam arrast\u00e1-la para o fundo. Com medo, desistiu do intento.<br \/>\nToda sua vida apoiada numa mentira, todos a tra\u00edram, \u201ceu os odeio!\u201d. Todo mundo sabia da verdade, \u201ctodos, exceto eu!\u201d. Nunca havia desconfiado. Por outro lado, compreendera a estranheza que sempre se apossava dela. O pavor de ser abandonada, a certeza de todos a rejeitarem, a baixa autoestima, a mediocridade tomando conta de si.<br \/>\nNa madrugada que se seguiu, ouve-se um baque do corpo da av\u00f3 de Charlotte no p\u00e1tio da moradia da fam\u00edlia &#8211; a potencial assassina de si mesma. A morte em tr\u00eas idades diferentes: a av\u00f3, a m\u00e3e de Charlotte e a jovem tia que Charlotte n\u00e3o conheceu. Na sua fam\u00edlia nenhuma mulher havia escapado do destino m\u00f3rbido. Mas s\u00f3 se falava da invas\u00e3o alem\u00e3 e da inexistente rea\u00e7\u00e3o do Estado franc\u00eas, que decide prender os refugiados alem\u00e3es em seu territ\u00f3rio, depois de exigir que se cadastrassem. Os nazistas controlavam o pa\u00eds para onde Charlotte havia fugido. O pa\u00eds-ref\u00fagio onde ela seria presa. Jamais haveria um fim para a sua err\u00e2ncia.<br \/>\nEm junho de 1940, Charlotte e o av\u00f4 se viram num trem em dire\u00e7\u00e3o a um campo de concentra\u00e7\u00e3o em Pirineus. Hannah Arendt estava l\u00e1. Todas as noites, ouviam-se os guinchos de ratos circulando por entre colch\u00f5es amontoados e rostos adormecidos. Mas o pior era o guarda do alojamento, que abria a porta, cegando as mulheres deitadas com sua lanterna, buscando uma para violentar, em ritual demorado para excit\u00e1-lo com o medo que as fazia se encolher. O desespero de Charlotte nos cuidados com o av\u00f4, terrivelmente magro e prostrado num catre a maior parte do tempo, no fim de suas for\u00e7as, convenceu a Administra\u00e7\u00e3o a solt\u00e1-los. Tiveram de atravessar os Pirineus a p\u00e9, os transportes p\u00fablicos deixaram de funcionar.<br \/>\nNo trajeto de retorno a Nice, fizeram uma parada num albergue em que s\u00f3 havia uma cama no quarto. O av\u00f4 insistiu para que dormissem juntos &#8211; neta e av\u00f4, considerado normal. Todavia, ele a incitou a tirar a roupa e a encostar-se nele, dando vaz\u00e3o a um instinto animal que n\u00e3o punha em pr\u00e1tica quase uma exist\u00eancia inteira. Ela saiu para tomar ar e s\u00f3 voltou quando ele engrenou no sono. Sentou-se num canto e escondeu o rosto nos joelhos. Sabia, melhor que ningu\u00e9m, ocultar a dor, acostumada que estava com a sucess\u00e3o de sofrimentos.<br \/>\nPara pegar no sono, percorreu suas lembran\u00e7as, \u00fanico lugar onde morava a ternura, sentindo o beijo de Alfred e entrando em contato com a beleza para recompor com precis\u00e3o um quadro de Chagall, visualizando cada detalhe. Sua rela\u00e7\u00e3o com o mundo se tornara puramente est\u00e9tica, sem cessar pintava quadros em sua cabe\u00e7a, sua obra j\u00e1 pulsava em sua imagina\u00e7\u00e3o. Com a ep\u00edgrafe escolhida: \u201cA verdadeira medida da vida \u00e9 a lembran\u00e7a\u201d, de Walter Benjamin &#8211; de quem Charlotte gostava imensamente, e que veio a se suicidar, envenenando-se com morfina, pouco tempo depois, ali perto nos Pirineus, por n\u00e3o suportar mais a persegui\u00e7\u00e3o nazista.<br \/>\n\u201cCharlotte, voc\u00ea deve pintar. Confio no seu talento. Desanimar est\u00e1 fora de cogita\u00e7\u00e3o. Se estiver sofrendo, deve expressar esse sofrimento. Sua beleza interior \u00e9 de tal tamanho que tens de compartilh\u00e1-la.\u201d Eis que aparece o rosto de Alfred como uma vis\u00e3o, mais vivaz do que nunca, prosseguindo: \u201cVoc\u00ea deve viver para criar, pintar para n\u00e3o enlouquecer\u201d &#8211; como pudera esquecer de suas \u00faltimas palavras na plataforma do trem?<br \/>\nNaquele dia, nascera sua obra Vida? Ou Teatro?. Para sobreviver, deveria pintar sua hist\u00f3ria. Era a \u00fanica sa\u00edda: fazer com que os seus mortos ganhassem vida. \u00c9 o caminho que seguem todos os artistas. Atrav\u00e9s de um t\u00fanel impreciso de anos, que enfim os conduz \u00e0 revela\u00e7\u00e3o e \u00e0 compreens\u00e3o daquilo que j\u00e1 suspeitavam: considerar a arte como a \u00fanica possibilidade de vida. Ela, que queria morrer, come\u00e7ou a sorrir. Suas m\u00e3os n\u00e3o hesitavam mais. Sabia exatamente o que devia fazer. Em guache e aquarela, iria pintar suas lembran\u00e7as de forma romanesca. Os desenhos seriam acompanhados de longos textos. Pintar e escrever. Era uma hist\u00f3ria que se podia ler, tanto quanto se olhar. Com os desenhos e o relato, ela acrescentou indica\u00e7\u00f5es musicais. A trilha sonora de sua obra. Viajava-se com Bach, Mahler e Schubert, ou can\u00e7\u00f5es populares alem\u00e3s. Para formar um estilo singular e in\u00e9dito, uma maneira de se expressar por completo.<br \/>\nUm c\u00edrculo do qual seu av\u00f4 n\u00e3o fazia parte. Charlotte pintava cantarolando, consagrando dias e noites \u00e0 uni\u00e3o intuitiva dos sentidos. A m\u00fasica guiava sua escolha de cores. Vida? Ou Teatro? era uma conversa entre as sensa\u00e7\u00f5es. A pintura, as palavras e a m\u00fasica, tamb\u00e9m. Arte fusion, necess\u00e1ria para a cicatriza\u00e7\u00e3o de uma vida destru\u00edda.<br \/>\nCorria o ver\u00e3o de 1942, diziam que em Paris teria havido uma pris\u00e3o em massa de judeus. Quem l\u00e1 sabia o que se passava na Alemanha ou na Pol\u00f4nia? Quem sabia realmente da verdade? Nunca mais teria not\u00edcias do pai e da madrasta? Alfred seria muito inapto \u00e0 vida para se safar? Invadida pela urg\u00eancia, Charlotte desenhava e escrevia num frenesi perturbador, antes que fosse tarde demais. Seu tra\u00e7o foi ficando ainda mais en\u00e9rgico, in\u00fameras p\u00e1ginas s\u00f3 comportando textos &#8211; era preciso contar a hist\u00f3ria de sua fam\u00edlia.<br \/>\nCharlotte p\u00f5e um fim em sua obra autobiogr\u00e1fica, escrita em condi\u00e7\u00f5es totalmente adversas, se desenhando de frente para o mar e de costas para n\u00f3s, como que antevendo seu grand finale. Tinha de proteger seu trabalho a qualquer custo, guardando-o num lugar seguro, no caso dela ter de fugir ou mesmo vir a morrer. Acondicionou-o numa mala e depositou em m\u00e3os confi\u00e1veis que iriam para os Estados Unidos.<br \/>\nSeu av\u00f4 morreu na rua de uma dor aguda no cora\u00e7\u00e3o, defronte a uma farm\u00e1cia. Charlotte se viu livre de um peso com seu mau humor frequente e desprezo pelo seu trabalho, recomendando-a para n\u00e3o se esquecer da linhagem da fam\u00edlia Grunwald e se casar com algu\u00e9m da sua categoria, t\u00edpico de uma educa\u00e7\u00e3o burguesa que a 2\u00aa Guerra Mundial trataria de destruir.<br \/>\nEm novembro de 1942, a Alemanha invade o resto da Fran\u00e7a e dois refugiados unem seus temores. Charlotte considerava Nagler, austr\u00edaco que fugiu dos nazistas atravessando os Alpes, apenas um amigo que n\u00e3o sabia o que fazer com ele: que mais poderia acontecer num encontro de dois seres silenciosos? Se amava o mesmo homem para sempre? Fazia anos que ningu\u00e9m a tocava. Passaram a conversar ami\u00fade. Ela n\u00e3o se lembra de realmente ter sido uma mulher, em que um homem a desejasse, a tivesse em seus bra\u00e7os e a apertasse contra seu peito. Inconscientemente ela proibia a si mesma tudo o que tomasse aspecto de desejo. O casal se tornara cada vez mais pr\u00f3ximo. Era uma jovem de 26 anos. Sempre havia comparado seu corpo a uma muralha, a \u00fanica arma para se proteger. Se beijaram, embora alguma coisa no desejo dele a desagradasse. At\u00e9 que ela cedeu.<br \/>\nCharlotte come\u00e7ou a sentir vertigens e a enjoar. Uma vida se infiltrara nela. Sim, ela estava gr\u00e1vida. Nagler ficou louco de felicidade, enquanto ela ainda precisava de um tempo para admitir que poderia ter uma vida feliz com um homem e um beb\u00ea. Ele queria se casar e oficializar o amor, declar\u00e1-lo abertamente num mundo onde era necess\u00e1rio se esconder, tornar p\u00fablico na documenta\u00e7\u00e3o oficial ser judeu e fornecer seu endere\u00e7o &#8211; chega um momento em que n\u00e3o se suporta mais n\u00e3o existir. Sentiam-se em seguran\u00e7a, protegidos pela ocupa\u00e7\u00e3o italiana, que n\u00e3o praticava a pol\u00edtica da solu\u00e7\u00e3o final, com os judeus afluindo a Nice e arredores.<br \/>\nPor\u00e9m, em 8 de setembro de 1943, os italianos se renderam \u00e0s for\u00e7as aliadas. Os alem\u00e3es assumiram a defesa da It\u00e1lia, at\u00e9 para retardar o contragolpe direcionado a tirar a Europa das m\u00e3os do nazifascismo. Os judeus deviam e iam pagar caro por essa derrota. Um comando de ca\u00e7a foi recrutado na SS (organiza\u00e7\u00e3o paramilitar do nazismo) para liquidar com o \u00fanico ref\u00fagio acess\u00edvel da Europa. Os interrogat\u00f3rios, de uma brutalidade \u00edmpar, obrigavam os detentos a entregarem outros membros da fam\u00edlia &#8211; cada judeu a mais era importante. Mulheres bonitas eram imediatamente esterilizadas para serem enviadas ao front e servirem de prostitutas aos soldados. Alguns tentaram fugir alcan\u00e7ando a It\u00e1lia pelas montanhas; imposs\u00edvel para Nagler, que puxava de uma perna, e Charlotte, gr\u00e1vida de quatro meses. Cartas de den\u00fancia chegavam em massa atr\u00e1s de gordas recompensas, ainda havia franceses colaboracionistas prontos a prestar servi\u00e7os. Bom par de anos que Charlotte morava ali, todo mundo a conhecia, verdade que o casal era discreto, sen\u00e3o eremita, mas um pequeno interrogat\u00f3rio cairia bem numa mo\u00e7a um pouco estranha. Quando os soldados a dominaram para lev\u00e1-la, Nagler se deu conta de que n\u00e3o podia deix\u00e1-la partir com o filho deles e alertou-os: \u201ceu tamb\u00e9m sou judeu, levem-me!\u201d.<br \/>\nForam embarcados num trem, dire\u00e7\u00e3o Auschwitz, junto com loucos e velhos arrebatados de asilos, amontoados que nem gado; ai de quem fugisse ou reagisse, o vag\u00e3o todo seria executado. Nagler j\u00e1 padecia de uma \u00falcera que lhe corro\u00eda o est\u00f4mago e Charlotte temia que durante a longa viagem o beb\u00ea morresse. Os deportados desceram do trem esgotados e esfomeados, a neblina matinal impedia de se ver o campo de concentra\u00e7\u00e3o, nem mesmo os c\u00e3es que latiam. Apenas distinguiam uma inscri\u00e7\u00e3o acima do port\u00e3o de entrada: o trabalho liberta. Nagler viria a morrer de fraqueza. Charlotte entraria num pavilh\u00e3o, acompanhada de outras mulheres e crian\u00e7as, onde se lia que iriam tomar banho. Deviam se despir, pendurar as roupas num gancho na parede e memorizar o n\u00famero de seu cabide, at\u00e9 que as portas fossem bem trancadas, como numa pris\u00e3o, e, do teto, despejado o g\u00e1s que, inalado, as converteriam em n\u00fameros somados \u00e0 solu\u00e7\u00e3o final.<br \/>\nQuatro meses antes, o pai de Charlotte e a madrasta foram detidos na Holanda, sendo solicitado ao m\u00e9dico que esterilizasse mulheres judias e sobretudo as oriundas de casamentos mistos. Conseguiram fugir e ficaram escondidos at\u00e9 o final da guerra, quando tomaram conhecimento da morte de Charlotte. Arrasados, se sentiram culpados por t\u00ea-la mandado para a Fran\u00e7a aos cuidados dos av\u00f3s. Choque maior foi descobrir que ela estava gr\u00e1vida e seu neto, no ventre, assassinado junto com a m\u00e3e em Auschwitz. At\u00e9 que lhes chegou \u00e0s m\u00e3os o legado de Charlotte, Vida? Ou Teatro?, uma vida em forma de obra, pondo-se a examinar os seus desenhos durante horas e notando que as lembran\u00e7as iam de novo ganhando vida, podendo ouvir a voz de sua filhinha, ali entre eles, de quem haviam se distanciado desde 1939.<br \/>\nComo Alfred reagiria ao se deparar com Charlotte casada e gr\u00e1vida? Se n\u00e3o deviam ter se encontrado a s\u00f3s mais do que tr\u00eas vezes! Nisso se constitu\u00eda toda a beleza do projeto de Charlotte, at\u00e9 onde era vida? At\u00e9 onde ia sua imagina\u00e7\u00e3o e o teatro entrava em cena? Quem poderia saber a verdade? Alfred foi para Londres em 1940, de onde nunca mais saiu. N\u00e3o queria mais ouvir falar da Alemanha. Atravessou os anos 1950 procurando se livrar da ang\u00fastia de ser um morto dentre os vivos, at\u00e9 que a madrasta de Charlotte o localizou em 1961 e enviou o cat\u00e1logo da primeira exposi\u00e7\u00e3o da obra de Charlotte, acompanhado de uma brochura com nota biogr\u00e1fica &#8211; converter-se-ia em livro traduzido em v\u00e1rias l\u00ednguas e sua pintura disseminada pela Europa e Estados Unidos.<br \/>\nO sentimento de devasta\u00e7\u00e3o por se inteirar da morte de Charlotte e de suas circunst\u00e2ncias, quase 20 anos depois, n\u00e3o obstou seu fasc\u00ednio pela originalidade total do formato da obra, al\u00e9m do seu aspecto emocional, compreendendo sua dimens\u00e3o autobiogr\u00e1fica \u00e0 medida que folheava as p\u00e1ginas do livro, at\u00e9 se descobrir. Um desenho, dois, o seu rosto por toda parte. Bem como as suas palavras, teorias, todas as conversas que haviam tido, uma verdadeira obsess\u00e3o pela hist\u00f3ria dos dois, sequer imaginando ter tamanha influ\u00eancia sobre ela.<br \/>\nO que redundou numa prostra\u00e7\u00e3o por v\u00e1rios dias, permanecendo deitado num sof\u00e1 com os olhos abertos, pre\u00e2mbulo de sua morte um ano depois, trajado de terno na cama, como se estivesse de partida para uma longa viagem, e com a brochura da exposi\u00e7\u00e3o de Charlotte Salomon guardada no bolso interno perto do cora\u00e7\u00e3o. O seu aspecto formal e circunspecto simbolizava que estava perfeitamente ciente da import\u00e2ncia do encontro em esp\u00edrito que, em breve, resgataria o que n\u00e3o p\u00f4de ser materializado na exist\u00eancia do casal, abrindo espa\u00e7o para uma lenda inspirada em Vida? Ou Teatro? ao se distanciar completamente do que seria a vida real, que bem podia sinalizar a extin\u00e7\u00e3o do estigma da cadeia de suic\u00eddios na fam\u00edlia de Charlotte com o Holocausto tomando o lugar da sucess\u00e3o de trag\u00e9dias.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Filha \u00fanica de uma abastada fam\u00edlia judia de Berlim, a pintora Charlotte Salomon nasceu em 1917 para dar curso a uma exist\u00eancia pontuada por uma sucess\u00e3o de suic\u00eddios e trag\u00e9dias em seu c\u00edrculo familiar. 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