﻿{"id":105672,"date":"2020-11-02T00:01:00","date_gmt":"2020-11-02T02:01:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornaldugaio.com.br\/?p=105672"},"modified":"2023-05-12T19:30:42","modified_gmt":"2023-05-12T22:30:42","slug":"albert-camus-a-nu","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornaldugaio.com.br\/index.php\/albert-camus-a-nu\/","title":{"rendered":"ALBERT CAMUS A NU"},"content":{"rendered":"<div class=\"fsc_text\">\n<p>Albert Camus, escritor, fil\u00f3sofo, romancista, dramaturgo, jornalista, poeta e ensa\u00edsta franco-argelino, desenvolveu em sua trajet\u00f3ria um humanismo baseado na consci\u00eancia do absurdo da condi\u00e7\u00e3o humana e na revolta como resposta a essa constata\u00e7\u00e3o. Para Camus, essa revolta leva \u00e0 a\u00e7\u00e3o e fornece sentido ao mundo e \u00e0 exist\u00eancia. O absurdo como estandarte, j\u00e1 observado por escritores que o precederam, tais como Kafka e Dostoi\u00e9vski, e contempor\u00e2neos como Beckett e Ionesco. O humanismo de seus escritos foi fundamentado na experi\u00eancia de alguns dos piores momentos da Hist\u00f3ria do s\u00e9culo XX, Camus como testemunha ocular.<br>Pr\u00eamio Nobel de Literatura em 1957, ao longo de sua carreira, envolveu-se em diversas causas sociais, protestando veementemente contra o regime colonialista franc\u00eas, que n\u00e3o permitia aos seus conterr\u00e2neos pied noir votarem nem terem direito ao tratamento m\u00e9dico na Arg\u00e9lia. Entrou em choque com a ocupa\u00e7\u00e3o alem\u00e3 na Fran\u00e7a quando para l\u00e1 se mudou no in\u00edcio da 2\u00aa Guerra Mundial, defendendo os exilados espanh\u00f3is antifascistas e as v\u00edtimas do stalinismo. A sua cr\u00edtica ao totalitarismo sovi\u00e9tico rendeu-lhe diversas retalia\u00e7\u00f5es e culminou na desaven\u00e7a intelectual com seu antigo colega Jean-Paul Sartre, em 1952, quando se op\u00f4s ao existencialismo e ao marxismo &#8211; intransigente, recusou qualquer filia\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica. Afirmara &#8220;sem liberdade, nada pode existir&#8221;, ganhando assim a inimizade de stalinistas e de simpatizantes dos comunistas.<br>A sua fam\u00edlia n\u00e3o via com bons olhos o fato de o menino Albert Camus, sendo pobre, seguir para a escola secund\u00e1ria. Ele sabia que precisavam da renda do seu trabalho e, portanto, deveria ter um of\u00edcio que logo trouxesse frutos. Mas foi ajudado por mentores que financiaram sua educa\u00e7\u00e3o por se tratar de um fen\u00f4meno na intelig\u00eancia. A sua disserta\u00e7\u00e3o de mestrado foi sobre neoplatonismo e a sua tese de doutoramento, sobre Santo Agostinho. <br>Camus fumava desbragadamente e era tuberculoso. A doen\u00e7a lhe deu a real dimens\u00e3o da possibilidade de morrer a cada dia que o sol se p\u00f5e, o que foi fundamental no desenvolvimento de sua obra filos\u00f3fico-liter\u00e1ria. Albert Camus morreu em janeiro de 1960, aos 46 anos, v\u00edtima de um acidente de autom\u00f3vel dirigido por seu editor Michel Gallimard, que se espatifou contra uma \u00e1rvore. Apenas Camus morreu na hora. Para evitar o desgosto do luto, o cachorro resolveu desaparecer.<br>Na sua maleta trazia os originais de O Primeiro Homem, um romance autobiogr\u00e1fico. Por ironia do destino, nas notas ao texto, ele assinala que aquele romance deveria ficar inacabado &#8211; enquanto estivesse vivo, uma obra em aberto, s\u00f3 findando com sua morte, quando j\u00e1 n\u00e3o mais estaria aqui para prolatar seu epit\u00e1fio. Camus dizia com frequ\u00eancia que nada era mais escandaloso do que a morte de uma crian\u00e7a e nada mais absurdo do que morrer num acidente de autom\u00f3vel.<br>Dentre suas obras que causaram maior impacto, O estrangeiro e A peste, O Mito de S\u00edsifo, O homem revoltado, al\u00e9m de A queda, O artista na pris\u00e3o e Reflex\u00f5es sobre a guilhotina. \u201cO que fazer para ser uma outra pessoa? Quando \u00e9 preciso mudar, n\u00e3o existe outra escolha, sen\u00e3o deixamos de amar a vida, desperdi\u00e7ando a energia que carrega a nossa luz pr\u00f3pria, a santa inoc\u00eancia de perdoar a n\u00f3s pr\u00f3prios. N\u00e3o sendo vista nem reconhecida minha carreira de falso profeta, gritando no deserto de ideias e se recusando de l\u00e1 sair, sempre confrontado com as mesmas quest\u00f5es. Tarde demais. A queda j\u00e1 se faz sentir, irremediavelmente. Ainda bem, eu j\u00e1 havia me cansado de me manter em p\u00e9\u201d &#8211; em adapta\u00e7\u00e3o livre.  <\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Albert Camus, escritor, fil\u00f3sofo, romancista, dramaturgo, jornalista, poeta e ensa\u00edsta franco-argelino, desenvolveu em sua trajet\u00f3ria um humanismo baseado na consci\u00eancia do absurdo da condi\u00e7\u00e3o humana e na revolta como resposta a essa constata\u00e7\u00e3o. Para Camus, essa revolta leva \u00e0 a\u00e7\u00e3o e fornece sentido ao mundo e \u00e0 exist\u00eancia. 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