﻿{"id":106481,"date":"2021-11-01T00:12:00","date_gmt":"2021-11-01T03:12:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornaldugaio.com.br\/?p=106481"},"modified":"2021-10-31T20:13:24","modified_gmt":"2021-10-31T23:13:24","slug":"o-que-costuma-matar-o-amor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornaldugaio.com.br\/index.php\/o-que-costuma-matar-o-amor\/","title":{"rendered":"O QUE COSTUMA MATAR O AMOR"},"content":{"rendered":"<div class=\"fsc_text\">\n<p>O amor n\u00e3o morre de uma hora para outra. Primeiro, ele se cansa. In\u00fameras vezes! Depois se refugia em algum desv\u00e3o da alma tentando se esconder do t\u00e9dio no qual a repeti\u00e7\u00e3o incessante de maus h\u00e1bitos costuma matar os relacionamentos. Fazendo desaparecer a musicalidade que deve reger o sentimento. O fato de n\u00e3o haver mais como surpreender o seu par costuma matar o amor. N\u00e3o haver mais mist\u00e9rios \u00e9 letal para o amor.<br>No entanto, n\u00e3o cabe confundir fadiga com desamor. Cansar de sempre fazer as mesmas coisas, repisar os mesmos carinhos, utilizar as mesmas palavras, sujeitas a eco, ir aos mesmos lugares, n\u00e3o mudar nunca, isso at\u00e9 segue uma tend\u00eancia natural quando acontece. Agora, se come\u00e7ar a rarear a magia, o amor for perdendo o seu encanto, o sabor do beijo ir se despedindo, o casal n\u00e3o mais transcender e o inesperado n\u00e3o mais se fazer presente, tudo isso demonstra em que consiste essa t\u00e3o estranha palavra desamor.<br>Como n\u00e3o h\u00e1 mais nada a conquistar, muitos se acomodam e outros se encaminham para aventuras, querendo, a todo custo, se redescobrir vivos, procurando reencontrar o que julgavam perdido: o prazer do arrebatamento, o susto do cora\u00e7\u00e3o bater aceleradamente diante de algu\u00e9m e o sono perdido em sonhos intermin\u00e1veis, sem saber se despertos ou dormindo, onde os desejos borbulham efervescentes, a comprovar sua raz\u00e3o de ser.<br>\u00c9 poss\u00edvel uma vida sem amor? Ou com amor adormecido?  Ou, esgotadas certas etapas, permitir que o amor durma? Enquanto voc\u00ea est\u00e1 acordado sem saber o que fazer da vida. H\u00e1 que despertar o amor antes que seja tarde? O homem se autoindaga. Reconquistar \u00e9 uma tarefa muito mais \u00e1rdua do que conquistar, pois vai exigir um esfor\u00e7o muito maior. Cansa s\u00f3 de pensar.<br>O mito de S\u00edsifo \u00e9 um ensaio filos\u00f3fico escrito por Albert Camus, em 1941. Atrav\u00e9s de S\u00edsifo, o homem foi castigado, ap\u00f3s a morte, a eternamente rolar uma pedra montanha acima. Sua tarefa n\u00e3o terminava nunca pois, uma vez alcan\u00e7ado o cume da montanha, o pedregulho descia ladeira abaixo sem que pudesse impedir. O castigo de S\u00edsifo, de fato, se deveu a n\u00e3o aceitar sua condi\u00e7\u00e3o de um simples mortal e levar uma exist\u00eancia sem sentido, embora, por vezes, revestida de glamour, n\u00e3o tendo a coragem de descer ao seu inferno pessoal, em sua miserabilidade humana e l\u00e1 encontrar seu verdadeiro tesouro: o amor em todas as dimens\u00f5es.<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O amor n\u00e3o morre de uma hora para outra. Primeiro, ele se cansa. In\u00fameras vezes! Depois se refugia em algum desv\u00e3o da alma tentando se esconder do t\u00e9dio no qual a repeti\u00e7\u00e3o incessante de maus h\u00e1bitos costuma matar os relacionamentos. Fazendo desaparecer a musicalidade que deve reger o sentimento. 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