﻿{"id":109114,"date":"2024-01-08T00:39:00","date_gmt":"2024-01-08T03:39:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornaldugaio.com.br\/?p=109114"},"modified":"2024-01-07T20:40:59","modified_gmt":"2024-01-07T23:40:59","slug":"a-fe-diante-da-pandemia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornaldugaio.com.br\/index.php\/a-fe-diante-da-pandemia\/","title":{"rendered":"A F\u00c9 DIANTE DA PANDEMIA"},"content":{"rendered":"<div class=\"fsc_text\">\n<p>Ent\u00e3o seria a Terra um mundo de expia\u00e7\u00e3o na qual o mal predomina? Teria Deus voluntariamente condenado \u00e0 desgra\u00e7a e \u00e0s penas eternas a maioria de suas criaturas? Por que tantos entraves no caminho? Mas de quais faltas esta Humanidade seria culpada para merecer uma sorte t\u00e3o triste? Se a sorte da alma est\u00e1 definitivamente estabelecida ap\u00f3s a morte.<br>Os disc\u00edpulos de Jesus o questionavam: \u201cPor que falais por par\u00e1bolas?\u201d. Porque, ao ver, nada veem, e, ao ouvir, nada entendem nem compreendem. Por n\u00e3o estudar suficientemente a ci\u00eancia do Espiritismo, aumenta o medo do desconhecido e das coisas que ouve e n\u00e3o entende plenamente. Quem nada v\u00ea e n\u00e3o exercita a mente, n\u00e3o se interessando pelo que seremos um dia em esp\u00edrito, a cada p\u00f4r do sol vai perdendo o que ainda n\u00e3o possui. Tal como o sonho ser uma maneira de mostrar nossa alma em atividade em outros mundos, em outra vida que n\u00e3o a terrena, em outro padr\u00e3o de energia. Ou, de outro modo, quando acordamos do sonho, o esp\u00edrito parece se resignar a uma posi\u00e7\u00e3o secund\u00e1ria, para dar espa\u00e7o \u00e0s coisas ligadas \u00e0s quest\u00f5es materiais, condicionadas \u00e0s regras da Terra. Nada mais natural, ao morrer algu\u00e9m conhecido, as crian\u00e7as pedirem para acender a luz do abajur, antes de dormirem, prevendo o embate que ir\u00e1 se travar em sua imagina\u00e7\u00e3o.<br>Pois eu vos digo, Jesus assinala que, em verdade, se tiv\u00e9sseis f\u00e9, dir\u00edeis a esta montanha para se transportar daqui at\u00e9 l\u00e1, e ela se moveria. As montanhas s\u00e3o as dificuldades, as resist\u00eancias, a m\u00e1 vontade, complementadas pelo interesse material. A que se somam o ego\u00edsmo, a cegueira do fanatismo, o orgulho da paix\u00e3o e o preconceito rotineiro, que tamb\u00e9m barram o caminho de todo aquele que trabalha pelo progresso da Humanidade.<br>O preconceito personifica-se em antiquadas e ultrapassadas opini\u00f5es sobre tudo e sobre todos. Seu autoritarismo prima por julgar os outros o tempo todo, s\u00f3 enxergando desafetos por todos os lados, para restar numa extrema solid\u00e3o. O mal que o preconceituoso provoca em si mesmo e nos outros transcende esse mundo e trar\u00e1 consequ\u00eancias em outras vidas. Pois o preconceito torna m\u00edope a nossa vis\u00e3o e o cora\u00e7\u00e3o mais duro, e nos faz incapazes de acolher o bem e a verdade de cada um. Preferem fincar o p\u00e9 naquilo que pensam que sabem, no que est\u00e1 pr\u00e9-definido e tabulado, desprezando a atualiza\u00e7\u00e3o e a necessidade de mudan\u00e7as. N\u00e3o suportam a coexist\u00eancia das diferen\u00e7as, a pluralidade de opini\u00f5es e posi\u00e7\u00f5es.<br>Quanto \u00e0 f\u00e9, o lugar comum \u00e9 a cren\u00e7a nos dogmas particulares que constituem as verdadeiras religi\u00f5es. A f\u00e9 pode ser raciocinada ou cega, segundo Allan Kardec. A f\u00e9 cega nada examina, aceita sem atestar tanto o falso como o verdadeiro e choca-se, a cada passo, com a evid\u00eancia e a raz\u00e3o. Em excesso, leva ao fanatismo e ao descompasso com o progresso dos conhecimentos.<br>Embora deva se reconhecer que, na pr\u00e1tica, cada religi\u00e3o pretende se investir da posse exclusiva da verdade e impor a f\u00e9 cega. O que significa confessar sua impot\u00eancia no af\u00e3 de demonstrar que est\u00e1 com a raz\u00e3o. E, vulgarmente falando, f\u00e9 n\u00e3o se receita, e muito menos se imp\u00f5e.<br>Ningu\u00e9m est\u00e1 impedido de possuir uma f\u00e9, nem mesmo entre os que mais lhe resistem, mas o fato \u00e9 que os incr\u00e9dulos n\u00e3o conseguem. Se as provas s\u00e3o muitas ao redor deles, por que, ent\u00e3o, se recusam a v\u00ea-las? Indiferen\u00e7a nuns, noutros, medo de serem for\u00e7ados a mudar seus h\u00e1bitos, na maioria, orgulho, negando-se a reconhecer uma for\u00e7a que lhes \u00e9 superior, j\u00e1 que teriam de abrir m\u00e3o de velhos caprichos que exacerbam nossa personalidade, acostumados ao exclusivismo e ao desperd\u00edcio de energias sagradas, quando j\u00e1 dever\u00edamos ter alcan\u00e7ado o sublime servi\u00e7o referente \u00e0 nossa pr\u00f3pria edifica\u00e7\u00e3o.<br>Por outro lado, em certas pessoas a f\u00e9 \u00e9 inata, bastando uma fa\u00edsca para desenvolv\u00ea-la, sinal evidente de progresso advindo de vidas passadas. J\u00e1 acreditaram e compreenderam, trazendo ao renascerem a intui\u00e7\u00e3o do que sabiam. O contr\u00e1rio significa naturezas em atraso, assimila\u00e7\u00e3o com dificuldade, educa\u00e7\u00e3o por fazer, e o ser\u00e1, se n\u00e3o nesta encarna\u00e7\u00e3o, numa outra.<br>A resist\u00eancia ao que n\u00e3o cr\u00ea se deve menos a ele do que \u00e0 maneira como se lhe apresentam as coisas. A f\u00e9 necessita de uma base, e essa base \u00e9 a compreens\u00e3o perfeita daquilo em que se deve acreditar. E, para acreditar, n\u00e3o basta ver para crer; \u00e9 preciso, sobretudo, compreender.<br>A f\u00e9 cega n\u00e3o pertence mais a este tempo. \u00c9 justamente o dogma da f\u00e9 cega que produz hoje o maior n\u00famero dos incr\u00e9dulos, por ela querer se impor exigindo a ren\u00fancia ao racioc\u00ednio e ao livre-arb\u00edtrio, preciosos dons do Esp\u00edrito. Ao n\u00e3o admitir provas, ela deixa no Esp\u00edrito um vazio, da\u00ed nascendo a d\u00favida. A f\u00e9 raciocinada, aquela que se apoia nos fatos e na l\u00f3gica, n\u00e3o deixa atr\u00e1s de si nenhuma d\u00favida, j\u00e1 que se acredita porque se tem a certeza, e s\u00f3 se tem a certeza quando se compreendeu.<br>Somente \u00e9 inabal\u00e1vel a f\u00e9 que pode encarar a raz\u00e3o face a face em todas as \u00e9pocas da Humanidade, segundo Allan Kardec. Em conson\u00e2ncia com o objetivo de Deus ao outorgar a todos os seres vivos o instinto de conserva\u00e7\u00e3o, seja qual for o grau de sua intelig\u00eancia &#8211; em alguns, bem concatenado em sua linha de racioc\u00ednio, em outros, puramente maquinal, autom\u00e1tico, inconsciente. O instinto de conserva\u00e7\u00e3o se deve \u00e0 necessidade de cumprirmos a miss\u00e3o que nos foi destinada, segundo os des\u00edgnios da Provid\u00eancia, da\u00ed sendo imprescind\u00edvel a vontade de viver sob toda e qualquer perspectiva ou ocasi\u00e3o, mesmo diante de uma pandemia ou at\u00e9 mesmo holocausto, pois o aperfei\u00e7oamento dos seres \u00e9 condi\u00e7\u00e3o essencial para a Humanidade avan\u00e7ar.<br>Ainda que sintam o esp\u00edrito de conserva\u00e7\u00e3o instintivamente, sem disso se aperceberem, o que pode ser observado quando o suicida no ato final, aproveitando o g\u00e1s que lhe resta, procura angustiadamente por uma sa\u00edda para sobreviver, dando alguns passos ou mesmo engatinhando ou at\u00e9 se arrastando, sinal comprobat\u00f3rio do instinto de conserva\u00e7\u00e3o. E, no mais solit\u00e1rio dos gestos, a dificuldade de nos unirmos para combater o mal comum.<\/p>\n\n\n\n<p>A F\u00c9 DIANTE DA PANDEMIA<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00e9rie Espiritualidade<\/p>\n\n\n\n<p>8 de janeiro de 2024<\/p>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o seria a Terra um mundo de expia\u00e7\u00e3o na qual o mal predomina? Teria Deus voluntariamente condenado \u00e0 desgra\u00e7a e \u00e0s penas eternas a maioria de suas criaturas? Por que tantos entraves no caminho? Mas de quais faltas esta Humanidade seria culpada para merecer uma sorte t\u00e3o triste? Se a sorte da alma est\u00e1 definitivamente estabelecida ap\u00f3s a morte.<br>Os disc\u00edpulos de Jesus o questionavam: \u201cPor que falais por par\u00e1bolas?\u201d. Porque, ao ver, nada veem, e, ao ouvir, nada entendem nem compreendem. Por n\u00e3o estudar suficientemente a ci\u00eancia do Espiritismo, aumenta o medo do desconhecido e das coisas que ouve e n\u00e3o entende plenamente. Quem nada v\u00ea e n\u00e3o exercita a mente, n\u00e3o se interessando pelo que seremos um dia em esp\u00edrito, a cada p\u00f4r do sol vai perdendo o que ainda n\u00e3o possui. Tal como o sonho ser uma maneira de mostrar nossa alma em atividade em outros mundos, em outra vida que n\u00e3o a terrena, em outro padr\u00e3o de energia. Ou, de outro modo, quando acordamos do sonho, o esp\u00edrito parece se resignar a uma posi\u00e7\u00e3o secund\u00e1ria, para dar espa\u00e7o \u00e0s coisas ligadas \u00e0s quest\u00f5es materiais, condicionadas \u00e0s regras da Terra. Nada mais natural, ao morrer algu\u00e9m conhecido, as crian\u00e7as pedirem para acender a luz do abajur, antes de dormirem, prevendo o embate que ir\u00e1 se travar em sua imagina\u00e7\u00e3o.<br>Pois eu vos digo, Jesus assinala que, em verdade, se tiv\u00e9sseis f\u00e9, dir\u00edeis a esta montanha para se transportar daqui at\u00e9 l\u00e1, e ela se moveria. As montanhas s\u00e3o as dificuldades, as resist\u00eancias, a m\u00e1 vontade, complementadas pelo interesse material. A que se somam o ego\u00edsmo, a cegueira do fanatismo, o orgulho da paix\u00e3o e o preconceito rotineiro, que tamb\u00e9m barram o caminho de todo aquele que trabalha pelo progresso da Humanidade.<br>O preconceito personifica-se em antiquadas e ultrapassadas opini\u00f5es sobre tudo e sobre todos. Seu autoritarismo prima por julgar os outros o tempo todo, s\u00f3 enxergando desafetos por todos os lados, para restar numa extrema solid\u00e3o. O mal que o preconceituoso provoca em si mesmo e nos outros transcende esse mundo e trar\u00e1 consequ\u00eancias em outras vidas. Pois o preconceito torna m\u00edope a nossa vis\u00e3o e o cora\u00e7\u00e3o mais duro, e nos faz incapazes de acolher o bem e a verdade de cada um. Preferem fincar o p\u00e9 naquilo que pensam que sabem, no que est\u00e1 pr\u00e9-definido e tabulado, desprezando a atualiza\u00e7\u00e3o e a necessidade de mudan\u00e7as. N\u00e3o suportam a coexist\u00eancia das diferen\u00e7as, a pluralidade de opini\u00f5es e posi\u00e7\u00f5es.<br>Quanto \u00e0 f\u00e9, o lugar comum \u00e9 a cren\u00e7a nos dogmas particulares que constituem as verdadeiras religi\u00f5es. A f\u00e9 pode ser raciocinada ou cega, segundo Allan Kardec. A f\u00e9 cega nada examina, aceita sem atestar tanto o falso como o verdadeiro e choca-se, a cada passo, com a evid\u00eancia e a raz\u00e3o. Em excesso, leva ao fanatismo e ao descompasso com o progresso dos conhecimentos.<br>Embora deva se reconhecer que, na pr\u00e1tica, cada religi\u00e3o pretende se investir da posse exclusiva da verdade e impor a f\u00e9 cega. O que significa confessar sua impot\u00eancia no af\u00e3 de demonstrar que est\u00e1 com a raz\u00e3o. E, vulgarmente falando, f\u00e9 n\u00e3o se receita, e muito menos se imp\u00f5e.<br>Ningu\u00e9m est\u00e1 impedido de possuir uma f\u00e9, nem mesmo entre os que mais lhe resistem, mas o fato \u00e9 que os incr\u00e9dulos n\u00e3o conseguem. Se as provas s\u00e3o muitas ao redor deles, por que, ent\u00e3o, se recusam a v\u00ea-las? Indiferen\u00e7a nuns, noutros, medo de serem for\u00e7ados a mudar seus h\u00e1bitos, na maioria, orgulho, negando-se a reconhecer uma for\u00e7a que lhes \u00e9 superior, j\u00e1 que teriam de abrir m\u00e3o de velhos caprichos que exacerbam nossa personalidade, acostumados ao exclusivismo e ao desperd\u00edcio de energias sagradas, quando j\u00e1 dever\u00edamos ter alcan\u00e7ado o sublime servi\u00e7o referente \u00e0 nossa pr\u00f3pria edifica\u00e7\u00e3o.<br>Por outro lado, em certas pessoas a f\u00e9 \u00e9 inata, bastando uma fa\u00edsca para desenvolv\u00ea-la, sinal evidente de progresso advindo de vidas passadas. J\u00e1 acreditaram e compreenderam, trazendo ao renascerem a intui\u00e7\u00e3o do que sabiam. O contr\u00e1rio significa naturezas em atraso, assimila\u00e7\u00e3o com dificuldade, educa\u00e7\u00e3o por fazer, e o ser\u00e1, se n\u00e3o nesta encarna\u00e7\u00e3o, numa outra.<br>A resist\u00eancia ao que n\u00e3o cr\u00ea se deve menos a ele do que \u00e0 maneira como se lhe apresentam as coisas. A f\u00e9 necessita de uma base, e essa base \u00e9 a compreens\u00e3o perfeita daquilo em que se deve acreditar. E, para acreditar, n\u00e3o basta ver para crer; \u00e9 preciso, sobretudo, compreender.<br>A f\u00e9 cega n\u00e3o pertence mais a este tempo. \u00c9 justamente o dogma da f\u00e9 cega que produz hoje o maior n\u00famero dos incr\u00e9dulos, por ela querer se impor exigindo a ren\u00fancia ao racioc\u00ednio e ao livre-arb\u00edtrio, preciosos dons do Esp\u00edrito. Ao n\u00e3o admitir provas, ela deixa no Esp\u00edrito um vazio, da\u00ed nascendo a d\u00favida. A f\u00e9 raciocinada, aquela que se apoia nos fatos e na l\u00f3gica, n\u00e3o deixa atr\u00e1s de si nenhuma d\u00favida, j\u00e1 que se acredita porque se tem a certeza, e s\u00f3 se tem a certeza quando se compreendeu.<br>Somente \u00e9 inabal\u00e1vel a f\u00e9 que pode encarar a raz\u00e3o face a face em todas as \u00e9pocas da Humanidade, segundo Allan Kardec. Em conson\u00e2ncia com o objetivo de Deus ao outorgar a todos os seres vivos o instinto de conserva\u00e7\u00e3o, seja qual for o grau de sua intelig\u00eancia &#8211; em alguns, bem concatenado em sua linha de racioc\u00ednio, em outros, puramente maquinal, autom\u00e1tico, inconsciente. O instinto de conserva\u00e7\u00e3o se deve \u00e0 necessidade de cumprirmos a miss\u00e3o que nos foi destinada, segundo os des\u00edgnios da Provid\u00eancia, da\u00ed sendo imprescind\u00edvel a vontade de viver sob toda e qualquer perspectiva ou ocasi\u00e3o, mesmo diante de uma pandemia ou at\u00e9 mesmo holocausto, pois o aperfei\u00e7oamento dos seres \u00e9 condi\u00e7\u00e3o essencial para a Humanidade avan\u00e7ar.<br>Ainda que sintam o esp\u00edrito de conserva\u00e7\u00e3o instintivamente, sem disso se aperceberem, o que pode ser observado quando o suicida no ato final, aproveitando o g\u00e1s que lhe resta, procura angustiadamente por uma sa\u00edda para sobreviver, dando alguns passos ou mesmo engatinhando ou at\u00e9 se arrastando, sinal comprobat\u00f3rio do instinto de conserva\u00e7\u00e3o. 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