﻿{"id":109399,"date":"2024-03-15T13:42:19","date_gmt":"2024-03-15T16:42:19","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornaldugaio.com.br\/?p=109399"},"modified":"2024-03-16T21:48:31","modified_gmt":"2024-03-17T00:48:31","slug":"e-de-proposito-9-o-saber-de-outras-vidas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornaldugaio.com.br\/index.php\/e-de-proposito-9-o-saber-de-outras-vidas\/","title":{"rendered":"\u00c9 DE PROP\u00d3SITO: 9 &#8211; O SABER DE OUTRAS VIDAS"},"content":{"rendered":"<div class=\"fsc_text\">\n<p>Eu nasci simples, amorosa. Sempre acreditando no melhor at\u00e9 de quem n\u00e3o parecia querer mostrar o seu lado bom. Durante muito tempo fui chamada de ot\u00e1ria, uma ing\u00eanua boba. Eu fui criada a duvidar do que a raz\u00e3o n\u00e3o explica. Mas tamb\u00e9m fui educada a questionar tudo e todos, inclusive a mim mesma.<\/p>\n\n\n\n<p>Eu fui levada, sem sentir, sem que meus condutores mesmo percebessem, a n\u00e3o ouvir a voz mais forte, a de dentro. Ela foi progressivamente abafada, at\u00e9 ficar em sil\u00eancio, como muitas de mim por a\u00ed. Quem nunca? Como minhas antecessoras em suas dores. Meus antepassados, minhas ra\u00edzes.<\/p>\n\n\n\n<p>Eu fui muito amada. Gra\u00e7as a Deus, ainda sou. Mas at\u00e9 que ponto nos vale o amor, quando somos diferentes da manada, e falo eu apenas por mim, quando me acostumei a me culpar, a me achar errada pelo que sou?<\/p>\n\n\n\n<p>E enquanto escrevo isso, me vem \u00e0 cabe\u00e7a aquele bando de gente da internet j\u00e1 criticando nada construtivamente: \u201cAh, coitadinha! A pobre menina h\u00e9tero branca rica, que n\u00e3o sabe o que \u00e9 problema!\u201d N\u00e3o sou rica, mas n\u00e3o nasci num meio com dificuldades financeiras, nem nunca passei fome, racismo ou homofobia, o que por si s\u00f3 j\u00e1 \u00e9 um privil\u00e9gio, mas, voltando. N\u00e3o \u00e9 disso que estou falando, sabe? Eu tenho plena consci\u00eancia dos meus privil\u00e9gios e at\u00e9 me culpo por isso, mas o meu foco aqui passa justamente por a\u00ed: por que vivemos todos t\u00e3o culpados, competindo por traumas, por quem sofreu mais, por quem \u00e9 mais bonito, mais magro, mais exclu\u00eddo, mais, mais, cada vez mais? Ser\u00e1 que n\u00e3o vemos que somos (eu me incluo, n\u00e3o sou menos nem mais que ningu\u00e9m) um coletivo doente por inteiro e, separadamente, um por um?<\/p>\n\n\n\n<p>Os esp\u00edritas dizem que, nos primeiros anos da inf\u00e2ncia, os esp\u00edritos ainda lembram das vidas passadas. E faz sentido. Eu era t\u00e3o madura e equilibrada, dentro da minha pr\u00f3pria suposta loucura, que desconfio que reencarnamos conscientes de tudo que aprendemos em outras vidas, mas, dependendo do entorno (fam\u00edlia e sociedade) e de como reagimos ao que nos acontece, vamos nos infantilizado. Na medida em que vamos entrando nas caixas onde nos empacotam. Viramos produtos do meio.<\/p>\n\n\n\n<p>Esta s\u00e9rie de textos \u00e9 meio que sobre isso. Porque \u00e9 um meio de eu me transbordar e, do jeito que est\u00e1 dando pra desaguar, n\u00e3o tem plano, nem roteiro. Sigo rimando muitas vezes, improvisando o tempo inteiro, mas sempre conectada com isso aqui, meu meio. O meio de mim, meio de me fazer assim, meio que escolhi pra viver: a escrita. E sobre isso, ainda falta muita coisa<br>a ser dita.<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Eu nasci simples, amorosa. Sempre acreditando no melhor at\u00e9 de quem n\u00e3o parecia querer mostrar o seu lado bom. Durante muito tempo fui chamada de ot\u00e1ria, uma ing\u00eanua boba. Eu fui criada a duvidar do que a raz\u00e3o n\u00e3o explica. Mas tamb\u00e9m fui educada a questionar tudo e todos, inclusive a mim mesma. 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