﻿{"id":110299,"date":"2025-05-26T07:30:52","date_gmt":"2025-05-26T10:30:52","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jornaldugaio.com.br\/?p=110299"},"modified":"2025-05-26T07:30:56","modified_gmt":"2025-05-26T10:30:56","slug":"a-musa-de-bonnard-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornaldugaio.com.br\/index.php\/a-musa-de-bonnard-2\/","title":{"rendered":"A MUSA DE BONNARD"},"content":{"rendered":"<div class=\"fsc_text\">\n<p>Em sequ\u00eancia ao tema \u201cO Espiritismo no Cinema\u201d, os pr\u00f3prios produtores e diretor desconhecem os sinais claros de espiritismo veiculado no filme \u201cA musa de Bonnard\u201d, sobre a vida do pintor franc\u00eas Pierre Bonnard\u00a0(1867-1947). A produ\u00e7\u00e3o \u00e9 de Les Films du Kiosque e France 3 Cin\u00e9ma, dirigido por Martins Provost e estrelado por Vincent Macaigne e C\u00e9cile de France.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 natural na vida de qualquer pintor levar tempo para fazer vingar o seu estilo e as suas cores. &nbsp;O trabalho mais maduro do pintor p\u00f3s-impressionista come\u00e7ou a ganhar corpo ap\u00f3s sua primeira visita ao litoral do sul da Fran\u00e7a, em 1909, no qual teve de se isolar para lidar consigo mesmo artisticamente. A atitude de observa\u00e7\u00e3o de Bonnard intensificou a percep\u00e7\u00e3o de sua fuga para a esfera privada. Encontrou seus temas t\u00edpicos nos momentos de sil\u00eancio na rotina di\u00e1ria e nas impress\u00f5es de seus passeios, como tamb\u00e9m nos retratos \u00edntimos de sua parceira Marthe de M\u00e9ligny, sua modelo desde os seus prim\u00f3rdios e com quem viveu por 30 anos at\u00e9 se casarem discretamente em 1925.<\/p>\n\n\n\n<p>Bonnard sempre se voltou para o mundo egoico de suas cria\u00e7\u00f5es, mas n\u00e3o seria o renomado artista sem a presen\u00e7a de Marthe, que representou fonte de inspira\u00e7\u00e3o com seus nus art\u00edsticos para quase um ter\u00e7o das obras do pintor. Embora Marthe se frustrasse por n\u00e3o formarem um par rom\u00e2ntico, enlouquecendo com as amantes de Bonnard e tornando-se obcecada em querer enjaul\u00e1-lo, se pudesse, para ele ser s\u00f3 seu.<\/p>\n\n\n\n<p>Apenas um m\u00eas ap\u00f3s o cas\u00f3rio com Marthe, Bonnard embarcou num trem para a It\u00e1lia e se casou com Ren\u00e9e Monchaty, sua modelo e amante de longo tempo, que realizou seu sonho de contrair n\u00fapcias em fe\u00e9rica recep\u00e7\u00e3o e residir numa bela vivenda ao melhor estilo italiano. Foi quando Bonnard chegou \u00e0 conclus\u00e3o de que nada disso enchia os seus olhos. Sem temer o embara\u00e7o que isso iria causar, imediatamente retornou para os bra\u00e7os de Marthe. Logo a not\u00edcia do suic\u00eddio de Ren\u00e9e Monchaty surgiu para abalar a confian\u00e7a do casal. Mas em 1926, eles compraram uma pequena casa em Le Cannet, acima de Cannes, para proteger seu relacionamento e dar curso \u00e0 carreira da pr\u00f3pria Marthe, que tamb\u00e9m incursionou na pintura.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, com o tempo passando, Marthe de M\u00e9ligny foi denotando n\u00e3o ter assimilado o que havia sofrido no longo conv\u00edvio com Bonnard, embora agora ele estivesse correspondendo ao seu amor e a cercasse de carinho, cuidados e aten\u00e7\u00f5es. Ela n\u00e3o queria se enganar de novo, se iludir, ficar \u00e0 merc\u00ea de Bonnard, o que a compeliu a tornar-se cada vez mais alienada do mundo exterior, lentamente piorando seu estado f\u00edsico-emocional, ao n\u00e3o aceitar a aberra\u00e7\u00e3o de negar o seu pr\u00f3prio amor. Enquanto Bonnard andava pela cidade todas as manh\u00e3s fazendo esbo\u00e7os &#8211; trabalho preparat\u00f3rio para suas paisagens cada vez mais abstratas.<\/p>\n\n\n\n<p>Durante a 2\u00aa Guerra Mundial, a preocupa\u00e7\u00e3o do pintor com sua esposa durante o inverno rigoroso de 1941 era descrito como \u201cuma esp\u00e9cie de dist\u00farbio cerebral que dura v\u00e1rias semanas\u201d &#8211; hoje seria diagnosticado como dem\u00eancia. Ela morreu de um ataque card\u00edaco em janeiro de 1942, com 73 anos, depois de meio s\u00e9culo de conviv\u00eancia com seu grande amor. Anos a fio o amor frustrado foi se transformando num nicho para a dem\u00eancia ir se instalando e corroendo sua alma.<\/p>\n\n\n\n<p>Mal enterrou sua mulher, Bonnard resolveu se fechar em casa, lacrando todas as portas e janelas, em total desespero: \u201cminha dor e solid\u00e3o cheias de amargura e minha preocupa\u00e7\u00e3o com a vida que ainda tenho pela frente\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>At\u00e9 que, no final de 1942, encerrado na pris\u00e3o que ele mesmo escolheu para si, ouviu Marthe gritando seu nome. Foi abrindo todas as portas da casa, procurando-a por todos os cantos. Abriu as janelas, e nada! Mas observou algu\u00e9m acenando do outro lado do rio que margeia sua casa e conseguiu distinguir Marthe, incentivando-o a tirar a roupa e cair n\u2019\u00e1gua, conforme se divertiam outrora. Ele nadou at\u00e9 alcan\u00e7ar a outra margem para ela pux\u00e1-lo pelas m\u00e3os de dentro d\u2019\u00e1gua de forma a se encaminharem atrav\u00e9s de uma vereda, de m\u00e3os dadas, rumo ao horizonte descortinado no fundo, direcionando o seu porvir. O Plano Espiritual n\u00e3o explicado, onde n\u00e3o precisariam esconder suas m\u00e1scaras, podiam ser sua ess\u00eancia, na autenticidade de seus esp\u00edritos, sem mais se ferirem, um ao outro. &nbsp;<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em sequ\u00eancia ao tema \u201cO Espiritismo no Cinema\u201d, os pr\u00f3prios produtores e diretor desconhecem os sinais claros de espiritismo veiculado no filme \u201cA musa de Bonnard\u201d, sobre a vida do pintor franc\u00eas Pierre Bonnard\u00a0(1867-1947). 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