﻿{"id":2086,"date":"2005-11-28T19:26:45","date_gmt":"2008-05-17T19:27:47","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-11-06T17:16:16","modified_gmt":"2017-11-06T20:16:16","slug":"o-enxerido","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornaldugaio.com.br\/index.php\/o-enxerido\/","title":{"rendered":"O ENXERIDO"},"content":{"rendered":"<div class=\"fsc_text\"><p>Enxerido \u00e9 um voyeur que abandona seus limites, despe-se da sensibilidade, imbui-se do esp\u00edrito de que n\u00e3o t\u00e1 nem a\u00ed e invade a sua praia, ao chegar sem avisar, para descobrir atrav\u00e9s de seus olhos qual \u00e9 sua fraqueza. Por onde alcan\u00e7ar seu \u00e2mago a fim de fazer uso de sua intimidade para matar a cobra e n\u00e3o mostrar o pau.<br \/>\nO ciumento \u00e9 enxerido, quer saber onde ela foi, com quem se encontrou, por que foi se meter com aquela gente, para dar vaz\u00e3o ao fascismo controlador e \u00e0 s\u00e1dica possessividade.<br \/>\nEnxerido \u00e9 um curioso que se intromete no que n\u00e3o \u00e9 da sua conta, um bisbilhoteiro. Mete o nariz na vida dos outros, onde n\u00e3o \u00e9 chamado. Um fofoqueiro de marca maior, promove a intriga da corte.<br \/>\nEnxerido \u00e9 atrevido e saliente para meter a m\u00e3o onde n\u00e3o deve e conseguir arrancar um fr\u00eamito de asas, fazendo com que a v\u00edtima abra o peito e cocorique de satisfa\u00e7\u00e3o no auge da galinhagem. Explora as necessidades b\u00e1sicas das carentes.<br \/>\nO enxerido pode ser movido pela inveja, quando baixa o n\u00edvel para prejudicar e botar pra baixo seus desafetos, fingindo que \u00e9 seu amigo. De um baixo astral a ponto de querer copiar quem voc\u00ea \u00e9, sugar sua alma e vestir sua personalidade.<br \/>\n2\u00ba tempo.<br \/>\nDe fato, o enxerido tem interesse por voc\u00ea em sua plenitude. Quer saber o que se passa na sua vida para ajud\u00e1-lo, acompanhar seus passos e dar guarida aos seus anseios. \u00c9 um curioso do bem movido pelos interesses e vicissitudes que afligem o pr\u00f3ximo querido. Pergunta de forma contumaz sobre suas andan\u00e7as, n\u00e3o para ficar de tocaia ou mexer nos seus pap\u00e9is e sim para desvelar um carinho que tange o amor, pois n\u00e3o perguntaria para qualquer um.<br \/>\nNesse \u00ednterim, podem classificar o enxerido como incontrol\u00e1vel, possu\u00eddo por uma fobia que teima em ser assim. Quando ela releva, ao depositar sua f\u00e9 e esperan\u00e7a em algo que nem acredita existir em si mesma. Angustiada por prever a extin\u00e7\u00e3o do enxerido em virtude da crescente falta de contato entre as pessoas, atropeladas pelo mundo virtual. O enxerido depende do boca a boca, pois a velocidade com que se envia mensagens retira o cuidado que havia nas cartas e bilhetes. A l\u00edngua solta vaza nas entrelinhas o que rola no inconsciente, bolinado pelo computador que interage no seu disfarce l\u00fadico.<br \/>\nO enxerido transgride quando come\u00e7a a invadir a privacidade com sua verve detetivesca, filtrando os assuntos ventilados, pondo o p\u00e9 direito na cozinha e o esquerdo no banheiro, esquecendo algumas pe\u00e7as de roupas aqui e acol\u00e1, se oferecendo para determinados pap\u00e9is.<br \/>\nUm apaixonado, o enxerido.<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Enxerido \u00e9 um voyeur que abandona seus limites, despe-se da sensibilidade, imbui-se do esp\u00edrito de que n\u00e3o t\u00e1 nem a\u00ed e invade a sua praia, ao chegar sem avisar, para descobrir atrav\u00e9s de seus olhos qual \u00e9 sua fraqueza. 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