﻿{"id":2093,"date":"2005-08-14T19:40:10","date_gmt":"2008-05-17T19:41:12","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-11-06T17:17:50","modified_gmt":"2017-11-06T20:17:50","slug":"o-marido-da-empregada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornaldugaio.com.br\/index.php\/o-marido-da-empregada\/","title":{"rendered":"O MARIDO DA EMPREGADA"},"content":{"rendered":"<div class=\"fsc_text\"><p>O homem que se casa com a sua empregada, firmando um acordo em que, na alegria e na tristeza, na sa\u00fade e na doen\u00e7a, a amar\u00e1 respeitando-a. Desde que ela prossiga comungando das prendas do lar e dos assuntos dom\u00e9sticos no entorno de seu provedor.<br \/>\nEncheu o saco de esposa reclamando, de burguesinha cheia de vontades e de feminista que o questiona. Prostrado por tamanha acomoda\u00e7\u00e3o, fechado que nem um caracol e embotado no afeto. Como n\u00e3o gosta do desconforto da vida de solteiro, precisa de uma mulher para cuidar dele e da casa &#8211; a regra \u00e9 clara. As solas dos p\u00e9s aguardam uma pedra-ume; as costas, a massagem; as unhas, a manicure.<br \/>\nAquela que era de copa e cozinha vira de cama e mesa. O que n\u00e3o tem nada demais, porque sem tes\u00e3o n\u00e3o h\u00e1 solu\u00e7\u00e3o. E o m\u00ednimo que se exige no n\u00edvel dom\u00e9stico \u00e9 atra\u00e7\u00e3o. Mesmo que seja s\u00f3 f\u00edsica, o resto se constr\u00f3i depois, como se fosse uma casa ainda na planta. Sintom\u00e1tica sua desilus\u00e3o com conversa inteligente e fil\u00f3sofos de botequim, sorte da empregada que ter\u00e1 acesso e exclusividade aos seus largos conhecimentos que n\u00e3o lhe trouxeram felicidade. \u00c0 admira\u00e7\u00e3o, obedi\u00eancia, em respeito.<br \/>\nEntende que qualquer relacionamento n\u00e3o pode fugir ao lugar-comum de marido e mulher. N\u00e3o adianta reinventar a roda com casas separadas, cada um na sua. Porque resvala inevitavelmente para uma rela\u00e7\u00e3o aberta em que se tenta ficar bem com mais de uma.<br \/>\nFez uma grande fogueira com o existencialismo que o inspirou na juventude e que n\u00e3o quer ver estampado no formato do casamento com a sua empregada. Se aliviou na fonte em que se banhou, jogando na latrina Sartre e Simone de Beauvoir com seu slogan: \u201ca monogamia ou a liberdade\u201d. Preferiu seguir o exemplo de Marx que, no seu pragmatismo comunista, enxergou nas massas a solu\u00e7\u00e3o para o amor. O fim da burguesia deve se iniciar no lar para come\u00e7ar um romance com a empregada.<br \/>\nE voltar \u00e0s origens. Onde a empregada o iniciou na arte do sexo a assimilar os odores da rela\u00e7\u00e3o, as varia\u00e7\u00f5es em torno do mesmo tema e os beijos que diferem entre si dependendo do alvo. N\u00e3o se cansava de procur\u00e1-la no quartinho dos fundos como o filho do patr\u00e3o, para se reafirmar sexualmente. Seja qual for o cen\u00e1rio, de costas no tanque, provando o tempero no fog\u00e3o, com as pernas de fora limpando a janela, tirando as roupas do varal, distra\u00edda. Passando pe\u00e7as \u00edntimas com olhar pid\u00e3o, encurralada no banheiro, encostada na cerca com o ventre em relevo, uma fonte inesgot\u00e1vel de fantasias. Alisando o cabelo, envolta em toalha branca, atrav\u00e9s de uma fresta que flagra uma mulher de verdade. Por inteiro. A sua empregada.<br \/>\nDemorou para descobrir que de quatro no ato n\u00e3o \u00e9 uma posi\u00e7\u00e3o de submiss\u00e3o, mas de entrega, na busca do ponto mais sens\u00edvel que torna o considerado cronicamente invi\u00e1vel em um amor poss\u00edvel de ser realizado.<br \/>\nAgora como marido da empregada, retira-a da senzala para ascend\u00ea-la ao posto de sinh\u00e1, na transi\u00e7\u00e3o do elevador de servi\u00e7o para o social, e se livra da culpa, purgando seus pecados dos tempos que fazia amor como colonizador com as mucamas que j\u00e1 haviam lhe dado de mamar.<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O homem que se casa com a sua empregada, firmando um acordo em que, na alegria e na tristeza, na sa\u00fade e na doen\u00e7a, a amar\u00e1 respeitando-a. Desde que ela prossiga comungando das prendas do lar e dos assuntos dom\u00e9sticos no entorno de seu provedor. 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