﻿{"id":2100,"date":"2005-03-28T20:35:24","date_gmt":"2008-05-17T20:37:03","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-11-06T17:18:28","modified_gmt":"2017-11-06T20:18:28","slug":"o-come-quieto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornaldugaio.com.br\/index.php\/o-come-quieto\/","title":{"rendered":"O COME-QUIETO"},"content":{"rendered":"<div class=\"fsc_text\"><p>O come-quieto \u00e9 outro personagem de cria\u00e7\u00e3o exclusiva do g\u00eanero masculino, a exemplo do estuprador. N\u00e3o \u00e9 que ao sexo feminino seja interditado, mas seria chamada de a mulher que engole espadas, atra\u00e7\u00e3o no circo dos homens, que logo se encarregariam de coloc\u00e1-la na boca do povo.<br \/>\nEnquanto o bon-vivant \u00e9 o folgaz\u00e3o que nasceu para gozar os prazeres da vida, o come-quieto age por tr\u00e1s. O que n\u00e3o necessariamente queira dizer que seja sua prefer\u00eancia sexual. Depende dela. Ele t\u00e3o-somente se posiciona como um soldado a servi\u00e7o de satisfazer as interessadas no charme discreto de intercursos. N\u00e3o \u00e9 um mero parasita como o bon-vivant que se aproveita de situa\u00e7\u00f5es, funciona como mantenedor do equil\u00edbrio do meio ambiente, um dique que controla a vaz\u00e3o do sexo t\u00e2ntrico, a fim de impedir o ataque de nervos no uso indiscriminado de macumba para fazer a cabe\u00e7a de homens que n\u00e3o querem se comprometer.<br \/>\nSe \u00e9 dado ao homem o direito de viver como bem entender e se entregar ao deleite sexual, pouco se importando com o que v\u00e3o pensar. O come-quieto orbita em outra esfera, prima pela discri\u00e7\u00e3o e esperteza ao n\u00e3o alardear as vantagens e conquistas que obt\u00e9m. N\u00e3o necessita arrebatar o sexo oposto para se afirmar e competir. Muito barulho por nada. N\u00e3o necessita ser objeto do desejo, muito menos dar bandeira de sentir ganas. Basta lamber os bei\u00e7os depois. Todas as mulheres do mundo \u00e9 fantasia de Napole\u00e3o, homens baixos e complexados, mas se lhe derem chance, n\u00e3o desperdi\u00e7a. Car\u00e1ter e \u00e9tica s\u00e3o contas que p\u00f5e no fiado, pois o que fazer se a mulher ao lado se apresenta desprevenida, \u00e0 merc\u00ea da pr\u00f3pria sorte e plena de baixa auto-estima a ser explorada?<br \/>\nN\u00e3o cabe equiparar o come-quieto ao galinha, pois esse gosta de soltar penas, lhe apetecendo a fanfarronice. O come-quieto sabe que o galinha n\u00e3o \u00e9 de nada, lhe falta efici\u00eancia e foco &#8211; a palavra da moda. Cisca muito, \u00e9 o dono do galinheiro, mas como todo galo de briga, tem a cara de seus donos que o exploram nas rinhas: de pingu\u00e7o, j\u00e1 bebeu todas e ainda encontra espa\u00e7o para uma saideira, se deleitando com mais um galo estripado. J\u00e1 a fotografia do come-quieto transparece um ectoplasma, um sonso de mil e uma utilidades para atender a car\u00eancia de damas insatisfeitas com a escassez de homens na pra\u00e7a.<br \/>\nAtento ao biotipo da boa de cama, o come-quieto n\u00e3o consome seu tempo com derrame de charme, sedu\u00e7\u00e3o e glamour. Fareja a careta que n\u00e3o \u00e9 chegada \u00e0 dan\u00e7a das cadeiras. Descarta a alterada que prefere a encena\u00e7\u00e3o, de onde menos se espera surge um c\u00e3o-de-guarda para prevenir que tem dono na parada. N\u00e3o d\u00e1 uma de humilde para a bela dona, pois os malef\u00edcios da solid\u00e3o avan\u00e7am por qualquer territ\u00f3rio sem discriminar vivalma.<br \/>\nA beleza em excesso ofende. Reconhece na luta pela sobreviv\u00eancia da mulher mal acabada um processo \u00e1rduo que descobriu verdadeiras p\u00e9rolas com que as beldades apenas se enfeitam. Uma tentativa sem fim de vencer resist\u00eancias que aprofundou sua percep\u00e7\u00e3o. Um brilho lapidado no transformar a mera simpatia num suspiro incr\u00e9dulo diante uma estrela menor, mas nem por isso sem a capacidade rara de surpreender. Se deixassem, iria com muita sede ao pote. Uma intelig\u00eancia desprovida de sofistica\u00e7\u00e3o n\u00e3o hesita, no m\u00e1ximo, faz pouco caso do menosprezo devotado \u00e0 banalidade. No vestir, n\u00e3o provoca, apenas ati\u00e7a a curiosidade sobre o mist\u00e9rio que ela esconde. Uma sensualidade oculta que s\u00f3 aflora a quem souber ler o mapa do tesouro. E quem mais podia ser?<br \/>\nO come-quieto e a lenda. V\u00ea, sente, entende, adivinha. Se t\u00edmido, parecer\u00e1 bonito, ao aproximar-se p\u00e9 ante p\u00e9, com as m\u00e3os limpas, somente entrando se a parceira lhe der licen\u00e7a. E bico calado na satisfa\u00e7\u00e3o garantida. Se feio, procurar\u00e1 dissociar a m\u00e1 inten\u00e7\u00e3o que o preconceito carrega na apar\u00eancia, mostrando-se um gentleman em altern\u00e2ncia com o servil esperto, um padre na aten\u00e7\u00e3o \u00e0s desprovidas de f\u00e9, um pau pra toda obra ao serpentear pelos meandros de c\u00edrculos que convergem para o bem comum: o amor.<br \/>\nDuvida-se do escr\u00fapulo do bon-vivant, galinha e come-quieto. Ao \u00faltimo lhe aliviam as penas da lei dos bons costumes porquanto \u00e9 reservado, n\u00e3o se desmancha em palavras, um fino que satisfaz. Haja vista a inveja dos pistoleiros de talento que duvidam da reanima\u00e7\u00e3o de mulheres que nada mais esperam. A aud\u00e1cia no f\u00e1cil tr\u00e2nsito que adquire nesse verdadeiro har\u00e9m, quase intocado, o faz merecedor de ser visto com outros olhos por sua proposta em nada arrebatadora e inspiradora de fantasias: um convite a pisar em solo firme, respirar ar puro, amenizar a sensa\u00e7\u00e3o de desconforto e inseguran\u00e7a, em seu ref\u00fagio.<br \/>\nL\u00e1 fora, amor, o progresso multiplica as queimadas na floresta Amaz\u00f4nica e calcina os relacionamentos.<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O come-quieto \u00e9 outro personagem de cria\u00e7\u00e3o exclusiva do g\u00eanero masculino, a exemplo do estuprador. N\u00e3o \u00e9 que ao sexo feminino seja interditado, mas seria chamada de a mulher que engole espadas, atra\u00e7\u00e3o no circo dos homens, que logo se encarregariam de coloc\u00e1-la na boca do povo. 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