﻿{"id":2109,"date":"2004-09-25T21:12:24","date_gmt":"2008-05-17T21:13:34","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-11-06T17:20:08","modified_gmt":"2017-11-06T20:20:08","slug":"o-ogro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornaldugaio.com.br\/index.php\/o-ogro\/","title":{"rendered":"O OGRO"},"content":{"rendered":"<div class=\"fsc_text\"><p>O ogro, para os padr\u00f5es modernos, deixou de ser monstro para ser mais uma vers\u00e3o de sapo, malvisto pela sociedade porque \u00e9 feio. Compensado pelo car\u00e1ter bom e um cora\u00e7\u00e3o de m\u00e3e, \u00e9 obcecado por um desejo: possuir uma mulher bonita e mostrar para os outros que n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o feio assim. Fama e dinheiro suportam o incomensur\u00e1vel esfor\u00e7o, arriscando-se a dar com os burros n\u2019\u00e1gua, j\u00e1 que em mat\u00e9ria de beleza elas deitam e rolam. Pior, toda donzela tem um pai que \u00e9 uma fera, a pretender chafurdar um nome que n\u00e3o merece respeito devido \u00e0s origens &#8211; escritor \u00e9 vagabundo, surfista \u00e9 maconheiro, ator \u00e9 mich\u00ea e jogador de futebol \u00e9 gentinha.<br \/>\nDo ponto de vista do sogro, os ogros se dividem nas seguintes categorias: mulherengo a caminho da recupera\u00e7\u00e3o, vagabundo que s\u00f3 quer se encostar na fam\u00edlia para se dar bem, o vanguardista adepto do casamento aberto e do sexo livre, e o entrado na idade, o velh\u00e3o que quer comer sua filha. Com tal conhecimento de causa da genealogia do homem, percebe-se que o sangue do ogro corre nas veias do sogro.<br \/>\nComo se fosse uma corrente pesada, o ogro arrastar\u00e1 o seguinte dilema para o resto da vida: se ela ficar\u00e1 com ele por conta de seu poder e carisma perante os outros, ou a carequinha lhe parecer\u00e1 simp\u00e1tica, as fu\u00e7as corresponder\u00e3o \u00e0 de um touro e a bocarra, que n\u00e3o consegue fechar em meio a tantos dentes, \u00e0 de um lobo mau&#8230; que pega as criancinhas para fazer mingau. E se ela ficar, poder\u00e1 lhe parecer feia no correr do tempo, j\u00e1 que desconfiar\u00e1 de sua aceita\u00e7\u00e3o e perder\u00e1 o interesse. Fei\u00fara e paran\u00f3ia guardam uma rela\u00e7\u00e3o \u00edntima e, no fundo, o ogro jamais dormir\u00e1 tranq\u00fcilo se a sua princesa passar a consider\u00e1-lo bonito. De imediato, seu encanto ser\u00e1 quebrado e a equivaler\u00e1 a outras mulheres que s\u00f3 viram nele uma escada ou trampolim. Durma-se com um barulho desses.<br \/>\nO ogro s\u00f3 funciona em estado de contempla\u00e7\u00e3o diante de sua amada. Capaz de remover montanhas. Corrigir a fei\u00fara lapidando a mat\u00e9ria bruta, em busca do veio perdido da beleza nos cafund\u00f3s de seu interior. Ao s\u00f3 ter olhos para ela, investe-se de uma coragem que o torna surdo a coment\u00e1rios de invejosos, na medida certa do cavaleiro galante restaurar sua imagem e conquistar uma aura de impor respeito. A ponto de servir de exemplo: se ele pode, eu tamb\u00e9m posso!<br \/>\nSe chove ogro por toda parte, n\u00e3o cabe distinguir o ogro da g\u00eanese de outros homens que n\u00e3o se consideram monstros. Continuar\u00e3o, firme e forte, na ca\u00e7a e pesca de mulheres, acumulando trof\u00e9us a ponto de pendurar na parede a cabe\u00e7a da que lhe proporcionou o maior orgulho. Proeza digna de repassar a seus descendentes, confortavelmente instalados na posi\u00e7\u00e3o de n\u00e3o olhar para dentro de si &#8211; o espelho \u00e9 uma aberra\u00e7\u00e3o.<br \/>\nDando margem a ingressar na terceira idade, do alto de sua obesidade a zelar pelo culto do corpo nas mulheres, na esperan\u00e7a de que seu ego seja adulado por balzaquianas, cujas escolhas requerem a maturidade do pai-av\u00f4 para seus futuros filhos. Extremamente pretensioso, h\u00e1 que manter a todo custo a posi\u00e7\u00e3o de grande conquistador, se mostrar vitorioso, competir consigo mesmo o tempo todo, sen\u00e3o a vida n\u00e3o tem gra\u00e7a. Se o tempo n\u00e3o p\u00e1ra &#8211; danem-se os fatos! -, ele passa a competir com o tempo. Mesmo que seus derradeiros dias estejam pr\u00f3ximos e prorroguem-se por 20 anos.<br \/>\nSe o cabelo branco n\u00e3o engana mais como grisalho, pintam-no. Ao come\u00e7arem a andar na contram\u00e3o e a matarem na raiz toda a\u00e7\u00e3o correspondente a uma rea\u00e7\u00e3o, se tornam, de t\u00e3o deslumbrados com seu futuro, bab\u00f5es. Como um beb\u00ea que baba extasiado diante do espet\u00e1culo da vida. Nervoso para continuar em a\u00e7\u00e3o e penetrar em florestas que n\u00e3o explorou com uma vis\u00e3o de \u00e1guia e sim com uma avidez de felino. Somente para saciar sua fome.<br \/>\nMelhor seria o ogro entrado nas rugas esquecer o sexo e o Viagra para dan\u00e7ar e cantar numa grande brincadeira de sal\u00e3o. Se preparar para o verdadeiro baile e se despreocupar com o desempenho, de correr atr\u00e1s de quem desdenha s\u00f3 para v\u00ea-la debaixo do seu p\u00e9. E n\u00e3o cair na esparrela de se sentir satisfeito com migalhas que s\u00f3 ir\u00e3o lhe roubar sua alma e desencaminh\u00e1-la para algum escaninho do arquivo morto, onde l\u00e1 ficar\u00e1 esquecida at\u00e9 merecer as b\u00ean\u00e7\u00e3os. E se recuperar de uma grande viagem desperdi\u00e7ada na decad\u00eancia &#8211; risco do qual ningu\u00e9m se acautela.<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O ogro, para os padr\u00f5es modernos, deixou de ser monstro para ser mais uma vers\u00e3o de sapo, malvisto pela sociedade porque \u00e9 feio. Compensado pelo car\u00e1ter bom e um cora\u00e7\u00e3o de m\u00e3e, \u00e9 obcecado por um desejo: possuir uma mulher bonita e mostrar para os outros que n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o feio assim. 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