﻿{"id":2129,"date":"2004-04-21T22:47:53","date_gmt":"2008-05-17T22:50:07","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-11-06T17:20:50","modified_gmt":"2017-11-06T20:20:50","slug":"o-indio-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornaldugaio.com.br\/index.php\/o-indio-2\/","title":{"rendered":"O \u00cdNDIO"},"content":{"rendered":"<div class=\"fsc_text\"><p>Que tal voc\u00ea acordar nua, ao lado de com quem dan\u00e7ou a noite inteira, seu tipo inesquec\u00edvel desde que come\u00e7ou a menstruar, e dar de cara com outro homem? Aquele que te arrancou l\u00e1 do outro lado da lua e te jogou no inferno astral de ver sonhos se consumirem no fogo que alimenta paix\u00f5es. Ver derrubado o ninho do amor que a deixava confort\u00e1vel, nascido de sua cria na imagina\u00e7\u00e3o. O homem que tanto idealizou. Enquanto ela n\u00e3o o conheceu, o imaginou do jeito que conviesse \u00e0s suas necessidades e anseios, desenvolvendo ao m\u00e1ximo seu potencial em fantasias, em face da realidade n\u00e3o ter batido \u00e0 porta e confront\u00e1-la com o sapo que s\u00f3 coaxa \u00e0 noite, quando todos os gatos s\u00e3o pardos.<br \/>\nEsse homem, embalado pelo sono dos deuses, deitou no seu passado. Mitificado, \u00e0s custas da imagem de um \u00edndio, com seus cabelos longos e lisos, de tez morena, tran\u00e7ado por faixas adornando o jeans rasgado, parecendo estar no palco o tempo todo. Nos seus melhores tempos, atirava em dez para alcan\u00e7ar uma, falta de crit\u00e9rio apenas do conhecimento dos homens. Tese n\u00e3o abra\u00e7ada por elas, se estava sempre bem-acompanhado \u00e9 porque era um homem gostoso.<br \/>\nO bom comedor ofende apenas o politicamente correto, o desejo exige clareza na express\u00e3o. Explora a repress\u00e3o de mulheres que vacilam. Em sua fase mais cr\u00f4nica, acorda tomando cerveja e necessita de uma dom\u00e9stica para p\u00f4r ordem na casa, pois sua esposa o expulsou por maus costumes. Entre uma espanada e um cafezinho, tenta coloniz\u00e1-la inspirado em Karl Marx, que, ao proletarizar o amor, escreveu \u201cO Capital\u201d e celebrizou o comunismo.<br \/>\nTrata-se de um homem sens\u00edvel, sem ser gay, a cobran\u00e7a eterna dos homof\u00f3bicos. O hippie \u00edndio \u00e9 um folclore da realidade, para que a tradi\u00e7\u00e3o represente a vanguarda. Apegou-se ao modelo. E acreditou ser um deus caboclo. Um feio bonito. De olhar esbugalhado em noites queimadas na ins\u00f4nia, observando o cosmos.<br \/>\n\u201cVoc\u00ea \u00e9 uma das maravilhosas mulheres que fizeram parte da minha vida\u201d, consta do seu repert\u00f3rio. Por que distanciar tanto assim as mulheres? Compensando-as com a sua import\u00e2ncia. Lan\u00e7ando-as em parcerias itinerantes e intermitentes, que resultam em n\u00e3o ter nada nas m\u00e3os, quando teriam o cosmos por dividir. O que o atemoriza, pois entende como feiti\u00e7aria de um esp\u00edrito livre que quer se libertar e precisa se alimentar do amor.<br \/>\nHoje o \u00edndio virou um homem comum, com horror do passado que construiu. De n\u00e3o se cansar de seduzir. Reclama da filha que n\u00e3o o curte, \u201cesse homem que eu fui\u201d. Confessa n\u00e3o mais dividir sua cama de solteiro com nenhuma mulher fixa, o sexo foi abduzido, o v\u00edcio do reafirmar-se na conquista e gozar as mulheres sempre dispostas a se oferecerem para ele.<br \/>\nN\u00e3o caiu no desespero, procura reparar os estragos elaborados com o requinte de um artista. E ego \u00e9 do que o artista se alimenta. Para repetir cada vez mais e mais, mecanicamente, o seu modelo. E acabar nos bra\u00e7os de uma nativa, ao longo de uma noite de seja qual for a lua, para amenizar a solid\u00e3o transitando pelas praias de Cara\u00edva, onde a Bahia atesta sua verdadeira fama. E serve como ref\u00fagio para o alternativo dispor sua intelig\u00eancia de psic\u00f3logo a servi\u00e7o de projetos de cidadania mixados \u00e0 arte ind\u00edgena. Um mini-universo onde pudesse ser mais valorizado.<br \/>\nUm cemit\u00e9rio de elefantes. Um retorno \u00e0 natureza para que ela o acolha e lamba suas feridas. O apego ao desejo remeteu-o \u00e0 solid\u00e3o. Impediu-a de abrir a boca sobre seus amores, iria se comparar, irremediavelmente, e n\u00e3o suportaria. E a nativa sacou que n\u00e3o ia mais rolar com sua experi\u00eancia ancestral ind\u00edgena. Antes dele, que caminha a passos de c\u00e1gado. E procurou evitar qualquer iniciativa desavisada para n\u00e3o constranger, fazendo-o suspirar de al\u00edvio. O que o encorajou a pedir-lhe que levasse embora suas ang\u00fastias para os mares de Curu\u00edpe e Corumbau.<br \/>\nO \u00edndio torna a mulher especial no distanciamento, n\u00e3o na presen\u00e7a, no dia-a-dia, e a leva a chorar no caf\u00e9 da manh\u00e3, compulsivamente, por ver o mito no fundo do po\u00e7o e a se mirar no espelho como sua sombra. O espectro de amores idealizados que minguam no rastro do desejo de ser muito amada e querida, de \u201cse voc\u00ea quiser me domar, me ame como a um animal\u201d. Mas o \u00edndio n\u00e3o banca nem rela\u00e7\u00e3o animal, por enxergar nela uma atraente conseq\u00fc\u00eancia perigosa de que n\u00e3o daria conta.<br \/>\nO \u00edndio disfar\u00e7a a vida inteira \u00e0 cata de um relacionamento sem formato, mas, de fato, desfigura o seu car\u00e1ter. Rejeita a mulher, ignora sua miss\u00e3o de agregar. Seu cinismo conjuga reconhecer ter sido um canalha e agora n\u00e3o querer ser mais. Se benze todos os dias por ainda estar vivo, gra\u00e7as \u00e0 prote\u00e7\u00e3o dos orix\u00e1s.<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Que tal voc\u00ea acordar nua, ao lado de com quem dan\u00e7ou a noite inteira, seu tipo inesquec\u00edvel desde que come\u00e7ou a menstruar, e dar de cara com outro homem? Aquele que te arrancou l\u00e1 do outro lado da lua e te jogou no inferno astral de ver sonhos se consumirem no fogo que alimenta paix\u00f5es. 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