﻿{"id":2142,"date":"2003-06-02T01:03:42","date_gmt":"2008-05-18T01:04:18","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-11-06T17:23:19","modified_gmt":"2017-11-06T20:23:19","slug":"o-bon-vivant","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornaldugaio.com.br\/index.php\/o-bon-vivant\/","title":{"rendered":"O BON-VIVANT"},"content":{"rendered":"<div class=\"fsc_text\"><p>O bon-vivant \u00e9 o indiv\u00edduo que nasceu para viver bem-humorado, folgaz\u00e3o e espirituoso a valorizar os prazeres da vida, e goz\u00e1-los. O uso ilimitado do prazer desperta inveja, pois brinca sem olhar para o rel\u00f3gio em obscuras cavernas por onde se mete na busca de sensa\u00e7\u00f5es nunca antes desfrutadas. Os desprovidos de criatividade e talento julgam o bon-vivant como um mero parasita que tira proveito de situa\u00e7\u00f5es ou circunst\u00e2ncias de modo pouco escrupuloso, podendo evoluir para explorador.<br \/>\nRepare que a mulher n\u00e3o faz jus ao t\u00edtulo de bon-vivant. O machismo vigente apenas circunscreve ao homem o gozo desse deleite. Posto que ele se entrega aos prazeres mundanos e se d\u00e1 o direito de viver como bem entender, com rara desenvoltura, pouco se importando com o que v\u00e3o pensar. Um tr\u00e2nsito livre e solto que obrigaria a mulher pensar duas vezes se, leve e fagueira, desse vaz\u00e3o aos seus impulsos preferidos. A imagem pesa como uma cruz.<br \/>\nO bon-vivant n\u00e3o quer saber de ter filhos, procura criar e fortalecer nichos, na espreita de mulheres que se preparam para arpo\u00e1-lo. Seu intelecto o torna atraente para mocinhas sonhadoras, que alimentam a ilus\u00e3o de dar um fim a esse homem das cavernas que estabelece reservas, demarca terrenos e n\u00e3o se entrega com facilidade.<br \/>\nCultiva uma grande admira\u00e7\u00e3o por Sartre. Uma rela\u00e7\u00e3o a dois, em termos de liberdade e transpar\u00eancia, inspira-se na distin\u00e7\u00e3o entre verdade necess\u00e1ria e verdade contingente. Segundo ele, sua rela\u00e7\u00e3o com Simone de Beauvoir seria necess\u00e1ria, ao passo que os romances com outras mulheres seriam contingentes. O pacto relacional inclu\u00eda lealdade absoluta de um para com o outro: contariam tudo o que lhes acontecesse, inclusive os casos contingentes. Esta modalidade de relacionamento na Europa dos anos 20, no s\u00e9culo passado, foi motivo de esc\u00e2ndalo pela aud\u00e1cia, pois Simone e Sartre arrombaram as portas da privacidade, se constituindo num exemplo para intelectuais das d\u00e9cadas seguintes.<br \/>\nCom a evolu\u00e7\u00e3o da mulher, o bon-vivant teve que acompanhar a marcha dos tempos, sen\u00e3o perderia a sagacidade que lhe \u00e9 peculiar. Passou a se utilizar do recurso de encher o bucho de cada mulher jovem com quem se casa para se assegurar de que ela n\u00e3o o trair\u00e1. Envolvida com a maternidade, habitualmente, o cora\u00e7\u00e3o amolece.<br \/>\nProcura se mostrar, agora, um sujeito s\u00e9rio e c\u00f4nscio de suas responsabilidades, o esc\u00e1rnio de fracassados ao persegui-lo pela alcunha de \u201ccomedor de gente\u201d, pesa na balan\u00e7a. Contudo, o efeito pens\u00e3o em cascata n\u00e3o o preocupa, enquanto gozar de boa situa\u00e7\u00e3o financeira, jura n\u00e3o manchar seu nobre car\u00e1ter; esvaziada a burra, perdul\u00e1rio j\u00e1 foi e a m\u00e1 fama fica por conta do bafo comprido.<br \/>\nA figura do bon-vivant como lorde ou playboy est\u00e1 em extin\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o como artista, no sentido mais amb\u00edguo que a arte nos enleva. Amarra o burro \u00e0 vontade de mulheres que perfazem a metade de sua idade para rejuvenescer, renovar e renasc\u00ea-lo, criando seus netos, ou melhor, filhos, aos quais empresta menor rigor e maior compreens\u00e3o. Enquanto elas mandam e adquirem experi\u00eancia bancadas por eles.<br \/>\nConcebe suas contempor\u00e2neas como neur\u00f3ticas, amargas, necessitando parecer modernas permanecendo t\u00e3o antigas ainda, complicadas para construir um futuro promissor. Um corpo durinho e bem-acabado, o m\u00ednimo que se pede, exce\u00e7\u00e3o honrosa ao dele. Sobretudo na plenitude material em que se encontra, a maturidade aflora. Uma maldade se o brilho de sua intelig\u00eancia n\u00e3o puder ser compartilhado, o mundo perderia!<br \/>\nQuando o bon-vivant abandona o amadorismo de filosofar sobre relacionamento com pitadas de sexo, maquiaveliza-se e perde a gra\u00e7a de um garoto que n\u00e3o cresceu, de um menino que aprecia ser bem cuidado e querido. E se transforma numa raposa atr\u00e1s de suas galinhas sem se dar conta que n\u00e3o \u00e9 mais o galo a cantar em seu terreiro.<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O bon-vivant \u00e9 o indiv\u00edduo que nasceu para viver bem-humorado, folgaz\u00e3o e espirituoso a valorizar os prazeres da vida, e goz\u00e1-los. O uso ilimitado do prazer desperta inveja, pois brinca sem olhar para o rel\u00f3gio em obscuras cavernas por onde se mete na busca de sensa\u00e7\u00f5es nunca antes desfrutadas. 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