﻿{"id":2152,"date":"2003-01-06T01:19:35","date_gmt":"2008-05-18T01:20:40","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-11-06T17:23:51","modified_gmt":"2017-11-06T20:23:51","slug":"o-vagabundo-de-praia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornaldugaio.com.br\/index.php\/o-vagabundo-de-praia\/","title":{"rendered":"O VAGABUNDO DE PRAIA"},"content":{"rendered":"<div class=\"fsc_text\"><p>Todo santo dia o vagabundo de praia bate o ponto na \u00e1gua do mar ao se benzer, agradecendo a d\u00e1diva de Deus por permanecer vivo mais um alvorecer. De raquetes de frescobol na m\u00e3o a procurar parceiro. Ele nem se abala em constatar se faz sentido o que voc\u00ea diz, o intelectual coleciona fracassos ao pretender-se coerente. Seu ganha-p\u00e3o? S\u00f3 Sherlock Holmes pode elucidar tal enigma.<br \/>\nDe barba densa a caminho do perfil de um guru, na verdade \u00e9 mal tratada a espelhar um son\u00e2mbulo infectado pela pregui\u00e7a de Macuna\u00edma, cuja sunga branca pu\u00edda perdeu a elasticidade que real\u00e7ava a intumesc\u00eancia pri\u00e1prica comum aos jovens e passa a exibir uma ma\u00e7aroca que se confunde com o escroto do homem ou com o homem escroto, tanto faz.<br \/>\nPrefer\u00edvel assim, de barba escanhoada, a falta de vigor ficaria mais evidente e seria confundido com preso no campo de concentra\u00e7\u00e3o. N\u00e3o que ele seja esquel\u00e9tico, mas \u00e9 que a pris\u00e3o reflete a falta de objetivos, a vis\u00e3o caolha e o horizonte nublado. De quem prende e se deixa encarcerar, j\u00e1 que a sociedade n\u00e3o inventou coisa melhor que a penitenci\u00e1ria nem a pris\u00e3o entre quatro de paredes de Sartre.<br \/>\nNem formoso era o vagabundo de praia. S\u00f3 que como o ador\u00e1vel vira-lata, todo mundo tem uma voca\u00e7\u00e3o para adotar vira-latas, em virtude da alma de vagabundo que grassa no nosso cora\u00e7\u00e3o piegas e alma sentimental\u00f3ide, inspirados no dramalh\u00e3o mexicano que protagonizamos desde o primeiro canto do galo da madrugada.<br \/>\nComo o vagabundo n\u00e3o conseguiu decifrar seu mist\u00e9rio, perdeu o escr\u00fapulo que lhe faltava e tornou vis\u00edvel o abutre que o habitava, sua vers\u00e3o do m\u00e9dico e o monstro. Ao se alimentar de restos de relacionamento, de mulheres exauridas por afetos que n\u00e3o se materializam ou por fantasias que se desgastam na maresia de oceanos que desenham cart\u00f5es-postais de amor.<br \/>\nEssas mulheres frustradas e carentes n\u00e3o o desejam, mas o vagabundo se posta como seu sol\u00edcito servo desde o parafuso que n\u00e3o se encaixa, como encontrar a rua Pandi\u00e1 Cal\u00f3geras, at\u00e9 acumular as fun\u00e7\u00f5es de ouvidor-geral e consult\u00f3rio sentimental.<br \/>\nEle as serve apenas como entreposto de reabastecimento. Se aproxima com um papo de quem n\u00e3o quer nada, inspirando confian\u00e7a, bondade e companheirismo. Jamais ir\u00e1 pression\u00e1-la para que se resolva sobre se est\u00e1 disposta a que penetre em sua intimidade. O tempo passa, ela acabar\u00e1 cedendo para n\u00e3o perder o amigo e voltar a ficar s\u00f3. Ao fazer as vezes de Jeremias, o Bom, transforma o amor em amizade, com pitadas de sexo, de maneira a n\u00e3o se envolver. A dura\u00e7\u00e3o do \u201cvamos sair juntos\u201d \u00e9 curta; apagam a lousa como se nada tivesse acontecido e se tornam apenas bons amigos.<br \/>\nSejamos civilizados, atra\u00e7\u00e3o sexual n\u00e3o \u00e9 como uma hist\u00f3ria que precisa ter in\u00edcio, meio e fim. A estima rec\u00edproca pode gerar um ambiente de camaradagem. Se desvinculado do aviltante sentimento de posse e ci\u00fame. Quem acredita nisso? Elas, as mulheres do vagabundo, por uma quest\u00e3o de gratid\u00e3o. Porque ele estava l\u00e1 quando precisaram de um ombro amigo.<br \/>\nLouvado seja o vagabundo que recebe o comunicado de sua dispensa sem qualquer gesto de desagrado! O fato de elas n\u00e3o o quererem mais n\u00e3o lhe causa nenhum embara\u00e7o, visto que j\u00e1 obteve tudo o que desejava: o banquete. Ao contr\u00e1rio, respira de al\u00edvio porque \u00e9 mais uma que n\u00e3o precisa se envolver.<br \/>\nJulga-se com um senso de imagina\u00e7\u00e3o que n\u00e3o conjuga com fidelidade, portanto, \u00e9 irrelevante ela n\u00e3o consider\u00e1-lo como um igual, a vagina \u00e9 o seu limite e o escalpelo a ser conquistado a gl\u00f3ria, para o vagabundo que j\u00e1 perdeu todas as esperan\u00e7as no amor. De sequer construir um castelo, muito menos um castelo de areia a quatro m\u00e3os com sua filhinha. Esse castelo, ele empurra para a desorientada de plant\u00e3o, explorando a maternidade latente tanto quanto o casanova tira proveito de cora\u00e7\u00f5es piegas, o verdadeiro orgasmo subtra\u00eddo.<br \/>\nE ai de quem recebeu uma heran\u00e7a malandra, botou as m\u00e3os numa d\u00edvida impag\u00e1vel ou fez jus a refor\u00e7o de caixa culposo de ex-marido. Ele morde que nem um tubar\u00e3o ou uma hiena que n\u00e3o rejeita v\u00edsceras, s\u00e3o ratos que roem e corroem, agora que descobrimos possuir a mesma cadeia de genomas.<br \/>\nO vagabundo \u00e9 o pr\u00f3prio ator que faz figura\u00e7\u00e3o e comp\u00f5e o cen\u00e1rio numa roda de mulheres em meio \u00e0 celebra\u00e7\u00e3o de uma festa, para que elas n\u00e3o se sintam como mercadorias numa vitrine. Vive o duplo papel de se fingir de homem e funcionar como isca, a fim de atrair os verdadeiros interessados no sexo oposto.<br \/>\nAtribuir fracasso ao vagabundo de praia \u00e9 temer\u00e1rio, pois a decad\u00eancia se espraia de tal forma que n\u00e3o mais reparamos sua onipresen\u00e7a incontest\u00e1vel no direito de ir-e-vir, nos objetos de consumo, nas prefer\u00eancias sexuais, no progressivo acasalamento com uma \u00e9tica coagida a suprir necessidades com as quais Deus n\u00e3o nos capacitou. A qualquer pre\u00e7o.<br \/>\nResta sermos felizes nesse casamento em ambiente que perdeu o respeito. Segundo o \u201cEstatuto da Gafieira\u201d, Billy Blanco recomenda \u201cmo\u00e7o, olha o vexame, o ambiente exige respeito, dance a noite inteira, mas dance direito&#8221;.<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Todo santo dia o vagabundo de praia bate o ponto na \u00e1gua do mar ao se benzer, agradecendo a d\u00e1diva de Deus por permanecer vivo mais um alvorecer. De raquetes de frescobol na m\u00e3o a procurar parceiro. 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