﻿{"id":2173,"date":"2007-04-02T20:48:18","date_gmt":"2007-04-02T23:48:18","guid":{"rendered":""},"modified":"2023-05-14T19:46:18","modified_gmt":"2023-05-14T22:46:18","slug":"abrir-ou-fechar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornaldugaio.com.br\/index.php\/abrir-ou-fechar\/","title":{"rendered":"ABRIR OU FECHAR?"},"content":{"rendered":"<div class=\"fsc_text\"><p><P>Conservar-se vivo dentro de seu pr\u00f3prio mundo e de costas para qualquer coisa que venha de fora. Abrir e fechar, ou seja, fechar quando se alcan\u00e7a um grau de poder de se dar ao luxo de escolher o destino que rege sua conduta, sem que ningu\u00e9m d\u00ea palpite sobre o que h\u00e1 por ser feito, sem precisar de quaisquer agentes externos para dirigir ou suprir sua vida, e se considerar o centro do mundo. E abrir, quando se chega \u00e0 conclus\u00e3o tardia de que fechar quest\u00e3o \u00e9 um grande equ\u00edvoco, ignorando que est\u00e1 para nascer quem possa prescindir da livre negocia\u00e7\u00e3o de comprar e vender id\u00e9ias. Se o que eu tenho \u00e9 o que voc\u00ea precisa, a troca n\u00e3o garante a satisfa\u00e7\u00e3o, mas cria a ilus\u00e3o de valer a pena arriscar de novo, uma promiscuidade que vicia e exige exame peri\u00f3dico da virtude e da \u00e9tica, de modo a n\u00e3o permitir que a luz do sol o cegue. O car\u00e1ter moral demanda esculpi-lo sob a a\u00e7\u00e3o do tempo, viver fechado poria fim \u00e0 pr\u00f3pria exist\u00eancia.<BR>Eis o dilema hamletiano: abrir ou fechar? Se tra\u00e7armos um paralelo com nossas vidas particulares, ora a gente deseja se manter em casa, resguardado por uma mata cerrada, no tempo das cavernas como um eremita, sem absolutamente ningu\u00e9m incomodar, n\u00e3o sujeito ou dispon\u00edvel a ser invadido por questionamentos, convites pueris e esbarr\u00f5es fortuitos. Voc\u00ea sente que n\u00e3o captam o sentido de suas palavras, for\u00e7oso um basta para saber o que h\u00e1 por detr\u00e1s do murm\u00fario e por baixo do pano. Porque estamos em lit\u00edgio com o oriente pr\u00f3ximo, m\u00e9dio e extremo &#8211; onde o sol nasce.<BR>Ora a gente precisa p\u00f4r violetas na janela, se abrir como uma flor em bot\u00e3o, ver o que h\u00e1 de novo, sair da toca, correr atr\u00e1s, participar. Desabotoar a camisa, mostrar-se expansivo e abrir o peito, para tornar a se envolver e trocar juras de amor, fazendo as pazes com os ilustres desconhecidos que elegeu como bodes expiat\u00f3rios. Nessas ocasi\u00f5es, embora n\u00e3o pe\u00e7a para ser convidado, implora para que algu\u00e9m o acompanhe, pois n\u00e3o sabe fazer mais nada sozinho.<BR>\u00c9 de bom alvitre que estejamos antenados para acolher est\u00edmulos que v\u00eam do c\u00e9u, pois \u00e9 aqui na terra que essa energia se materializa e cria, valendo-se de tend\u00eancias mutantes que ressoam al\u00e9m do eco, j\u00e1 que tudo se desenvolve, ramifica e se consolida na busca do para\u00edso et\u00e9reo, robustecendo tanto que pode passar do ponto e cair na rigidez que acarreta o inevit\u00e1vel decl\u00ednio.<BR>Se tentarmos ir num p\u00e9 e voltar no outro, encontraremos a chave que correlaciona o movimento de abre-e-fecha com mudan\u00e7a e perman\u00eancia, respectivamente. A pedrinha no sapato te obriga a se mexer, a tirar o rabo do assento, a mudar para onde todos apontam em contr\u00e1rio, e acreditar no sonho do vagabundo chapliniano. A busca pela perman\u00eancia \u00e9 uma quest\u00e3o de ordem da espiritualidade, pois os gr\u00e3os de areia escoam pela ampulheta enquanto o g\u00eanio da l\u00e2mpada mant\u00e9m-se vivo engarrafado, a postos para realizar seus desejos, se estiver familiarizado e \u00e0 vontade com os esp\u00edritos que aqui permanecem e nos volteiam.<BR>Ningu\u00e9m contesta que abrir s\u00f3 faz sentido se for para mudar, bem como fechar se relaciona a querer manter-se a todo custo onde se encontra, agarrado ao ex\u00e9rcito da salva\u00e7\u00e3o, permanecendo inflex\u00edvel no posicionamento. Mas perman\u00eancia n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 apego desusado ou disfar\u00e7ado, traduz tamb\u00e9m seu esp\u00edrito no construir de uma vida terrena em torno de cren\u00e7as e ideologias a favor de mudan\u00e7as. Nem abrir representa instabilidade porque brotado do espont\u00e2neo, justamente quando o que deseja \u00e9 abrir a mente na maior boa-f\u00e9, sem reservas. Nem representa convite \u00e0 invas\u00e3o, sujeita a lit\u00edgio por fronteiras sempre dif\u00edceis de serem demarcadas, tais quais separar fic\u00e7\u00e3o de realidade, joio do trigo, goiabada do queijo, jo\u00e3o de maria.<BR>Em se plantando tudo nasce, cresce, d\u00e1 frutos, a natureza seca, inunda, destr\u00f3i, transforma em p\u00f3 o que o homem plantou, e o desafia a plantar de novo. S\u00e3o partes de um todo que podem se encaixar no eixo do movimento entre dois p\u00f3los: mudan\u00e7a versus perman\u00eancia.<\/P><\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Conservar-se vivo dentro de seu pr\u00f3prio mundo e de costas para qualquer coisa que venha de fora. 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