﻿{"id":2344,"date":"2005-07-13T20:39:43","date_gmt":"2005-07-13T23:39:43","guid":{"rendered":""},"modified":"2023-05-17T21:22:17","modified_gmt":"2023-05-18T00:22:17","slug":"marcha-funebre","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornaldugaio.com.br\/index.php\/marcha-funebre\/","title":{"rendered":"MARCHA F&#218;NEBRE"},"content":{"rendered":"<div class=\"fsc_text\"><p><P>A m\u00fasica de Chopin \u00e9 extremamente sedutora para os ouvidos, pois cria imediatamente um ambiente de devaneio e encantamento. Faz o piano cantar, num estilo muito suave, quase celestial, uma melodia imortal mais afeta a pequenos sal\u00f5es do que grandes audit\u00f3rios. Mozart, como seu modelo insuper\u00e1vel de perfei\u00e7\u00e3o.<BR>As polonaises s\u00e3o pe\u00e7as de origem patri\u00f3tica, baseadas em dan\u00e7as e ritmos da Pol\u00f4nia, onde Chopin nasceu em 1810. De uma tens\u00e3o e vigor que refletem a ang\u00fastia e desespero de sua terra natal esmagada pelos russos, que saquearam e incendiaram Vars\u00f3via. Sofrendo por estar longe, em Paris. Seu g\u00eanio precisava aparecer para o mundo.<BR>Em 1837, Chopin conheceu aquela que seria sua companheira por quase dez anos. A escritora Aurore Dupin, mais conhecida pelo pseud\u00f4nimo masculino que usava para assinar seus livros: George Sand. T\u00edmido e reservado, de maneiras aristocr\u00e1ticas, Chopin n\u00e3o gostou nem um pouco dela: \u201cSer\u00e1 mesmo uma mulher?\u201d. Sand, al\u00e9m do nome, vestia-se e fumava charutos como um homem. Era ela quem fazia a corte com bilhetes e convites para inseri-lo na elite culta da cidade. Chopin entregou-se ao romance quando ela o convenceu a entrarem numa redoma e se isolarem em Maiorca:<BR>&#8211; Como um artista pode servir a uma causa e esquecer de si? Antes h\u00e1 que confiar no faro do melhor talento e o seguir acima de tudo. Qual \u00e9 o seu trabalho? Tocar? Dar concertos? Muitos podem fazer isso. Seu g\u00eanio \u00e9 criar m\u00fasica, para homens menores tocarem. Persiga esse g\u00eanio, sen\u00e3o est\u00e1 perdido. Trabalhe, desligue-se do mundo. \u00c9 o que os artistas querem h\u00e1 s\u00e9culos. Um lugar separado, longe das lutas de homens que n\u00e3o t\u00eam talento. Seja ego\u00edsta com esse g\u00eanio. Componha, componha muito.<BR>Chopin produziu parte substancial de sua obra na ilha. O supra-sumo do romantismo, ele ao piano e ela com a pena, a reg\u00ea-lo. N\u00e3o h\u00e1 quem resista a tanta felicidade. De tanto ela isol\u00e1-lo para preserv\u00e1-lo em nome da arte, o clima muda. Chopin acaba ref\u00e9m de sua pr\u00f3pria arte. \u00c0 merc\u00ea de um tutor que n\u00e3o era homem nem mulher. Esfria o \u00edmpeto e aumenta a depend\u00eancia. Do amor. O tempo, sens\u00edvel, entra em como\u00e7\u00e3o e se fecha, provocando chuvas constantes que agravaram suas crises de hemoptise. Uma separa\u00e7\u00e3o em que os amantes n\u00e3o voltam a se ver. Para desgosto do compositor, que ainda a amava. Assim como nunca mais voltaria para casa.<BR>Aos 39 anos falece Chopin. O corpo, enterrado em Paris. O cora\u00e7\u00e3o, enviado para Vars\u00f3via. O caix\u00e3o, coberto por terra polonesa. Ao som da \u201cMarcha F\u00fanebre\u201d que comp\u00f4s.<\/P><\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A m\u00fasica de Chopin \u00e9 extremamente sedutora para os ouvidos, pois cria imediatamente um ambiente de devaneio e encantamento. Faz o piano cantar, num estilo muito suave, quase celestial, uma melodia imortal mais afeta a pequenos sal\u00f5es do que grandes audit\u00f3rios. 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