﻿{"id":2396,"date":"2004-03-22T19:01:03","date_gmt":"2008-05-23T19:01:18","guid":{"rendered":""},"modified":"2023-05-17T22:06:03","modified_gmt":"2023-05-18T01:06:03","slug":"dogville","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornaldugaio.com.br\/index.php\/dogville\/","title":{"rendered":"DOGVILLE"},"content":{"rendered":"<div class=\"fsc_text\"><p><P>Somos casados com amigos, fam\u00edlia, colegas e vizinhos, enfim, com uma conven\u00e7\u00e3o n\u00e3o posta em discuss\u00e3o que pontua nossa vida. Quando conseguem nos encaixar na mira de seu entendimento, come\u00e7am a gostar de n\u00f3s conforme a imagem comprada, mesmo n\u00e3o estando de acordo com alguns aspectos de nossa personalidade. Se necessitamos compartilhar o precioso tempo, reconforta-nos saber o que esperar &#8211; gostando ou n\u00e3o &#8211; de algu\u00e9m. Ao menor aceno de mudan\u00e7a, o desassossego se instala. Tentam coagi-lo a permanecer o mesmo. Receiam que voc\u00ea cause transtornos ao trazer a ess\u00eancia das coisas \u00e0 tona e obter um significado novo. O que lhes daria o direito de se meterem onde n\u00e3o s\u00e3o chamados. Impingindo-nos culpa e ingratid\u00e3o, com o intuito de impedir que nos livremos de todos os entulhos ao nosso redor &#8211; a come\u00e7ar por livros que nunca conseguimos ler.<BR>Como desembarcamos nesse planeta t\u00e3o despreparados para entend\u00ea-lo? Choramos quando n\u00e3o somos alimentados, de relacionamentos em que aprendemos quem somos a partir do modo como agimos para obter as respostas de que necessitamos. Por que esperamos as primeiras rugas e cabelos brancos para correr atr\u00e1s de pistas sobre o que est\u00e1 acontecendo? Depois de sucessivos adiamentos. Que n\u00e3o funcionam de fato. Se tivermos que desembara\u00e7ar esse novelo, a hora \u00e9 agora: menos estrat\u00e9gia nos relacionamentos e mais olho no olho, para evitar a pior forma de solid\u00e3o &#8211; a acompanhada.<BR>E se descobrirmos no amor sentimentos ocultos e ainda n\u00e3o explorados que n\u00e3o se manifestam no atual contrato? A parte incomodada resiste e se comporta como crian\u00e7a, que bate com os p\u00e9s ao impor um amor cem por cento devotado. Num ciclo de repeti\u00e7\u00e3o cuja inten\u00e7\u00e3o \u00e9 perdurar o sonambulismo a que estamos sujeitos ao despertarmos pela manh\u00e3.<BR>O tempo \u00e9 um marco sem precedentes na evolu\u00e7\u00e3o da vida. O suficiente para distinguir salva\u00e7\u00e3o de destrui\u00e7\u00e3o, ansiedade pelo \u00eaxito de fracasso nos empreendimentos, ang\u00fastia adolescente de velhice solit\u00e1ria. Gastamos demasiado tempo com futricas que alimentam invejas e n\u00e3o nos detemos no prazer. Ocupados mentalmente em projetar onde queremos chegar, n\u00e3o temos tempo de entender a natureza do conflito e flu\u00edmos nossa energia para a insatisfa\u00e7\u00e3o. Tentando controlar a raiva, a campe\u00e3 das emo\u00e7\u00f5es vulgares. O truque para combat\u00ea-la \u00e9 se fingir de morto: ela se exaure frente ao sil\u00eancio, odeia n\u00e3o encontrar um advers\u00e1rio \u00e0 altura. A raiva se frustra se n\u00e3o consegue criv\u00e1-lo de culpa.<BR>Somos impulsionados pelo medo em nossas vidas, compelidos pela necessidade de avaliar e prever para sobreviver. O medo se tornou moderador de apetite para lutar ou fugir. Ficamos com medo de ser machucados quando nos aproximamos de novos relacionamentos, como se estiv\u00e9ssemos sendo fisicamente atacados. Nos tornamos t\u00edmidos ou demasiadamente agressivos. Faz parecer que sem a sua companhia estaremos sujeitos a desastres inevit\u00e1veis, a pretens\u00e3o do medo em ocupar o lugar do amor.<BR>Para vencer o medo dependemos somente da f\u00e9, posto que as cren\u00e7as nos d\u00e3o apenas seguran\u00e7a, uma perspectiva de sentido e dire\u00e7\u00e3o no contexto. A f\u00e9 n\u00e3o \u00e9 condicionada pelo pensamento, remove montanhas sem sabermos como. A f\u00e9 inspira a criatividade, que opera mudan\u00e7as e o insere na realidade, a cren\u00e7a disputa para abocanhar essa f\u00e9. A f\u00e9 incomoda por ser vista como obsess\u00e3o, a cren\u00e7a precisa de crentes para erigir a religi\u00e3o. Da\u00ed o suic\u00eddio causar mal-estar, por minar a f\u00e9 que vive em n\u00f3s e ao nosso redor.<BR>As crian\u00e7as anseiam se antecipar ao regime adulto, n\u00e3o aceitam o legado que lhes est\u00e1 sendo oferecido. J\u00e1 decidem por elas mesmas o que \u00e9 certo ou errado ao aclararem seus valores na escola, baseadas na experi\u00eancia de in\u00fameros pontos de vista que martelam sua cachola. O ideal democr\u00e1tico se degenerou atrav\u00e9s dos gurus da manipula\u00e7\u00e3o e das pesquisas de opini\u00e3o. A espiritualidade se multifaceta evidenciando a ru\u00edna das certezas religiosas, o ecumenismo \u00e9 uma quest\u00e3o de sobreviv\u00eancia, a moral \u00e9 relativa, o que restou em seu lugar? Apenas a nossa integridade como guia para assumir uma completa responsabilidade com a totalidade de nossa vida.<BR>Caso contr\u00e1rio, viramos Dogville. Bastou a depress\u00e3o econ\u00f4mica arruinar seus cidad\u00e3os, para tirar a m\u00e1scara de uma moral que persegue e submete a maus-tratos quem est\u00e1 mais por baixo ainda, a ponto de arrancar o p\u00ealo e a pele at\u00e9 alcan\u00e7ar a carne viva. Sob a capa de gente boa e simples, que nada mais almeja do que aceita\u00e7\u00e3o como filhos de Deus, a encobrir uma vilania que desgra\u00e7a a ra\u00e7a humana e faz Hitler dar cambalhotas na sepultura. O exterm\u00ednio \u00e9 a solu\u00e7\u00e3o mais r\u00e1pida para quem n\u00e3o quer pensar como n\u00f3s somos e colaborar para manuten\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie no atual status.<\/P><\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Somos casados com amigos, fam\u00edlia, colegas e vizinhos, enfim, com uma conven\u00e7\u00e3o n\u00e3o posta em discuss\u00e3o que pontua nossa vida. Quando conseguem nos encaixar na mira de seu entendimento, come\u00e7am a gostar de n\u00f3s conforme a imagem comprada, mesmo n\u00e3o estando de acordo com alguns aspectos de nossa personalidade. 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