﻿{"id":2663,"date":"2002-11-18T10:40:16","date_gmt":"2008-05-26T10:40:23","guid":{"rendered":""},"modified":"2023-05-17T22:16:47","modified_gmt":"2023-05-18T01:16:47","slug":"o-ultimo-malandro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornaldugaio.com.br\/index.php\/o-ultimo-malandro\/","title":{"rendered":"O &#218;LTIMO MALANDRO"},"content":{"rendered":"<div class=\"fsc_text\"><p>O \u00faltimo malandro acabou. Seja o personagem-tipo carioca no meio dos pobret\u00f5es, na virada do s\u00e9culo XIX, \u00e0s voltas com a capoeiragem e valentice &#8211; o malandro da Lapa. Seja o malandro-agulha, de bigodinho fino na sobrancelha do l\u00e1bio superior e cabelo ondulado assentado \u00e0s custas de Gumex ou Glostora, cigarro no canto da boca e sempre convidando para tomar um cafezinho e n\u00e3o pagar. F\u00e1cil de identific\u00e1-lo, a magreza raqu\u00edtica, pr\u00f3pria de quem passava fome e n\u00e3o confessava, o abuso do p\u00e3o com manteiga no botequim denunciava. Bebidas, socialmente, a cerveja, e para afogar o ganso em bord\u00e9is, rabo-de-galo e cinzano. Dan\u00e7ava que nem um Fred Astaire, com uma l\u00e1bia de encantar sogras, de palet\u00f3 e gravata cheirando a perfume, andando arrastado a catar virgens encalhadas, valorizando o tempo que se esfuma\u00e7ava nesse bo\u00eamio sensual.<BR>O precursor do Clube dos Cafajestes, que imortalizou em Copacabana, a Princesinha do Mar, a esposa no lar cuidando dos filhos e da comida, enquanto o cafajeste colecionava 1001 amantes, para contar vantagens sobre o que fez e est\u00e1 por fazer. <BR>O patrono de Carlos Imperial, o terror das menininhas do sub\u00farbio que acorriam ao Posto 6, em tempo de rock-and-roll, para se libertar da virgindade em troca de 15 minutos de fama na finada TV Rio.<BR>Uma verdadeira malta que n\u00e3o alcan\u00e7ou o tope do dedo mindinho de Madame Sat\u00e3. S\u00f3 ele podia dizer, \u201ceu sou viado, mas sou homem!<BR>Hoje, os cafajestes se tornaram crentes a pregar pros condenados que n\u00e3o repitam seu exemplo, agora que broxaram. Invocam Jesus Cristo em suas can\u00e7\u00f5es, ad nauseum. Se suicidam porque ignoraram o ef\u00eamero do sucesso, ao ignorarem os conselhos m\u00e9dicos. Tudo em nome do sexo virou tudo em nome da decad\u00eancia. Que rem\u00e9dio, se o casamento, que seria uma solu\u00e7\u00e3o reconfortante e reparadora, de t\u00e3o enxovalhado, n\u00e3o merece mais cr\u00e9dito!<BR>O melhor mesmo \u00e9 assistir de camarote, na poltrona do vov\u00f4, aos espet\u00e1culos proporcionados pelos nouveau riche no balan\u00e7o das redes do esporte, no pagode dos roqueiros, no universo ilimitado que embaralha fic\u00e7\u00e3o e realidade nas telas de cinema e TV, radicalizando mais, cada vez mais, ao sa\u00edrem do anonimato e realizarem o sonho de ser famoso. <BR>Esses novos atores enriqueceram a fauna dos machos para \u201clevar banho\u201d, tomarem o golpe do boneco de mulheres que se aproximam como que n\u00e3o querendo nada, e engravidam. Como a russa que arrancou 5 milh\u00f5es de d\u00f3lares do tenista alem\u00e3o Boris Becker, em 5 minutos, se tanto, no banheiro de uma festa. Preocupadas em sacar adiantado no futuro de seu filho \u00e0s custas da celebridade do pai, que lhe abrir\u00e1 as portas e, se tiver sorte, o ultrapassar\u00e1, gra\u00e7as ao sagrado ventre materno. E se Deus quiser, elas ainda pegam uma carona na m\u00eddia, gra\u00e7as ao sucesso nas manchetes e capas de revista, transformando-a em objeto de seu desejo e conquistando audi\u00eancia. O p\u00fablico baba em ver seus \u00eddolos de barro ganharem forma e consist\u00eancia na arte de manipul\u00e1-los, o auge do entretenimento. <BR>De entreter-se com a batata da perna, se cozida ou frita, j\u00e1 que nem o m\u00fasico sabe como tocar a campainha da garganta, visto que os ovos da mulher ficam dentro, no \u00fatero, e os dos homens, no saco fora. \u00c9 de bom tom n\u00e3o mais protelar, devolva-se o tend\u00e3o de Aquiles, se n\u00e3o existe cura para a dor-de-cotovelo. A prop\u00f3sito, por onde se come\u00e7a para engravidar a barriga da perna? <BR>Resta aos homens se protegerem com a vasectomia ou restarem obesos, em meio a cervejas e croquetes, colecionando filhos de mulheres cada vez mais jovens e bonitas, a provar que o sonho do pr\u00edncipe encantado foi substitu\u00eddo por essas maravilhosas e poderosas m\u00e1quinas, sozinhas ou mal-acompanhadas, que est\u00e3o comendo pelas beiradas o mingau em que se transformaram os homens. <BR>Saudosos os tempos do golpe do ba\u00fa aplicado em meninas-mo\u00e7a com a coniv\u00eancia de pais que, ao se assegurarem de que a procria\u00e7\u00e3o e o lar doce lar geravam a falta de horizontes, e o conseq\u00fcente embrutecimento, tratavam de sair \u00e0 cata de genros que tocassem seus neg\u00f3cios e filhas. <BR>Os precursores da loura burra, que resolveu eliminar o pai engenheiro e a m\u00e3e psiquiatra, e a seus palpites infelizes sobre relacionamento, libertando-se dessa pris\u00e3o. Na figura de Suzane Louise, estudante de Direito da PUC, de 19 anos, loira\u00e7a e bonita. Se houvesse cadeira el\u00e9trica no Brasil, ningu\u00e9m pensaria em assent\u00e1-la, ao lado de Elias Maluco e Sandro, do \u00f4nibus 174. <BR>Ao descartar a hip\u00f3tese de viver sua paix\u00e3o proibida em Trancoso ou nas Ilhas Faro, bastando atravessar a soleira do port\u00e3o da mans\u00e3o dos pais e se livrar das c\u00e2meras de vigil\u00e2ncia que a sitiavam, fr\u00e4ulein Suzane demonstrou sua revolta com o engodo de Romeu e Julieta, e provou que as feridas ainda est\u00e3o abertas, do legado do \u00faltimo malandro.<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O \u00faltimo malandro acabou. Seja o personagem-tipo carioca no meio dos pobret\u00f5es, na virada do s\u00e9culo XIX, \u00e0s voltas com a capoeiragem e valentice &#8211; o malandro da Lapa. 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