﻿{"id":2670,"date":"2002-04-15T10:49:40","date_gmt":"2008-05-26T10:49:47","guid":{"rendered":""},"modified":"2023-05-17T22:24:42","modified_gmt":"2023-05-18T01:24:42","slug":"e-doce-morrer-no-mar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornaldugaio.com.br\/index.php\/e-doce-morrer-no-mar\/","title":{"rendered":"&#201; DOCE MORRER NO MAR"},"content":{"rendered":"<div class=\"fsc_text\"><p><P>Mulheres de meia-idade depositaram no sarc\u00f3fago os conselhos e orienta\u00e7\u00f5es de suas m\u00e3es e av\u00f3s, indo buscar a felicidade nas m\u00e3os de toscos homens criados na rede de pesca, \u00e0 sombra de uma pedreira, ensurdecido pelo ru\u00eddo da serra ou sob o ritmo da acelera\u00e7\u00e3o do autom\u00f3vel. <BR>Mais vale um p\u00e1ssaro na m\u00e3o do que dois voando. Mais vale um &#8220;bom dia, madame!&#8221; de um mestre-de-obras e um motorista de madame que melhore a linguagem e aprume o vestir do que homens de seu pr\u00f3prio meio, que s\u00f3 t\u00eam olhos para garotinhas ou padr\u00f5es est\u00e9ticos que exaltem a beleza lapidada. De que adianta serem sofisticados e cultos, se n\u00e3o te d\u00e1 o menor carinho e n\u00e3o diz que te ama, tamanho o grau de insatisfa\u00e7\u00e3o com essa mulher cheia de vontades, caprichos, destemor e paran\u00f3ia de ser feliz.<BR>Geralmente bem-sucedidas e mais velhas que seus parceiros, acreditam que a diferen\u00e7a \u00e9 t\u00e3o brutal que n\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7o para disputas, vive-se apenas o sentimento, levanta-se o ego e goza-se o afeto. Ao se descobrirem v\u00edtimas do pr\u00f3prio preconceito, julgam poderem ser mais livres do que eram antes, na vanguarda dos acontecimentos. <BR>O que importa \u00e9 esse homem, tal como veio da Natureza, acreditar nela, apostar em ti, pedir para ensinar o caminho das pedras, \u00e0 mestra, com carinho. Que a valorize, nem julgue um \u00edmpeto dominador ensin\u00e1-lo a usar corretamente os talheres e selecionar sua literatura. Em troca, o afeto se encerra em aprender a preparar ch\u00e1 de mato e rem\u00e9dio de folhas, espiando a natureza com outros olhos. <BR>O maior barato \u00e9 a casa dele n\u00e3o ter chave e comer peixe com a m\u00e3o, passear de m\u00e3os dadas de manh\u00e3 para comprar p\u00e3o, pedir \u00e0 m\u00e3e dele sua m\u00e3o em casamento, v\u00ea-lo t\u00edmido diante da fam\u00edlia dela, \u00e9 n\u00e3o deixar ele gastar o que ganha na casa, seu dinheiro cabe todo no bolso. Atrav\u00e9s da poesia, procura desbastar as desigualdades e polir o tosco.<BR>Ter acesso ao mundo proibido \u00e9 retribu\u00eddo com o corpo em total sintonia que faz a cabe\u00e7a delas, porque as amam e admiram. Entrecruzam os olhos num bar, ela o leva para casa, se iniciam no ch\u00e3o e estendem ao mar, na madrugada de lua cheia, em meio a peixes que pululam de alegria diante do arrebatamento que as remete para uma outra gal\u00e1xia, o sexo odiss\u00eaico. <BR>O grande divisor de \u00e1guas \u00e9 a televis\u00e3o, recurso ainda utilizado para despender a noite, afinal, c\u00e9u estrelado, sess\u00e3o ap\u00f3s sess\u00e3o, entedia. Romance versus a\u00e7\u00e3o, informa\u00e7\u00e3o versus esporte, novela aglutina, o que significa o Oscar? Pode me explicar? <BR>Para que fazer tempestade em copo d\u2019\u00e1gua? Se a St\u00e9phanie de M\u00f4naco matou de desgosto sua m\u00e3e ao s\u00f3 se interessar por seguran\u00e7as e domador de le\u00f5es, logo a princesa Gracie que se casou com Rainier pensando em viver um conto de fadas. O melhor a fazer \u00e9 relaxar, curtindo seu pedreiro no Opala de vidro ray-ban. <BR>O mar&#8230; quando quebra na praia, \u00e9 bonito&#8230; \u00e9 bonito, e Dorival Caymmi faiscou os olhos de pescadores, que pularam fora de romances e tornaram realidade o amor entre mulheres ricas e homens pobres. No entanto, o compromisso de comprar um barco juntos se desfaz no descompromisso de voltar do mar sem peixe, t\u00e3o l\u00e9pido e fagueiro quanto o que ser\u00e1 amanh\u00e3. <BR>O feminismo abriu in\u00fameras vertentes irrevers\u00edveis cujos verbos n\u00e3o conjugam a sem preocupa\u00e7\u00e3o no presente, o amor prev\u00ea resultados. Se trabalha e n\u00e3o ganha \u00e9 pra ficar louca, o fantasma da dona de casa ainda ronda, ter filho \u00e9 sin\u00f4nimo de dar uma forma\u00e7\u00e3o melhor a que recebeu, mas como, se ele, cada vez mais, \u00e9 ancestral e naturalista, meio-termo n\u00e3o faz parte de seu dicion\u00e1rio, s\u00f3 lhe apraz amar ou n\u00e3o querer. <BR>E se ele um dia cismar com os in\u00fameros momentos felizes, sentindo-se bloqueado, por n\u00e3o estar \u00e0 altura daquela mulher bonita e gostosa? Cansado de ser aluno e protegido das intemp\u00e9ries dessa louca vida de querer tudo que j\u00e1 viu no cinema e na TV. Se for para viver o personagem de mero objeto a servi\u00e7o de sua valoriza\u00e7\u00e3o, \u00e9 melhor saltar fora e casar com uma mo\u00e7oila do arrabalde. <BR>\u00c9 doce morrer no mar, canta Caymmi, enquanto voc\u00ea atina com o cachorro idiota e pinel que come\u00e7a a dar voltas em torno de si mesmo, mordendo o rabo atr\u00e1s de uma pulga que ningu\u00e9m v\u00ea.<\/P><\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mulheres de meia-idade depositaram no sarc\u00f3fago os conselhos e orienta\u00e7\u00f5es de suas m\u00e3es e av\u00f3s, indo buscar a felicidade nas m\u00e3os de toscos homens criados na rede de pesca, \u00e0 sombra de uma pedreira, ensurdecido pelo ru\u00eddo da serra ou sob o ritmo da acelera\u00e7\u00e3o do autom\u00f3vel. 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