﻿{"id":2695,"date":"2002-04-01T14:58:26","date_gmt":"2008-05-26T14:58:34","guid":{"rendered":""},"modified":"2023-05-17T22:24:45","modified_gmt":"2023-05-18T01:24:45","slug":"silencio-4","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornaldugaio.com.br\/index.php\/silencio-4\/","title":{"rendered":"SIL&#202;NCIO"},"content":{"rendered":"<div class=\"fsc_text\"><p><P>Monstros pr\u00e9-hist\u00f3ricos se transformaram em drag\u00f5es, le\u00f5es, cobras e \u00e1guias, depois elevados \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de antepassados, por encarna\u00e7\u00e3o do instinto sexual e do gosto pela vida. Por essa \u00e9poca, inexistia a individualidade, n\u00e3o havia a menor condi\u00e7\u00e3o de sentir medo pelo que era, voc\u00ea se via atrav\u00e9s do outro. Ser considerado ou ser submetido era o que em carne e osso confirmava que n\u00f3s existimos. <BR>Posteriormente, \u00e9 que surgiu essa coisa de solid\u00e3o, de que n\u00e3o h\u00e1 coisa melhor do que falar consigo mesmo s\u00f3 para desafogar as m\u00e1goas e atenuar a dor. Voc\u00ea \u00e9 como eu, n\u00e3o pode suportar a solid\u00e3o, tamb\u00e9m precisa achar algu\u00e9m com quem conversar, para se assegurar de que n\u00e3o vale a pena distinguir do que viveu, o que tem vivido de sonhos em suas lembran\u00e7as e impress\u00f5es, embora comiche a curiosidade de saber o que se passa na minha imagina\u00e7\u00e3o e o que rola de verdade na minha experi\u00eancia, tendo como eco sua viagem interior. <BR>Por mais que voc\u00ea guarde seu sil\u00eancio, \u00e9 imposs\u00edvel dissociar-nos, apenas prejudica uma viagem espiritual, embora seu rosto continue uma fonte de ilus\u00f5es. Tamb\u00e9m, de que vale nele buscar um significado a qualquer pre\u00e7o, se n\u00e3o \u00e9 sen\u00e3o uma imagem fabricada pela livre associa\u00e7\u00e3o de id\u00e9ias, vagabundeando na mem\u00f3ria, na v\u00e3 tentativa de se resgatar uma imagem? <BR>Menos mal que o universo gigantesco, onde tudo pode acontecer, gira em torno de voc\u00ea e eu, esse tal de \u201cn\u00f3s\u201d \u00e9 enganador, soa afetado e hip\u00f3crita no individualismo que nos concerne e nos norteia, obrigando-nos a ingerir ch\u00e1s amargos de plantas medicinais que ajudam a dissipar os efeitos de embrulhos que semelhantes nos causam. Por conta do sil\u00eancio. <BR>Por conta do sil\u00eancio que atinge, maltrata e fere porque insinua a indiferen\u00e7a que faz crescer a cara de desprezo que a\u00e7oita os in\u00fameros calcanhares-de-aquiles que dispomos para ensinar cuidado com o andor que o santo \u00e9 de barro. Santos de pau oco que despem um santo para cobrir outro no maior sil\u00eancio, fingindo que nada acontece por acaso, duro mesmo \u00e9 aceitar uma realidade que soterrou o passado, acostumados que est\u00e3o a olhar para tr\u00e1s, tamanho o rabo que deixaram. <BR>Se voc\u00ea se op\u00f5e \u00e0s desigualdades sociais e \u00e0s injusti\u00e7as da Justi\u00e7a, e perdeu a no\u00e7\u00e3o do absurdo quanto mais olha este mundo e a pr\u00f3pria humanidade, \u00e9 porque ainda n\u00e3o fez o que pensa ter feito, n\u00e3o \u00e9 um cara para ser levado a s\u00e9rio, como apregoa s\u00ea-lo, perseguido pela m\u00e1 sorte e maquina\u00e7\u00f5es de gente malvada, como acredita que seja. As m\u00e1s l\u00ednguas diriam que saiu do s\u00e9rio porque n\u00e3o consegue mais ser totalmente s\u00e9rio, embora se magoe e rompa as rela\u00e7\u00f5es com quem tiver a aud\u00e1cia de revelar que n\u00e3o \u00e9 mais verdadeiro. <BR>Vai entender que n\u00e3o age mais com honradez e perdeu seu valor. Pelo singelo motivo de que n\u00e3o \u00e9 mais totalmente feliz. <BR>Nessa hora, o corpo tirita de frio e de medo de tanto querer, de poder voltar ao conv\u00edvio dos seus, mas n\u00e3o acha mais ningu\u00e9m. Assumir um novo amor antes mesmo de ter rompido com o precedente pressup\u00f5e uma por\u00e7\u00e3o ativa predominante sobre o passivo que nos mant\u00eam na indecis\u00e3o. Ou se domina o pr\u00f3prio destino ou \u00e9 o destino que o domina. Ou se imola em paix\u00f5es fugidias ou foge como o diabo da cruz e volta a si. Ou se concentra em mat\u00e9ria de amor ou fica sem saber o que amar. Ou se assume os riscos da ambi\u00e7\u00e3o, a base do que vier a empreender, ou n\u00e3o se distingue dos outros. <BR>Como o z\u00e9 man\u00e9 que vendia l\u00e1pis gigantes de \u00f4nibus em \u00f4nibus. Quem ir\u00e1 comprar aquele trambolho no \u00f4nibus e levar para casa? Se ainda fosse na porta de escola, cujo senso cr\u00edtico \u00e0 crian\u00e7a n\u00e3o ofende, v\u00e1 l\u00e1 que seja. S\u00f3 pode ser um carma escolher o l\u00e1pis gigante como fonte de seu sustento. A compara\u00e7\u00e3o, se medida a propor\u00e7\u00e3o, fere suscetibilidades, que importa se quem procura o amor sem ter dinheiro, n\u00e3o acha o amor, ou se quem procura o dinheiro sem ter o amor, acha o amor\u201d, arremata o chin\u00eas Nobel de literatura, Gao Xingjian, com a maior seriedade.<\/P><\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Monstros pr\u00e9-hist\u00f3ricos se transformaram em drag\u00f5es, le\u00f5es, cobras e \u00e1guias, depois elevados \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de antepassados, por encarna\u00e7\u00e3o do instinto sexual e do gosto pela vida. Por essa \u00e9poca, inexistia a individualidade, n\u00e3o havia a menor condi\u00e7\u00e3o de sentir medo pelo que era, voc\u00ea se via atrav\u00e9s do outro. 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