﻿{"id":3162,"date":"2008-12-27T00:00:01","date_gmt":"2008-12-27T09:41:28","guid":{"rendered":""},"modified":"2008-12-27T00:00:01","modified_gmt":"2008-12-27T09:41:28","slug":"coitadinha-e-a-mae","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornaldugaio.com.br\/index.php\/coitadinha-e-a-mae\/","title":{"rendered":"COITADINHA &#201; A M&#195;E"},"content":{"rendered":"<div class=\"fsc_text\"><p>J\u00e1 disse aqui que escrever \u00e9 uma \u00f3tima terapia. Repito. Principalmente quando voc\u00ea se predisp\u00f5e a falar de si pr\u00f3prio e se permite deixar a mente divagar e vai digitando quase na velocidade dos pensamentos. Por isso, recomendo a escrita a todo mundo que tiver curiosidade ou a m\u00ednima vontade de faz\u00ea-lo. Principalmente para aqueles que acreditam na psican\u00e1lise. E, se voc\u00ea n\u00e3o se sente \u00e0 vontade, n\u00e3o precisa mostrar seu texto pra ningu\u00e9m (a n\u00e3o ser o analista, se houver um). O importante \u00e9 ter coragem de come\u00e7ar. O que vem depois \u00e9 um presente maravilhoso. <br \/>S\u00f3 que pra sess\u00e3o de auto-an\u00e1lise funcionar \u00e9 imprescind\u00edvel escrever com o cora\u00e7\u00e3o. A raz\u00e3o tem que ser deixada de lado. Pelo menos num primeiro momento. Depois de acabar, voc\u00ea pode at\u00e9 reler o texto e consertar alguns erros de portugu\u00eas, melhorar a forma de se expressar ou cortar sup\u00e9rfluos, mas a id\u00e9ia principal, a mensagem mais importante que o seu subconsciente tiver escrito por voc\u00ea, essa,&nbsp; sim, tem que permanecer intacta. Digo isso porque outro dia escrevi um desabafo sobre os meus pr\u00f3prios defeitos e mandei para um amigo meu, dizendo que, se ele quisesse, poderia publicar no site dele, mas que, de antem\u00e3o, eu duvidava que aquele texto despertasse interesse em algu\u00e9m. Que ningu\u00e9m estaria interessado no meu infinito particular. Pois bem. E n\u00e3o \u00e9 que ele adorou? Tanto que publicou aqui.<br \/>Por que ele adorou? Simples. Porque poucas pessoas admitem as pr\u00f3prias falhas.&nbsp; E, o mais importante: pouqu\u00edssimas t\u00eam est\u00f4mago para tentar entender porque s\u00e3o assim. Assumir perante o outro ent\u00e3o \u00e9 mais raro ainda. E \u00e9 a\u00ed que eu queria chegar. Deixando de lado o meu defeito de me abrir demais para pessoas que n\u00e3o merecem e, muitas vezes, n\u00e3o est\u00e3o nem a\u00ed pro meu relato, pessoas muito queridas que merecem minhas confiss\u00f5es, muitas vezes, quando me ouvem relatando algumas dessas minhas descobertas, ficam com pena de mim. &#8220;Coitada da Mariana! Est\u00e1 encucada com tanto problema criado por ela pr\u00f3pria. Uma menina bonita, doce, rica (h\u00e1 controv\u00e9rsias), saud\u00e1vel, etc, etc&#8230; parece que fica inventando problema onde n\u00e3o existe! Como ela \u00e9 fraquinha!&#8221;<br \/>Eles n\u00e3o poderiam estar mais enganados. Todo mundo tem problemas. Isso \u00e9 normal. N\u00e3o \u00e9 um drama. Faz parte da vida. E digo mais: todo mundo cria seus pr\u00f3prios problemas. J\u00e1 reparou quando aquela sua amiga te conta uma hist\u00f3ria enorme, em tom de choro, de um drama que voc\u00ea j\u00e1 est\u00e1 de saco cheio de ouvir porque enxerga o qu\u00e3o f\u00e1cil \u00e9 a sua solu\u00e7\u00e3o? Mas que sua amiga n\u00e3o consegue resolver, coitada! Voc\u00ea pensa: &#8220;\u00c9 t\u00e3o simples. Basta agir assim e assado.&#8221; Mas quem disse que a fulana faz isso? N\u00e3o faz. Da mesma forma que voc\u00ea faz um bando de coisas absurdas e sofre com isso. E sua amiga, ao te ver sofrendo, tamb\u00e9m pensa: &#8220;Como a sicrana \u00e9 cega. A resposta est\u00e1 na cara e ela n\u00e3o v\u00ea.&#8221; E isso acontece com todo mundo. Do lado de fora \u00e9 tudo mais f\u00e1cil. Voc\u00ea resolveria o problema assim e assado porque n\u00e3o est\u00e1 no lugar da fulana, n\u00e3o foi educado como a fulana, n\u00e3o teve as experi\u00eancias de vida da fulana, n\u00e3o tem a personalidade da fulana, o passado da fulana, a vida da fulana. Voc\u00ea v\u00ea a vida como a sicrana que voc\u00ea \u00e9, ora bolas!<br \/>Como eu disse: todo mundo tem problemas. E n\u00e3o adianta responder que h\u00e1 problemas maiores e menores. O que d\u00e1 a dimens\u00e3o exata do problema \u00e9 a maneira com que a pessoa reage a ele. E, pra mim, h\u00e1 tr\u00eas tipos de pessoas: aquela que admite os pr\u00f3prios defeitos e se aprofunda neles para tentar evitar que ele seja recorrente, para cortar o mal pela raiz; aquela que vive na superf\u00edcie, sempre achando que o problema est\u00e1 no outro e ela \u00e9 uma injusti\u00e7ada; e aquela que at\u00e9 tem consci\u00eancia das pr\u00f3prias mazelas, mas, por livre e espont\u00e2nea vontade, resolve empurrar com a barriga.&nbsp; Coitadinho pra mim \u00e9 quem vive a vida na superf\u00edcie. Afinal, se ele \u00e9 um injusti\u00e7ado e o problema est\u00e1 no outro, ele nunca vai se livrar do problema, a n\u00e3o ser que mate o outro, n\u00e3o \u00e9 mesmo? (Ser\u00e1 que \u00e9 da\u00ed que nascem os psicopatas??) J\u00e1 quem reconhece que o problema est\u00e1 dentro de si e sofre ao cair na real, esse sim tem o poder de mudar as coisas, vai se mexer para virar o jogo, porque sabe que isso s\u00f3 depende dele. <br \/>Ent\u00e3o, n\u00e3o se esque\u00e7a: quando algum amigo vier te contar que descobriu que age assim por causa disso ou daquilo e resolveu mudar, n\u00e3o fique com pena dele. D\u00ea os parab\u00e9ns. N\u00e3o o aconselhe a parar de falar besteiras nem tente compens\u00e1-lo elogiando suas qualidades ou mudando de assunto. Se as descobertas dele forem genu\u00ednas, e voc\u00ea realmente gostar do sujeito, encoraje-o a ir fundo na quest\u00e3o. Isso sim \u00e9 ser amigo. E depois mire-se no exemplo do sujeito para olhar pra dentro de si e ver o que em voc\u00ea pr\u00f3prio pode ser melhorado. Ou n\u00e3o. Voc\u00ea escolhe. S\u00f3 tenha consci\u00eancia de que coitado \u00e9 aquele que acredita que n\u00e3o tem problemas. \u00c9 ceguinho, coitadinho!<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>J\u00e1 disse aqui que escrever \u00e9 uma \u00f3tima terapia. Repito. Principalmente quando voc\u00ea se predisp\u00f5e a falar de si pr\u00f3prio e se permite deixar a mente divagar e vai digitando quase na velocidade dos pensamentos. Por isso, recomendo a escrita a todo mundo que tiver curiosidade ou a m\u00ednima vontade de faz\u00ea-lo. 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