﻿{"id":5254,"date":"2013-07-29T00:00:02","date_gmt":"2013-07-29T03:00:02","guid":{"rendered":""},"modified":"2023-05-12T21:45:34","modified_gmt":"2023-05-13T00:45:34","slug":"hannah-arendt-e-a-banalidade-do-mal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.jornaldugaio.com.br\/index.php\/hannah-arendt-e-a-banalidade-do-mal\/","title":{"rendered":"HANNAH ARENDT E A BANALIDADE DO MAL"},"content":{"rendered":"<div class=\"fsc_text\"><div style=\"text-align: justify;\">O filme \u201cHannah Arendt\u201d, de Margarethe von Trotta, n\u00e3o \u00e9 somente o encontro da judia Arendt com o nazistoide Adolf Eichmann no julgamento em Jerusal\u00e9m e sim sua coragem e for\u00e7a devotada ao pensamento, muitas vezes confundido com arrog\u00e2ncia por ela n\u00e3o temer bater de frente com a comunidade judaica.\u00a0<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Essa grande mulher, uma das maiores pensadoras do s\u00e9culo XX, desenvolveu em n\u00edvel socr\u00e1tico e em tempos sombrios toda a sua filosofia dedicada \u00e0 compreens\u00e3o do mundo e sofrendo a solid\u00e3o de seu pensamento e o isolamento de seus amigos. Segundo ela, tudo compreender n\u00e3o \u00e9 tudo perdoar, seja os regimes totalit\u00e1rios, fascistas ou comunistas, ou tampouco Eichmann. Compreender os males que assolam a esp\u00e9cie humana \u00e9 uma tentativa de se reconciliar com as intemp\u00e9ries do mundo, que se sucedem sem parar.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">A maior controv\u00e9rsia em torno de Hannah Arendt gira sobre a banalidade do mal. Ao inv\u00e9s de ser radical ou demon\u00edaco, o mal \u00e9 banal. A causa disso \u00e9 a irreflex\u00e3o, a falta de pensamento, a prefer\u00eancia pela superficialidade, pela trivialidade, abdicando da humanidade para pensar. Traduzindo, quanto mais a pessoa n\u00e3o se aprofundar e preferir se manter \u00e0 superf\u00edcie, mais prov\u00e1vel ceder ao mal. Basta, portanto, resistirmos \u00e0 banalidade do mal ao n\u00e3o nos permitirmos ser arrastados pela platitude e ao car\u00e1ter dos sem express\u00e3o e med\u00edocres, principiando a pensar em abra\u00e7ar outra dimens\u00e3o que n\u00e3o o horizonte da vida cotidiana.\u00a0<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">A banalidade do mal foi err\u00f4nea e fanaticamente interpretada como se Hannah Arendt estivesse se referindo \u00e0 trag\u00e9dia das v\u00edtimas do holocausto como algo banal. Assim os judeus entenderam, de forma reativa, quando se sentiram injusti\u00e7ados por ela abordar o colaboracionismo judeu com as pr\u00e1ticas de exterm\u00ednio e tripudiar sobre a passividade com que o povo judaico se encaminhou para as c\u00e2maras de g\u00e1s sob o comando da m\u00e1quina nazista, aguardando uma solu\u00e7\u00e3o que viesse dos C\u00e9us e sustasse a Solu\u00e7\u00e3o Final. Arendt j\u00e1 havia negado em suas \u201cOrigens do totalitarismo\u201d a vincula\u00e7\u00e3o do exterm\u00ednio nazista \u00e0 persegui\u00e7\u00e3o aos judeus ao longo da Hist\u00f3ria das civiliza\u00e7\u00f5es.\u00a0<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">A tese dif\u00edcil de aceitar \u00e9 de n\u00e3o ver em nazistas que n\u00e3o pertencessem \u00e0 cadeia de comando um antissemita fan\u00e1tico, que s\u00f3 teria na vida o prop\u00f3sito patol\u00f3gico de exterminar judeus, e sim apenas a ambi\u00e7\u00e3o por progredir em suas carreiras e subir na vida, a despeito do que o nazismo fazia \u00e0 sua volta. Com Hannah Arendt comparando-os aos burocratas que vivem no mundo de hoje, cujos objetivos s\u00e3o os mesmos, considerado por ela como a mediocridade pequeno-burguesa. Partindo do pressuposto de que a fenomenologia do mal se manifesta na superficialidade das coisas face \u00e0 normalidade das condi\u00e7\u00f5es em que se reproduziu a monstruosidade at\u00edpica dos crimes nazistas em t\u00e3o pouco tempo. O nazismo dependeu de pessoas que n\u00e3o pensavam ou que somente o faziam baseando-se em clich\u00eas ou lugares-comuns para n\u00e3o ter o que pensar, deixando-se levar pela engrenagem.\u00a0<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Embora o grande pensador e fil\u00f3sofo Heidegger, a maior influ\u00eancia de Hannah Arendt e seu amante, em seus tenros 17 anos, a tivesse orientado a n\u00e3o partir para a pol\u00eamica, onde predomina o embate e n\u00e3o h\u00e1 pensamento, somente opini\u00e3o e achismos, de modo a interpretar os fen\u00f4menos e pondo a lume o que a\u00ed se manifesta para atingir seu verdadeiro eu, conforme ele posteriormente faria aderindo ao nazismo como reitor da Universidade de Freiburg.\u00a0<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Nosso mundo \u00e9 capaz de produzir muitos Eichmanns, que, sem que sejam percebidos como tal, algu\u00e9m terr\u00edvel e horrivelmente normal, s\u00e3o pe\u00e7as decisivas para engendrar uma m\u00e1quina que se aproprie de nossas mentes, sendo necess\u00e1ria uma permanente vigil\u00e2ncia para garantir a defesa e a preserva\u00e7\u00e3o de nossa consci\u00eancia.<\/div>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O filme \u201cHannah Arendt\u201d, de Margarethe von Trotta, n\u00e3o \u00e9 somente o encontro da judia Arendt com o nazistoide Adolf Eichmann no julgamento em Jerusal\u00e9m e sim sua coragem e for\u00e7a devotada ao pensamento, muitas vezes confundido com arrog\u00e2ncia por ela n\u00e3o temer bater de frente com a comunidade judaica.\u00a0 Essa grande mulher, uma das [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[19,20],"tags":[],"class_list":["post-5254","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-assuntos-gerais-cronicas","category-cronicas"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.5 - 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