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A INTELIGÊNCIA NÃO É SUFICIENTE PARA ELEVAR O ESPÍRITO

Em maio de 1858, o lançamento da primeira edição da Revista Espírita contemplou um relato de Allan Kardec que viria a despertar a curiosidade dos leitores, fruto de conversas mantidas com o Espírito de Wolfgang Amadeus Mozart. Desde os 5 anos, foi extraordinário compositor e músico, e posterior professor de música e maestro austríaco, vindo a falecer em 1791 com apenas 35 anos. O que Mozart teria revelado?
De outro plano distante em Júpiter, desfrutava de grande tranquilidade e afirmava que os habitantes daquele mundo não cultivavam o ódio. Mozart falava com naturalidade sobre a alma, a morte, a vida futura e a evolução espiritual. Uma das ideias centrais era a posição do Espírito no Plano Espiritual não ser determinada simplesmente pela inteligência ou pelo conhecimento, mas principalmente pelo grau de depuração de seus vícios e mazelas, pela bondade e pelas virtudes.
A extrema sensibilidade de Mozart, constatada em suas notáveis e eternas criações artísticas, deve tê-lo levado mais cedo da Terra para colocá-la a serviço da espiritualidade, na qual se vislumbraria a melodia sempre presente na própria Natureza. No murmúrio da água, no movimento das folhas, no fluir do vento, no esplendor das flores, nas plantas que verdejam vigor e nas gaivotas que fogem de montanhas e prenunciam chuvas pesadas. Melodia que chegaria aos ouvidos do oceano, um mundo paralelo que anseia irmanar-se e entrar em harmonia com o mundo terrestre, sem mais ameaçá-lo com tsunamis e inundações, visando o domínio do planeta.
Dentro dessa visão, a música não mais dependeria dos instrumentos tais como os conhecemos aqui na Terra. O pensamento seria capaz de produzir a harmonia, enquanto plantas e aves participariam dessa manifestação musical. Uma música que venceria a barreira dos sentidos. Para o Espírito de Mozart, a música dos mundos superiores seria tão diferente da música terrestre que não poderia ser adequadamente tocada ou reproduzida através de nossos instrumentos. Significaria uma outra vida.
O Espírito de Mozart teria aconselhado a trabalhar, a lutar contra suas imperfeições e tornar-se digno de mundos mais felizes – a Terra seria apenas uma etapa. O progresso espiritual estaria ligado às virtudes. Não basta desejar um mundo melhor; é preciso transformar-se para merecê-lo.
Quando lhe perguntado se não seria melhor permanecer eternamente como Espírito, Mozart asseverou que manter-se parado significaria estacionar, enquanto o objetivo seria continuar caminhando em direção a Deus. Ou seja, a existência não terminaria com a morte; ela continuaria como uma jornada de aperfeiçoamento. 170 anos depois, o relato continua chamando atenção não apenas por envolver um dos maiores compositores da História, mas por realçar que a inteligência não é suficiente para elevar o Espírito e que a verdadeira grandeza se concentra nas virtudes conquistadas.

Antonio Carlos Gaio:
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