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CAPÍTULO CV – QUANTO MAIS TALENTO PARA MANIPULAR E INFLUENCIAR, MAIOR PROPENSÃO AOS DESVIOS MORAIS

Kardec dizia que era visitado por pessoas que nunca tinham testemunhado manifestações, à época tratadas como insanidade. E nem por isso deixaram de crer no mundo dos Espíritos pelo estudo que fizeram da parte filosófica – tal como ele. O fenômeno das manifestações seria acessório, o mais importante, a ciência contida na doutrina, e que melhor resolve uma multidão de problemas reputados insolúveis. Quantos desses estudiosos já não haviam germinado em sua mente ramagens da doutrina, como meu avô nos anos 1920, ao constatar estupefato não lhe ser estranho o que aprendera com Kardec quando entrou em contato com o Espiritismo pela primeira vez. O Espiritismo surgia para coordenar esses ensinamentos e dar-lhes um corpo, autêntico raio de luz para quem desejava se imantar.

Retomada a intervenção espiritual, sem ainda ser presencial na Fundação Marietta Gaio e realizada na residência de cada médium e de quem se encontra sob tratamento, segundo o calendário da Fundação, e com todos obedecendo ao regime de confinamento em face da pandemia do coronavírus, a centésima quinta intervenção espiritual, em 22 de maio de 2020, efetivou-se sob a égide da leitura e estudo preliminar sobre os itens 10 a 12 (“A quem muito foi dado muito será pedido”) do capítulo 18 (“Muitos os chamados e poucos os escolhidos”). No entanto, prossegue a investigação espiritual sobre a pandemia iniciada e inclusa na mesma série, sob as bênçãos kardecistas de “O Livro dos Espíritos”, alternando a cada semana com “O Evangelho segundo o Espiritismo”.

Jesus Cristo veio ao mundo para dar curso a um julgamento: aqueles que não veem, que vejam, e aqueles que veem, que se tornem cegos. Se fôsseis cegos, não teríeis pecados; mas agora que dizeis, fariseus, que vedes, é por isso que o pecado permanece em vós. Ou seja, a culpa existe em razão do conhecimento que se possui. Os fariseus tinham a pretensão de ser, e eram de fato, a parte mais esclarecida da nação e, portanto, os mais repreensíveis aos olhos de Deus do que o povo inculto e sem qualquer conhecimento. Por dominarem a arte da manipulação e de influenciar, possuindo talento para iludir, escamotear, fingir. Como só e acontece hoje.

Apesar destas palavras de Jesus se encaixarem nos ensinamentos dos Espíritos, muitos dos que leem não as compreendem, embora desenvolvidas e comentadas para colocá-las ao alcance de todos, sendo letrado ou não, tenha ou não uma crença, cristão ou não, já que os Espíritos se manifestam em todos os recantos para fazer com que a mensagem chegue ao destinatário. Diretamente ou por intermédio de outras pessoas, não se pode alegar ignorância ou pouca instrução, nem falta de clareza ou abuso de metáforas ou alegorias, pois o conteúdo não passa pela ordem do raciocínio, e sim de alcançar outros campos da moral, norteadores das relações sociais e da conduta dos homens, por vezes ainda não visitados.

Talvez até admire tais valores considerados interessantes e curiosos, ainda que não os coloque em prática para melhorar-se. Em vista de seu coração não se tocar tão profundamente por esses princípios, nem de vir a ser menos fútil, menos orgulhoso, menos egoísta, menos apegado aos bens materiais, nem melhor para com seu próximo e, portanto, tornando-se tão mais culpado quanto mais haja tido meios e possibilidades para conhecer a verdade, nada mais que a verdade.

O primeiro pensamento de todo espírita sincero – e não é redundância – é se dirigir aos conselhos dados pelos Espíritos e procurar se não há algo que lhe diga respeito.

Antonio Carlos Gaio:
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