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DEMORA DA MULHER EM GOZAR

Espera-se que tenha decrescido o número de homens que pouco se importam se a mulher gozou ou não após eles terem ejaculado. Mas certamente não diminuiu os que se irritam com a demora da mulher em gozar por eles interpretarem como falta de desejo ou apetite em comê-los e isso vir a bloqueá-los, gerando uma frustração que irá secando a fonte do amor.
Nessa situação, o homem é movido pelo sentimento egoísta de que ela não o está acompanhando, seguindo suas pegadas e, pior, não atingindo o êxtase com ele, quando ambos não gozam no mesmo instante. Ou então, se a excitação se processar lentamente ou num ritmo diferente, a ponto de resultar num grande esforço que o irá desgastando, prejudicando seu orgasmo pois tem de reter a ejaculação, isso o leva a concluir que ela não consegue gozar – a antiga frígida – ou que ela se posiciona fora da jogada, do esquema cognominado de amor, onde ambos têm de tirar vantagem. Nele provocando enorme insegurança, por achar que ela não o ama ou o deseja em igual reciprocidade. Ou que ela é por demais misteriosa, o que o faz pressupor esconder seus reais sentimentos, deixando-o à mercê de uma autêntica esfinge. Mesmo que ele goze caudalosamente, o tesão circula numa área perigosa, minando sua confiança progressivamente por não saber com quem está se relacionando de verdade, implicando que a relação broxe irremediavelmente. Desesperando-a por ela não saber explicar por que demora tanto, se devagar se vai ao longe, se o seu orgasmo se localiza exclusivamente no clitóris necessitando ser estimulado, ou se não protege em demasia sua sexualidade de vibrações ao correr do corpo, que a descontrolam e a instabilizam. Quando ele quer a coisa líquida e certa senão desembarca da canoa furada, tal como ela demonstrar iniciativa, correr atrás de seu prazer, de forma a ele sentir que é amado.
Se ela não manifestar a mesma descontração, facilidade e firmeza que o considerado profissional em sua obsessão por gozar, evidenciará retardamento em abraçá-lo e se entregar ao prazer, ao que ele interpretará como rejeição à sua distintíssima pessoa por ela sentir medo de avançar sobre ele e quiçá enfastiá-lo com sua sofreguidão e insegurança, nada mais restando a ele do que esvaziar o desejo por sua mulher.
Os homens receiam que mulheres, a quem julgam de sexualidade comprometida, os bloqueiem e acarretem sérios prejuízos à sua vitalidade. À sua expressão máxima de felicidade.
Antonio Carlos Gaio:
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