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GÓLGOTA

Nestes tempos de pessimismo e tormenta interior cuja imagem mais forte é debater-se nas trevas, há que pacificar nossos pensamentos para começar tudo de novo.
Na hora sombria e dilacerante do fracasso de perspectivas, jamais desistir de lutar e trabalhar, dia após dia, pelo reerguimento e retorno às ideias evolucionistas, soterradas momentaneamente pelo atraso e obscuridade. Comece indagando se algo te impede, definitivamente, de retomar a luta.
Pois temos que dar o melhor de nossa capacidade. Nenhum de nós está se sentindo bem ante os erros que cabia terem sido evitados. A intolerância desencadeada sobre nossas cabeças revela má avaliação e culpa. Tristeza e vergonha pelos descaminhos da irresponsabilidade.
O presente, no entanto, nos convoca para a lucidez moral. O inimigo é forte, violento, ardiloso, mentiroso, perverso e vil, reunindo em torno de si todas as forças do Mal. Compete-nos saber lidar com os dissabores em cascata que machucam o nosso moral.
Reconheçamos, a priori, o quanto, ao longo da caminhada, fomos suscetíveis à queda e encaminhados paulatinamente à gólgota. Recomenda-se um inventário para medir a extensão de nossa fragilidade. Perceba o valor de continuar a batalha sem tréguas. Após esses passos, saber aguardar, recuperar o fôlego, retomando o trabalho honesto, que o tempo se encarregará das condições adequadas para voltar às lides. Não existe um caminho por construir e ir ceifando as injustiças – ascensão espiritual – sem descuidos, tropeços e verdadeiros tombos.

Antonio Carlos Gaio:
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