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O AUTOFLAGELO, A FRUSTRAÇÃO NO RESGATE DA FÉ

O Papa João Paulo II mantinha em seu armário um cinto especial entre batinas e paramentos eclesiásticos para quando precisasse se açoitar, mortificando-se e reproduzindo o sofrimento de Jesus, caminho imprescindível a Deus e à virtude, se seguido de jejum e dormir no chão duro. Se São Francisco de Assis e Santo Inácio de Loyola praticaram o autoflagelo, por que não Karol Wojtyla? Para sentir-se próximo de Deus e desencarnar da matéria que avilta o sentido humanitário do qual o ser humano é dotado com a missão de desenvolvê-lo e irradiá-lo mundo afora. O espírito tem que pairar acima ou fora das exigências do corpo e vencer o abominável nas relações humanas, a politicagem para obter o senso comum, o apego à restrição na interpretação das leis canônicas, e transcender das escritas sagradas para o que está ao alcance de suas mãos e não vê. Por insistir em não mudar o comportamento a que se habituou e se encontrar confortavelmente acomodado, calcado em razões irrefutáveis – os desatinos das pessoas ao seu redor. Mas não é feliz, daí a necessidade de se castigar, pensando o pecado estar em si. Já que a intransigência dificulta a aproximação e o impossibilita de explicar quais são suas intenções ou os obstáculos que enfrenta.

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Antonio Carlos Gaio:
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