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EUTANÁSIA

Eutanásia é um suicídio assistido. O Espiritismo nunca diz que você não deve fazer isso ou aquilo, se existe o livre-arbítrio e você colhe o que semeia, recaindo sobre si as consequências de seus atos ao abruptamente rasgar o livro de sua encarnação e provocar sua própria morte, não dando sequência aos seus resgates ou à sua missão. Quando se der conta, você descobrirá que ainda está vivo (em espírito) ao despertar no Plano Espiritual. Apenas o seu corpo foi destruído. Portanto, inútil o suicídio, pois uma nova encarnação se subseguirá.
Se o limiar de idade centenária está sendo vencido pelo ser humano, há quem associe à decrepitude, à vida indigna em consequência do avançar do declínio não perdoar e torná-lo inoperante, seja para se locomover, comer ou ler, no mínimo. São os nossos limites a induzir a própria pessoa ou alguns familiares a pensar em eutanásia, principalmente se o estado for de senilidade, ou portador de uma doença incurável que o fará sofrer muito. Ou mesmo em estado de coma por anos a fio, parecendo uma condenação perpétua.
Com os recursos que a medicina contemporânea nos proporciona, se estende a duração da vida, fazendo-nos defrontar com a extrema velhice e seus males advindos. Se queremos viver mais tempo, com a progressão da vida útil do ser humano, como conseguiremos, se vamos definhando a olhos vistos?
Por isso, cresce a recorrência à eutanásia, pois chega uma hora em que o idoso se pergunta para que ser mantido vivo. Se desconhecemos os carmas de vidas passadas. Em outro dado momento, surge o desejo de ir embora daqui e pensar na morte assistida, por não ser mais capaz de fazê-lo por conta própria. Afinal de contas, é muito violento e aviltante tirar sua própria vida, seja qual for o meio empregado, além de condenado por todas as religiões – embora essa pressão também incida sobre os agnósticos.
Eutanásia, enfermidades insanáveis, velhice avançada, decrepitude e progressão da medicina em conjunção são reveladoras do assustador medo de morrer, quando se irá desaparecer do mundo terreno. Pelo fato de morrer se constituir no derradeiro momento de ainda estarmos aqui, em nosso meio material, restrito e limitado, onde ainda nos reconhecemos em carne e osso. Deixando os ateus em pânico, se vier a acontecer, depois que a morte se concretizar, o que sempre negaram. Uma existência pontilhada de fatos inesquecíveis e outros por esquecer, fadada ao surgimento de verdadeiros heróis e fracassos épicos, não pode ter um fim, uma conclusão ou mesmo eliminação.
Mas não há fim, e sim continuidade. A morte liberta o Espírito, que prossegue sua caminhada em direção à vida espiritual, a vida verdadeira, ensina Allan Kardec. Desfaz-se do corpo físico, como quem deixa uma veste usada. A morte não extingue a vida, apenas lhe muda a forma, segundo o Espírito Emmanuel, pelo médium Chico Xavier. Assim, não há perda, mas transformação. Ora, se os laços de amor não desaparecem com a morte, apenas se tornam mais sutis, invisíveis aos olhos, mas profundamente sentidos pela alma.

Antonio Carlos Gaio:
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