Einstein e Freud já foram colocados frente a frente para debater a tragédia das guerras e as saídas para uma paz mundial duradoura. Einstein esclareceu que a física não permite vislumbrar os lugares obscuros da vontade e do sentimento humano, acabando por dar o seu aval ao desenvolvimento da bomba atômica nos Estados Unidos em 1939, até porque já se pronunciava no planeta o poder de destruir dos nazistas, em especial contra os judeus. Já Freud contra-argumentou que os seres humanos têm dois instintos fundamentais: Eros, a pulsão de vida, para unir e preservar, e Thanatos, a pulsão de agressão, para matar. A guerra seria tão somente uma manifestação desse impulso destrutivo inconsciente, embora tivesse sugerido uma maior humanização através da educação.
Mas não há a menor chance de suprimir essa tendência natural na Humanidade, segundo Freud, se não for constituída uma autoridade central no meio da Liga das Nações (em maturação, à época), com o direito de arbitrar todos os conflitos de interesse para evitar as guerras. O que corresponderia a uma instância suprema dotada de poder, na qual uma sem a outra seria inútil.
Do que se trata? Dos conflitos entre os seres humanos. A educação corresponderia ao estudo e aprofundamento da alma. Einstein foi mais além, “estamos longe de ter uma organização supranacional competente para ditar veredictos de autoridade incontestável”. E arrematou, “nos obrigando a cumprir”. Faltou dizer, à força.
Seja ateu ou cientista, sempre tão próximo de Deus, mas nunca conseguindo enxergá-Lo. Apesar das maiores sumidades do século XX, em se tratando do pai da física moderna e do pai de psicanálise, que revolucionaram o nosso saber. Ambos forçados pelo nazismo ao exílio nos Estados Unidos e Inglaterra, respectivamente. Sob os efeitos da 2ª Guerra Mundial, que avizinhava um mundo aziago, pessimista, impotente, pródigo em traumas. Somos sim carentes de palavras de esperança trazidas por líderes morais e espirituais reverenciados além dos limites de seu próprio tempo, e que se aqui retornassem e desembarcassem, revigorariam nossa fé, confiança, a alegria própria da pureza de propósitos e consequente gentileza diante de governantes políticos totalmente irresponsáveis.
Às vezes, estar à frente do seu tempo significa partir antes que o mundo consiga te alcançar. Mas se isso vier a acontecer, a verdade continuará ali, firme, reluzindo para um dia o mundo a encontrar e aí fazer bom proveito, quando estiver amadurecido e preparado para compreender melhor o seu alcance.