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O ROCK AND ROLL SEPULTOU UMA ERA DE MÚMIAS

Basta à má vontade com tudo que trouxer algo de novo ao cenário a que nos habituamos e com tudo que vier a provocar uma nova leitura e a redesenhar imagens e conceitos que ficaram cristalizados. E, portanto, estagnados. Ideias que, de princípio, estranhamos e nos mantêm calados, refreando um eventual entusiasmo subjacente, pela dificuldade em classificá-las, a investigar de onde se originam e a título de quê vieram para fazer um auê. Num ato falho que denuncia a má intenção de arquivar essas ideias em algum escaninho, até que apareça a autoridade no assunto e resolva carimbá-las, liberando-as do desterro a que estavam condenadas.
O que faz de muitos jovens e poucos entrados na idade bravos resistentes, a imergir num estado de exílio e desistir da competição, face à realidade de quem pretende ingressar no chamado mundo adulto, que não comporta o que não está dentro do esquema ou se comporta como desvairado.
Já basta o adulto fazer chacota com essa mania do jovem de querer mudar a face do mundo. Basta aos pais que pensam em reproduzir, na íntegra, a educação que receberam. Basta de velhos ultrapassados se conservarem em formol e acharem que há alguma coisa de errado nas mentes de quem se atira às mais grotescas extravagâncias ao som da cadência alucinante do rock and roll. 
O rock and roll que se expandiu para o universo do sexo e das drogas, traduzido em inúmeras vertentes da música pop, agregando maior conhecimento e consciência do que rola ao redor de nosso mundo, se a alma não é pequena. O rock and roll atualmente significa passe livre para permitir que aconteça tudo que era considerado impensável ao juízo de quem é linear. O rock and roll que embola o homem e a mulher num amorzinho pra lá de caprichado, onde vale tudo e se pode abusar um do outro sem que ninguém reclame dos excessos. O rock and roll detonou parcela substancial de uma antiguidade que torturou mentes, perseguiu espíritos livres e atravancou o caminho de muitos, restando aos remanescentes se manterem calados diante da possibilidade de hoje se poder comungar de qualquer credo. A liberdade religiosa para tocar o rock and roll como bem lhe aprouver.

Antonio Carlos Gaio:
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