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OS MICOS DO CARNAVAL

Martinho da Vila se asilou no carnaval de Recife, cercado de frevos e maracatus, por ter sido convidado a disputar o samba-enredo de sua escola querida e não levar a melhor. Pois a Vila Isabel conquistou um campeonato acirradíssimo, decidido justamente no quesito samba-enredo. O autor de “Devagar, Devagarinho” não gosta de privilegiar a empolgação, o padrão em sambas de escola.
A Unidos da Tijuca vem revolucionando o carnaval do Rio, mas alguns jurados repetem o exemplo do jogador Sócrates, que dormiu durante o desfile. O pior cego é o que não quer ver. Não enxergar criatividade nas alegorias e adereços nem beleza nas fantasias, não se aperceber de correria desenfreada em escolas que estouraram o tempo, só podem estar fazendo piada sem graça com harmonia.
Carlinhos Brown exigiu de Gilberto Gil o fim do apartheid entre pobres e ricos no carnaval baiano com a eliminação das cordas que protegem os foliões do bloco que pagaram R$ 750,00 pelo abadá. Para evitar cenas de violência, há que educar o ano todo e não apenas durante o carnaval. Mas caiu em si e se arrependeu de joelhos: “Gilberto Gil é alimento, é justiça. Quero que saiba, meu mestre, o quanto te amo e te respeito. Ó meu pai, misericórdia, pequei senhor, misericórdia”.

Categories: Carnaval Crônicas
Antonio Carlos Gaio:
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