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CAPÍTULO 255 – A EXPIAÇÃO A SERVIÇO DA REEDUCAÇÃO

Allan Kardec nos alerta, em toda a Codificação, que a vida não é um eterno tribunal de guerra a julgar todos os erros praticados nas diversas encarnações, mas uma atividade escolar progressiva. Se há lei de causa e efeito, há também lei de progresso. O intuito não é de nos acorrentar diante de nossas faltas cometidas. Tudo se organiza e é canalizado para que, em última instância, o Espírito aprenda a escolher melhor. Não cabe dizer que somos prisioneiros do passado (de encarnações anteriores) quando, na verdade, estamos mantendo lacrada, seja por medo ou por hábito, uma porta que abre o nosso destino para melhor nos esclarecermos. O passado deixa de ser calabouço para tornar-se arquivo de experiências. Os erros materializados e a dor sentida em consequência são capítulos de aprendizagem. É a consciência pedindo reequilíbrio, e não um castigo exemplar. Vivências tormentosas, culpas e quedas compõem um percurso que deve ser relido sem autoacusação, mas com responsabilidade serena. Desta forma, Kardec mostra que a expiação é uma forma de reeducação.
A ducentésima quinquagésima quinta intervenção espiritual, em 12 de dezembro de 2025, se iniciou com cânticos no intuito de abrir caminho para os espíritos curadores, prosseguindo com a leitura de “Vinha de Luz”, 163 (“O irmão”), de Chico Xavier pelo Espírito Emmanuel, e estudo preliminar do capítulo 10 (“Bem-aventurados os que são misericordiosos”), itens 19 e 21 (“É permitido repreender os outros!”) do livro de Allan Kardec, “O Evangelho segundo o Espiritismo”.
Como é estreita a porta e apertado o caminho que conduz à espiritualidade! Ainda são poucos os que o encontram. Quando é de ti, apenas de ti, que a espiritualidade ressurge, recria e prova que existe algo dentro desse corpo. Somos felizes na medida em que sabemos atacar o sofrimento. De que adianta dizer a um homem ocupado que a vida é breve? Já lhe ocorreu ter circulado por alguns lugares e parecer que já esteve ali em outros tempos? O homem se transforma em eremita quando o medo o faz perder a consciência e não quer mais ser reconhecido. O rancor afasta o amor, mas não é outra coisa que não um pedido de socorro. Ou se domina o próprio destino ou é o destino que o domina.
São diversos os temas para abordar o espiritismo: o ateu, o livre-arbítrio, o perdão, o resgate, o reativo, o espírito desbravador, o amigo inimigo, o carma, o medo de morrer, saber esperar, o rancor, o silêncio de Deus, o ato de doar-se.
O que faz a moderna ciência espírita? Reúne em corpo de doutrina o que estava espalhado por tudo quanto é canto. Explica com os seus próprios termos o que antes só era dito em linguagem alegórica ou se encontrava embutido sob forma de simbolismos ou metáforas. Poda o que a superstição barata e a ignorância do baixo clero engendraram, para só permanecer a essência da caridade, do espírito da boa-vontade e do acolhimento de quem lhe é oposto, dentre outros. Esse é o seu papel. Mostra o que existe, coordena, porém não cria, por isso que suas bases são de todos os tempos e de todos os lugares.

Antonio Carlos Gaio:
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