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CAPÍTULO 263 – O PODER DA SEMENTE

Quando eu era criança, sentia que ninguém levava muita fé no prenúncio de adulto que brotava em mim, mesmo porque pouco se respeitava a inteligência dos infantes de então. Isso mudou, hoje as crianças nascem mais preparadas; Deus assim quis, com os espíritos mais preparados, em razão de novos e promissores tempos. Agora que sou adulto, discriminam, em determinadas ocasiões, a minha criança interior prevalecer no meu modo de ser, fazendo pouco caso ao me julgarem pouco amadurecido. Os pais costumam dizer para as crianças que o tempo passa rápido, mas elas nunca se apercebem, por ainda não terem a visão do Todo. Chico Xavier dizia que tudo na vida é uma questão de tempo. Um dia as dores passam, a saudade acalma, a decepção ensina e a vida continua.
Cada dificuldade é um convite para que descubramos forças até então desconhecidas por nós. Como maior exemplo, os ateus se encontrarem próximos da espiritualidade, sem o saberem. Com um grito preso na garganta: “Eu não acredito!”. Quanto mais o ser humano se prende às circunstancialidades deste mundo, menos compreende sua destinação. Quanto mais algemado à matéria, menos tempo para participar da construção de sua espiritualidade, que é de caráter divino. O resultado do que fazemos nos espera mais adiante.
A ducentésima sexagésima terceira intervenção espiritual, em 17 de abril, se iniciou com cânticos no intuito de abrir caminho para os espíritos curadores, prosseguindo com a leitura de “Vinha de Luz”, 171 (“No campo físico”), de Chico Xavier pelo Espírito Emmanuel, e estudo preliminar do capítulo 11 (“Amar ao próximo como a si mesmo”), item 14 (“A Caridade para os criminosos”) do livro de Allan Kardec, “O Evangelho segundo o Espiritismo”.
O Espírito Emmanuel explica com mais propriedade a transformação que o ser humano deve, no mínimo, começar a refletir. A imersão da mente nos fluidos terrestres é uma oportunidade para que o espírito operoso e desperto no corpo encarnado principie por estruturar valores espirituais cujo destino será eternizado. Como estágio inicial do desenvolvimento de um organismo, imagine-se como o germe lançado à cova escura, sofrendo a ação dos detritos da terra, afrontando a lama, o frio, a aridez e resistência do solo que, em breve, se converterá em verdura e utilidade em folhagem, em perfume e cor nas flores e em alimento e riqueza nos frutos. Compreendamos, a partir daí, que a semente não estacionou. Rompeu todos os obstáculos e, sobretudo, obedeceu à influência da luz, que a orientava para cima, na direção do Sol. A cova do corpo é também preciosa para a lavoura espiritual quando nos submetemos à lei que nos induz a caminhar em direção ao Alto.
Quem nada planta, não trabalha pela elevação da própria vida e coagula a atividade mental, perdendo a fluidez necessária para desenvolver a trajetória do maior bem que lhe foi concedido: a gestação do sentido da vida.

Antonio Carlos Gaio:
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