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MARINA VAI EXPLORAR A UTOPIA CONTRA O REALISMO DE DILMA

Adiante, tento transformar o discurso de Marina em algo mais inteligível. Essa é a lógica dos partidos. Os partidos se esquecem do povo (Marina não emprega esse termo) depois de eleitos e só pensam neles, os políticos. Hoje, os partidos sofrem uma grande onda de descrédito popular, pois não veem suas dificuldades reais equacionadas. Marina espera que a instituição (ela não menciona o Legislativo) seja renovada para poder governar com os bons e praticar a aeróbica do bem. Imaginar que se possa fazer o que ainda não fizeram, corrigindo tudo de errado para aprofundar realizações boas que historicamente conseguimos em governos anteriores, é a sua utopia. É procurar colocar em prática algo tão ambicioso quanto reformar nossa democracia, inspirada na “Reforma da Natureza”, de Monteiro Lobato, para acabar com o atraso na nossa política, sob o risco de se perder as conquistas sociais, a estabilidade econômica e não encarar os desafios do século XXI. Ela só pede quatro anos e garante que não almejará a reeleição – quer um cheque em branco. Desafia Dilma por não ter a perspectiva de sonhar em mudar a situação de presidente refém do Congresso. Marina se apresenta como novidade ao tentar incorporar o clamor das ruas, mas não responde claramente como vai governar sem partidos. Quando a realidade é feita de partidos. Mas se o crescimento de Marina se deve a ela mesma, o objetivo é se colocar acima dos partidos, pois a nova política é Marina, porque ela interpreta o que a sociedade quer. Seu dilema é convencer a todos que anseiam por coisas novas e que é viável fazer política de uma maneira diferente. Vê se combina com Marina seringueira, que trabalhou como empregada doméstica, só aos 16 anos aprendeu a ler, formando-se em História e Psicopedagogia, vencendo a miséria, a ignorância, a doença (5 malárias, 3 hepatites, 1 leishmaniose, uma ingestão de mercúrio) e tornando-se líder ambientalista mundialmente reconhecida. Foi deputada e senadora pelo PT e ministra do Lula, rompendo com ambos em 2009 por não ter sido indicada como herdeira de seu legado. Dilma tem até o 2º turno para desconstruir essa estratégia brilhantemente chupada dos manifestantes, conjugada com o fim que quer dar à bipolaridade entre PT e PSDB. Empreitada mais difícil será desmontar o que Marina engenhosamente vem explorando: a utopia. A mesma utopia que aprendeu com Gabeira, o mestre em lidar com mentes e corações. 
Categories: Croniquetas
Antonio Carlos Gaio:
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