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ALGUNS TRECHOS – LIRISMO E TRUCULÊNCIA

Capítulo 1: CONVITE À VIAGEM EM TORNO DE MIM MESMO

Senhoras e senhores, convido todos a embarcarem comigo no inquietante roteiro que mistura as delícias de Paris por entre os estreitos labirintos do islamismo e a indisfarçável crueza do comunismo. Acomodem os rabos nos assentos, apertem os cintos e viajem em torno de mim mesmo, acompanhando as cartas enviadas aos amigos, que condensam impressões e fatos reais.

 

Capítulo 2: PARIS, CIDADE MARAVILHOSA

Qual é a terra em que posso escolher entre vinho, champagne, conhaque, l’eau de vie (a cachaça do francês), vinho do Porto, calvados (conhaque de maçã), brandy, jerez, cherry, vodka e mais de 150 cervejas diferentes, de toda parte do mundo?

Capítulo 3: IL FAUT LE RITUEL

Em substância, os intelectuais têm o vezo de cassar a palavra descompromissada de quem não está engajado na verdade absoluta de sua tribo. As asneiras e tolices remetem o intelectual a um estado de tensão insuportável, pois os leva a se julgarem merecedores de ‘uma vida mais inteligente’. Dia chegará em que os intelectuais desta estirpe serão destronados.
Em Paris, sinto-me inteiramente à vontade para transmitir e receber informações, ensinamentos e vivências, sem haver necessidade de perder a tranqüilidade, porque discordo de algum ponto de vista particularmente infeliz, leviano ou até mesmo filho da puta.
Quem vier para a Velha Europa, carente de calor humano ou não sabendo viver sem ele, prepare-se para a iminência de pirar, tomar um Valium na veia ou ser recolhido a um sanatório.
Mulatas e índias, vale a pena contrair núpcias com alemães, tendo o objetivo de purificar a raça brasileira, parindo rebentos louros e de olhos azuis, embalados no berço esplêndido da submissão, perante seus senhores?
Eu é que não vou me deixar soterrar por lamúrias, mágoas e amarguras; nem me anular por insatisfação, impotência e transferência de culpa por aquilo que não se consegue realizar; nem ser destruído por pessimismo e inveja. É melhor abrir a jaula e fazer tudo o que acreditava estar bem guardado na gaveta. E, como o futuro ainda não existe, cabe nele qualquer possibilidade, mesmo a mais remota ou excêntrica.
Ajuste a lupa sobre a arena e assista à sabedoria da resignação abafar a destrutividade da revolta, com golpes suaves e certeiros. Quanto mais se aceita os imprevistos, menos se sente os seus efeitos desastrosos.
Tanto que Balzac afirmou: ‘Mesmo as mulheres menos ardilosas têm armadilhas infinitas. Mulheres estúpidas vencem pela pouca desconfiança que despertam’.
Se você vai abrindo mão de seus ideais de amor e realização profissional, apelando para qualquer coisa, até mesmo o que lhe inspira bocejos ou lhe faz suar de nervosismo por não mais querer ficar ali um segundo sequer, sepultado naquela cadeira que range ao sabor de seu peso, ou cravado no leito, inerte, ao lado de quem você deveria estar cumulando de beijos e carícias, é porque começou a morrer.
Então, seguirei fiel ao estilo de me esconder atrás dos pontos de interrogação, por temer o veneno que certas expressões ou fórmulas de pensamento destilam. Nada como a interrogação, atributo da dúvida, montada num veículo automotor, a nos querer atropelar, para a gente levantar o rabo e partir em direção àquilo que ainda não foi realizado.

Capítulo 4: A CAMINHO DA EXTINÇÃO

Os tecnocratas não têm cheiro, sabor, forma e cor. Só querem saber do seu bem-estar, e que se foda o resto. Contudo, fazem boa figura em coquetéis, principalmente se acompanhados de champanhota.
A mistura entre as raças talvez seja a última chance de o ser humano provar a si mesmo que não merece ter destino igual ao dos dinossauros.
Lá estacionei para traçar um generoso cabrito encharcado de azeite, absorvido pelos incontáveis nacos de pão que, sofregamente, minhas mãos levavam à boca para saciar uma fome ancestral.
Em Portugal, a mãe espanca e, em seguida, sentindo-se culpada, beija o filho, que se aproveita dessa fraqueza momentânea e tenta desmoralizá-la, obrigando o pai, que está na ante-sala de espera, a entrar e bater para definir a pendenga, tal como um juiz que martela sua sentença. No enganoso exercício de autoridade, os pais passam o dia inteiro por conta da meninada, advertindo-a repetidamente.
Graças ao sensor de radar aguçado, advindo da profundidade do olhar árabe, sem nada ter sido comentado ou perguntado, os homens detectaram em mim o perfil e o porte do sheik que vos fala, à altura da ninfeta de 14 anos que queriam me ofertar, em troca de um dote. Pronta para ser remetida ao Brasil, livre de impostos.
As mulheres, no Brasil, costumam se queixar muito dos privilégios que os homens ainda têm, sendo-lhes fácil arrumar uma enfermeira para desentubar e removê-lo do CTI do amor, sedando-o de forma a apagar os vestígios daquela miserável que desgraçou sua vida.
Se bem que o homem também pode entrar numa de se enquadrar na ‘rotina do amor’, incomodado com o vozerio nos bares, a exigir um salão exclusivo para dançar, deixando escoar pelo ralo sua capacidade de inventar e surpreender. Pelo mesmo vão por onde se esgueira a cumplicidade a dois, introduz-se o bocejo que anuncia o tédio.

Capítulo 5: FAZ SENTIDO A ESFINGE NO EGITO

Por vezes, as pessoas anseiam tanto por obter alguma coisa que, quando estão prontas, elas mesmas se sabotam, acostumadas que estão ao sofrimento e desesperança, não se permitindo serem felizes, mesmo por algum instante.
O que lhes vou contar agora são fatos verídicos, tendo o mercenarismo como elemento constante em todas as aventuras vividas por mim, no Egito. Na condição de intruso, penetrei em território misterioso, localizado nas cercanias de Cairo, quase no deserto, e circulei por entre casas de alvenaria, arriscando-me a entrar numa fria e ser ‘aliviado’, ajudando a aumentar a vendagem dos jornais que exploram o sangue.
(…)imediatamente meu ouvido captou o som aliciante do lamento oriundo dos minaretes, de onde se anuncia aos muçulmanos a hora das orações. O canto contínuo, quatro a cinco vezes ao dia, leva-nos a mergulhar no espectro de Deus, mesmo que você não acredite. Em Istambul, o lamento adiciona mais um toque de charme a essa pérola de cidade, aliado ao apitar constante dos navios que cruzam o estreito de Bósforo.

Capítulo 6: A INDISFARÇÁVEL CRUEZA DO COMUNISMO

Não concebo turismo com o propósito de metamorfosear-se em ratazana a circular por todas as lojinhas do comércio local, para encontrar souvenirs, equivalentes a troféus, que possam ser exibidos na volta. Como se outros já não os tivessem trazido e ignorando o suprimento por parte dos muambeiros, contrabandistas e comissários de vôo. Repugna-me a idéia de vestir a carapuça de Papai Noel para aplacar a inveja dos amigos e aliviar a própria culpa por ter ido tão longe.
Conclusão da caixa-preta da Iugoslávia: esboça-se uma situação que, no futuro, pode levar a um conflito de classes ou a um perigoso desvio no rumo da política voltada para atender à comunidade como um todo, sem privilégios. Não hoje, porque o iugoslavo está burocratizado, vivendo para o gasto e sem querer ficar pensando muito para não ter que contestar o regime. Finge não ver a semeadura de confrontos latentes.
Está para existir uma nação de capitalistas, selvagemente liberal, e de astigmáticos aficcionados do regime de concorrência perfeita e do livre comércio, que tenha conseguido eliminar o mercado negro. Adam Smith e Keynes, ao propagarem suas teorias sobre consumo e pleno emprego, não lograram ferir mortalmente o contrabando, a especulação, a economia informal e a mais emergente das enxaquecas: o conglomerado das drogas, a ser batizado, no futuro, de Cia. das Drogas Ocidentais e Orientais.
(…)eis-me diante do comunismo puro da Tchecoslováquia, que não é puro; do comunismo da Iugoslávia, que não é comunismo, é socialismo puro; do socialismo da França ou mesmo da Espanha, que não é socialismo, é social-democracia (paulatinamente, face aos compromissos que vai assumindo com a classe empresarial e produtora).

Capítulo 7: SINAL DO DEUS IMPREVISTO

Nós não somos tão inteligentes assim

Lirismo e Truculência

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