O que está por detrás da notícia em rápidas palavras
  
  
Recentes
Arquivo
Arquivo
setembro 2026
D S T Q Q S S
 12345
6789101112
13141516171819
20212223242526
27282930  

ANALOGIA ENTRE O REINO VEGETAL E O ESPIRITISMO

Partamos para encontrar uma relação de semelhanças entre universos distintos como o reino vegetal e o Espiritismo.
O cientista e biólogo Stefano Mancuso desafia os velhos preconceitos sobre o mundo vegetal em livros que assina, como “A incrível viagem das plantas” e “O mundo das plantas”, nos quais observa que as plantas são seres dotados de inteligência, memória e aptas a tomar decisões. Habilitadas a perceber, a aprender e até mesmo a se “movimentarem”.
No entanto, nosso ego é incapaz de reconhecer a habilidade das plantas, em parte porque se movimentar, a função a que atribuímos maior importância, só serve para lidar com os problemas fugindo deles. Em 90% das vezes em que dizemos “resolvemos esse problema”, na verdade, queríamos dizer que escapamos dele. O problema continua no mesmo lugar, nós é que não estamos mais sujeitos aos seus efeitos, porque nos movemos. No caso da planta, como a fuga não é possível, ela precisa solucionar o problema de fato, com respostas que demandam tempo.
A ciência tradicional trata as plantas como organismos passivos porque as enxerga como seres inúteis de fazer qualquer coisa, segundo o italiano e professor da Universidade de Florença, membro do comitê diretor da Society of Plant Signaling and Behavior, organização dedicada a estudar a forma como as plantas processam informações, ao que Mancuso acrescenta:
– Como temos tendência a projetar, achamos que plantas não podem ver porque não têm olhos, não podem ouvir porque não têm ouvidos, ou não podem pensar porque não têm cérebro. Mas isso seria reduzir as plantas à completa estupidez, quando representam a maior biomassa do planeta, correspondendo a 85% do seu total, enquanto os animais, todos com cérebro, a apenas 0,3%. Insano reduzir a inteligência ao resultado de apenas um órgão como o cérebro.
O mundo vegetal é relegado a um status de coadjuvante na nossa experiência terrestre, quando não difamado em diagnósticos médicos ao se fazer uso da expressão “estado vegetativo”, no qual se associa a vida vegetal a uma quase morte. O fato é que as plantas poderiam oferecer soluções e alternativas a uma Humanidade cada dia mais ensimesmada. A maior atenção à organização descentralizada das plantas pode nos ensinar novos sistemas sociais. No lugar de cidades planejadas para “monoculturas humanas”, centros urbanos concebidos como verdadeiros ecossistemas, agregando seres vivos ao meio ambiente.
Os experimentos de Mancuso descobriram uma gama de habilidades vegetais que mais parecem superpoderes ocultos. Raízes supersensíveis a sons, temperaturas e obstáculos, capazes de alterar suas rotas com antecedência para evitar dificuldades materializadas por fatores naturais.
Sem cérebro, olhos ou ouvidos, as plantas processariam informações por meio de uma anatomia difusa e ainda desconhecida, percebendo luz e reagindo a ameaças e tomando decisões com o corpo inteiro. Sem contar a “linguagem vegetal”, uma troca constante de informações complexas via moléculas químicas, permitindo-lhes pedir socorro e emitir alertas umas às outras.
Diferentemente das plantas, que trabalham em grupo, não pensamos na nossa própria preservação. A cooperação é sempre uma forma muito mais eficiente de garantir a sobrevivência. Normalmente pensamos que, quanto menos recursos existem, mais competitivos somos. Mas na Natureza é o oposto: quanto menos recursos, mais se coopera.
Visionário ou excêntrico para alguns, o polêmico Mancuso se tornou uma figura influente fora do campo científico e, se tivesse que imitar as plantas, ele escolheria a organização. “Nós, humanos e animais, somos organizados de uma forma muito primitiva. Temos um chefe e, abaixo dele, órgãos especializados em executar a decisão tomada por ele. Nas plantas, não há hierarquia, a organização é distribuída; as decisões são tomadas no nível exato onde os problemas acontecem”.
A analogia entre universos distintos como o reino vegetal e o Espiritismo funciona como uma parábola. Se os cinco sentidos do corpo humano, a visão, a audição, o paladar, o olfato e o tato, formam o sistema sensorial que capta informações do ambiente externo e envia tudo para o cérebro processar. Se as plantas não têm olhos, nem ouvidos e nem mesmo cérebro, e possuem uma organização descentralizada que pode nos ensinar novas associações que vão surgindo. Se munidas de uma gama de habilidades que mais parecem superpoderes ocultos e distinguindo todo tipo de luz que incide sobre nós, a analogia do funcionamento das plantas com o Espiritismo não deve dar motivo a descrédito, nem escapismos, já que é necessário se movimentar, se estamos sujeitos à espiritualidade que nos governa, e resolver o problema de fato, com soluções que demandam tempo. Um ciclo contínuo de encarnações, reencarnações e evolução, quando também buscamos resguardar nossa integridade, garantir a sobrevivência se em meio nefasto e preservar o nosso grau de pureza espiritual alcançado. Se todas as nossas existências fossem enfrentadas em regime de cooperação, como seria melhor! Aprendendo com a Natureza: onde houver menos recursos, mais se coopera. A mesma Natureza que alberga o Plano Espiritual.
O reino vegetal mais conhecido como a Natureza. A natureza de Deus.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.

Antonio Carlos Gaio
Categorias