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CAPÍTULO CLX – À SOMBRA DAS INCERTEZAS

A dias tempestuosos e encostas que se desmancharam, surgem zonas necessitadas de arrimo, corretivo e proteção, um infinito potencial por se realizar, em sequência a florestas verdejantes e úmidas, substituídas por charcos gigantescos, a requisitar drenagens e socorro imediato. Árvores retorcidas e galhos emaranhados não impedem os pássaros de reconstruírem seus ninhos. Contudo, a paisagem morta requer trabalhadores devotados que não fogem ao gênero da tarefa ou não temem perigosas áreas de serviço, muito embora os verdadeiros servidores sejam raros, assustados com a magnitude da obra e optando por recolher-se a vacilações que nada mais atraem do que peçonhentas influências. Era se render ao receio ou se alienarem como hábeis horticultores ou jardineiros, a cultivar flores diante de terrenos agressivos e multiformes.
Jesus Cristo, todavia, não esmorece e prossegue aguardando companheiros voltados para colaborar e aperfeiçoar as realizações infinitas que se integram ao plano terreno, sabedor de que não se improvisa um desavisado cooperador.
Prosseguindo a intervenção espiritual, sem ainda ser presencial na Fundação Marietta Gaio e realizada na residência de cada médium e de quem se encontra sob tratamento, segundo o calendário da Fundação, com todos obedecendo ao regime de confinamento em face da pandemia do coronavírus, a centésima sexagésima intervenção espiritual, em 25 de fevereiro de 2022, efetivou-se sob a égide da leitura de “Vinha de Luz”, 68 (“No campo”), de Chico Xavier pelo Espírito Emmanuel, e estudo preliminar do capítulo 27 (“Pedi e obtereis”), itens 7 a 8 (“Eficiência da prece”) do livro de Allan Kardec, “O Evangelho segundo o Espiritismo”.
“Tudo aquilo que pedirdes pela prece vos será concedido” é contraditado “por nem todo pedido a Deus será atendido”, em razão da Divina Providência saber com muito mais propriedade o que é melhor para o nosso bem. Se um pai sábio nega ao seu filho tudo o que parecer prejudicial, a seu juízo. Se o sofrimento é útil para sua felicidade futura, Deus o deixará sofrer. Ainda mais que não lhe é dado a conhecer o que o futuro lhe reserva.
Por outro lado, Deus sempre lhe proporcionará coragem, paciência e resignação, dirigir-se a Ele imbuído de confiança, o que lhe propiciará os meios para se livrar das dificuldades por si mesmo, além do suporte de ideias que os bons Espíritos poderão lhe sugerir; e, no final das contas, o mérito da ação será seu.
“Ajudai-vos e o Céu vos ajudará” não dá guarida a quem não faz uso de sua própria capacidade, esperando ser socorrido por um milagre a ter que operar algum esforço.
Se somos seguidos, sem tréguas, pelas sombras das incertezas, para que Deus teste a confiança que Nele depositamos e o respeito e a assimilação de seus desígnios. E não para, pura e simplesmente, fazer valer o Seu poder despótico sobre o nosso destino, e sim para compreender o que Ele representa na construção de nossa existência ao longo da encarnação, bem como nos dar a oportunidade de dispor de nosso livre-arbítrio para gestar o sentido real da vida. Cada um a seu modo.

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